Brasil

A depressão sob o olhar de quem sofre

Pacientes explicam a realidade da doença e especialista alerta sobre a importância da família e do autocuidado para o combate e prevenção

diario da manha

A depressão é um mal que atinge grande parte da população brasileira. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que no Brasil 5,8% da população sofre de depressão, taxa acima da média global, que é de 4,4%. Segundo a OMS, em média 12 milhões de brasileiros sofrem com a doença, tornando o Brasil, o país mais deprimido da América Latina.

As pessoas que convivem com esse mal, com ajuda de um tratamento específico, buscam se superar para retomar novamente suas atividades cotidianas. Mas o que elas realmente sentem? Quais fatores externos estão ligados ao surgimento da depressão? Quais os cuidados que devemos ter? Pacientes explicam a realidade da doença que por muitos é considerada o mal do século, e especialista alerta sobre a importância da família e do autocuidado para o combate e prevenção.

Luana Regina – “Não conseguia me reconhecer mais! ”

Luana Regina, 27 anos, é professora de história na rede estadual e trabalha em duas escolas nos três turnos. Tudo começou em 2019 quando Luana, devido ao acúmulo de atividades junto a um luto, teve os primeiros indícios de depressão. Regina alega que não estava feliz e que o vazio se intensificava cada dia mais, mas negava a ideia de estar deprimida.

“No começo a situação era de negação mesmo! Eu entendia que tinha alguma coisa errada, mas preferia ter qualquer coisa a imaginar que eu teria depressão”.

A professora afirma ainda que tinha uma ideia equivocada com relação a doença. “A ideia que eu tinha da doença era que a pessoa era fraca, que não sabia lidar com as emoções. A minha ideia era negativa. ”, confessa a educadora.

Luana relata que teve muitas dificuldades antes de procurar tratamento. “Não conseguia ter vontade para nada. Coisas simples já não conseguia realizar. A situação foi piorando, a sensação era de não existir mais, não conseguia me reconhecer”, lembra a professora.  

Após conversar com a família e ter todo o apoio, Luana iniciou o tratamento no começo deste ano e afirma que é um esforço diário. “Hoje estou medicada e em tratamento. A luta é diária, esse contexto que estamos vivendo gera constante crises de ansiedade. Tem dias que consigo fazer as coisas, seguir uma rotina, outros não consigo nem levantar, a sensação é de peso”, finaliza a professora.

Alexandre Franco – “ É uma doença forte, prejudicial e que está levando várias pessoas a morte. ”

Educador Físico, Alexandre Franco, 24 anos, convive com depressão há 3 anos. Segundo ele, um trabalho com vários problemas, dificuldades na faculdade e relacionamento abusivo, foram fatores que desencadearam a depressão.

A doença lhe trouxe dificuldades em vários âmbitos. “Tenho dificuldades para prestar atenção em certos momentos, cansaço sem fazer muito esforço e dificuldades para dormir”, comenta Alexandre.

Alexandre alega que durante muito tempo conviveu como se nada tivesse acontecendo. “Eu sempre fui uma pessoa mais isolada e na minha, convivia como se nada tivesse acontecido pelo fato de nunca me expressar para ninguém”, comenta.

O educador físico confessa que achava depressão uma frescura. “Eu pensava, como uma pessoa se senti mal com tanta coisa boa no mundo? Mas vejo de uma forma totalmente diferente hoje em dia”, afirma Alexandre.  

Com o peso do isolamento social, o jovem com a mente bastante conturbada pensou até em suicídio. “Iria me suicidar no outro dia. Pensei que seria um descanso de todo sofrimento já vivido ”, ele lembra.

Após postar um texto em um grupo interativo do Facebook, muitas pessoas se sensibilizaram com o caso dele e lhe enviaram várias mensagens de apoio, alguns alertaram até a própria família do rapaz. “Foi bom. Recebi mensagens de pessoas que nem conhecia me dando total apoio. As pessoas que viram, mandaram mensagens para os meus familiares.”.

O educador físico atualmente está em tratamento com especialistas e afirma que está sendo bom, mas que ainda é cedo para falar em evolução. Um tempo depois o jovem publicou um vídeo agradecendo o apoio, falando que estava melhor e alertando sobre a importância de buscar ajuda durante essa fase.

A importância da família durante o tratamento  

Sendo psicóloga, master coach e analista em inteligência emocional treinada presencialmente pelo Dr. Augusto Cury, Nayara Helena explica que a família é fundamental no auxílio ao tratamento do paciente. “A família tem total importância no tratamento do paciente”, diz a especialista.

A psicóloga também aconselha terapia à família para que eles possam conduzir com sabedoria e cautela a situação de seu ente querido. “A contribuição de um psicólogo que converse com a família sempre é importante na atualização e no acompanhamento desse paciente.”, finaliza Nayara.

O autocuidado para a prevenção da Depressão

A psicóloga alerta que mais do que saber identificar se uma pessoa está com depressão ou não, é ter a auto responsabilidade de cuidar do seu eu. Segundo ela é “ter a consciência que durante as 24 horas do seu dia, você precisa ter momentos que tenha um caso de amor com você mesma”!

Ela esclarece que as pessoas tendo esse autocuidado com elas mesmas, há condições de ajudar o próximo. “Só uma pessoa realmente feliz, faz os outros felizes”, afirma a especialista.

Nayara aconselha terapia para quem tiver a oportunidade de fazer. “Eu indico terapia para todas as pessoas do mundo! As pessoas que não tem condições, tem postinhos e universidades com tratamento psicológico gratuito”.

Ademais, a especialista pede que durante a quarentena as pessoas busquem programas online gratuitos. Ela dá inclusive a sugestão de um programa do Dr. Augusto Cury, o “Você é insubstituível”

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