Saúde

Especialista fala sobre problemas relacionados a compulsão alimentar

Especialista em obesidade esclarece principais dúvidas sobre a questão

diario da manha

A obesidade ainda é uma das doenças mais comuns no Brasil e cresceu em 60% nos últimos 10 anos no País. Ao redor do mundo são 700 milhões de obesos; deste número 100 milhões são crianças.

A OMS define a obesidade como um acúmulo excessivo de gordura que pode comprometer a saúde de uma pessoa. Uma pessoa é considerada obesa quando o seu índice de massa corporal (IMC) é superior a 30 kg/m2, e com excesso de peso quando o seu IMC está entre 25 e 30 kg/m2. O IMC é calculado dividindo o peso da pessoa pelo quadrado da sua altura.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, uma em cada cinco pessoas está acima do peso no Brasil. Pesquisas apontam que a principal causa que tem levado as pessoas a engordarem é a má alimentação, que inclui o consumo excessivo de açúcar e, principalmente, a ingestão de alimentos ultraprocessados. Por consequência disso, segundo uma pesquisa divulgada pelo Portal da USP, esses alimentos aumentam as chances da formação de nódulos malignos.

Para a nutricionista e especialista em obesidade Gladia Bernardi, autora do livro “Código Secreto do Emagrecimento”, essa situação acontece porque a grande maioria das pessoas não segue uma dieta equilibrada. “Os alimentos ultraprocessados são aqueles que passaram por um processo que adiciona uma alta quantidade de sal, açúcar, gorduras ou conservantes”, explica Gladia.

Ainda de acordo com a especialista, além da rotina corrida, que faz com que as pessoas não prestem atenção no que comem, esse tipo de alimento é muito prático e costuma apresentar um custo-benefício mais baixo para os consumidores. “Eles podem ser encontrados em forma de refrigerantes, doces, macarrão instantâneo, chocolate, comida congelada, adoçantes, entre outros. Por isso é sempre importante evitar esses itens e, caso for consumi-los, que seja esporadicamente”, completa.

Da cabeça pra boca

Gladia relaciona a alimentação com fatores emocionais: “Por serem responsáveis pelo aumento do número do câncer nos próximos anos, esses alimentos ultraprocessados não devem estar inseridos na alimentação do dia a dia. Em meu livro, explico que a grande causa da obesidade é comermos por compulsão, e não por necessidade. Por isso, as famosas “dietas” muitas vezes não dão certo, pois devemos ensinar a nossa mente que comer nada mais é do que uma necessidade fisiológica. Devemos comer para saciar a fome, e não usar os alimentos para ‘tapar’ vazios emocionais.”

“Quando passamos a comer por compulsão, significa que podemos apresentar algum trauma – que chamo de gatilho – localizado no inconsciente, e que nos faz consumir alguns alimentos de maneira descontrolada, mesmo sabendo que eles nos fazem mal, aumentando o risco de doenças, como o câncer”, salienta Gladia.

Gladia lista mito e verdade sobre a compulsão alimentar:

O transtorno alimentar está na mente 

VERDADE. Quando comemos por compulsão, ingerimos alimentos na maioria das vezes altamente calóricos, sem necessariamente estarmos com fome. E esse ato é totalmente impulsionado pelo psicológico, ou seja, o gatilho do comportamento compulsivo está na mente. 

“Para se livrar desses impulsos alimentares, precisamos entender que a fome é uma necessidade humana e ingerir os alimentos apenas quando for de fato necessário. Claro que a pessoa não precisa se privar de comer um chocolate de vez em quando, por exemplo, mas é preciso ter equilíbrio e não descontar as emoções do momento na alimentação”, explica Gladia.

Compulsão alimentar não tem cura

MITO. Quando uma pessoa é diagnosticada com compulsão alimentar, deve aceitar que precisa de ajuda e procurar um tratamento. Existem especialistas que cuidam desses casos diariamente, como nutricionistas e psicólogos. O importante é enfrentar o problema.

“Praticar exercícios físicos também pode ser uma maneira para driblar a compulsão. Além de ajudar na saúde física, auxilia o nosso cérebro e promove o bem-estar. Como a compulsão alimentar é um problema psicológico, pode ser muito benéfico”, enfatiza.

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