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152 bispos da Igreja Católica assinam carta criticando governo Bolsonaro

diario da manha
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista coletiva em Brasília 18/03/2020 REUTERS/Adriano Machado

Uma carta crítica ao governo de Jair Bolsonaro foi assinada por 152 arcebispos, bispos e bispos eméritos da Igreja Católica. O texto deveria ter sido publicado na última quarta-feira (22), mas foi interrompida para ser analisada pelo conselho permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de SP.

Segundo a colunista, os bispos afirmam que o país atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, provocada por Bolsonaro.

“A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança”, diz trecho.

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O texto, chamado de “Carta ao Povo de Deus”, diz que “analisando o cenário político, sem paixões”, é possível perceber “claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises”.

Na carta, os bispos ainda acusam Bolsonaro de usar o nome de Deus para propagar mensagens de ódio e preconceito. “Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?”, questionam.

Em um outro trecho, os sacerdotes criticam as reformas feitas no governo: “Pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social”.

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“O ministro da Economia [Paulo Guedes] desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no país, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda”, afirmam os bispos.

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