Política & Justiça

Caiado responde Ibaneis, após ameaça de barrar goianos: frases dão nojo e nome do gestor rima com pequenez

Governador de Goiás responde a provocação do gestor do Distrito Federal, que não quer mais atender goianos em Brasília. Caiado diz que pensamento de Ibaneis dá nojo

diario da manha

O governador Ronaldo Caiado respondeu o gestor do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que estaria contando o número de moradores do Entorno atendidos no Distrito Federal.

Conforme frase do governador do DF, veiculada na tarde desta terça-feira, 23, Caiado teria que “cuidar” de “nossa” população:   “Preciso que o governador de GO cuide da nossa população. Senão, fecharemos a divisa”.

É a segunda vez que Ibaneis ameaça excluir os moradores do Entorno. Caiado foi duro com o governador do DF: “Diante de um momento tão delicado vivido por todos nós, onde a maioria dos governadores se dão as mãos para ajudar os que mais necessitam, causa repúdio e nojo ler uma declaração estapafúrdia do governador do DF, Ibaneis Rocha, de que vai fechar as fronteiras do DF com Goiás. Evidencia a sua falta de empatia e respeito pela vida. Como governador, nunca fiz contas de quantas pessoas já atendi nem o seu local de origem. Eu defendo a vida, acima de tudo! Já cedi medicamentos ao Amapá, recebi pacientes manauaras, atendi pacientes do DF nos hospitais de campanha que montamos em Luziânia e em Formosa com o mesmo respeito que temos pelas vidas dos goianos. Recebi um estado com apenas três cidades com leitos de UTI públicos: Goiânia, Anápolis, Aparecida. Mas criei novos leitos em 12 macrorregiões, entre elas Luziânia e Formosa. Sei que a declaração do governador Ibaneis não condiz com o pensamento de quem mora em Brasília. Essa declaração é de uma pequenez que rima com o seu próprio nome”.

Entorno

O gestor do Distrito Federal, com sua posição, vai contra todos recentes estudos em sociologia da violência e direito agrário que mostram ser, isto sim, Brasília um problema para Goiás.

Para estudiosos da relação Goiás-Distrito Federal, a capital começa como um problema ambiental e termina como um centro de violência urbana e institucional.

Ao ceder terras para a construção do Distrito Federal, na década de 1960, Goiás não “ganhou” nada de Brasília. Ao contrário, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado é semelhante a estados como Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul, que em nada devem para Brasília devido a grande distância.

Ao contrário, o DF tem sido gerido com um fundo que deveria ser instituído para atender à região integrada de desenvolvimento, a RIDE, mas por uma ação política, quando foi criada a lei complementar à Constituição, foi concentrada apenas no Distrito Federal.

A maioria dos moradores do Entorno veio para Goiás tendo em vista trabalhar em Brasília, ‘vendida’ como um sonho desenvolvimentista, mas que não conseguiu abraçar a todos.

O DF cria hoje um problema institucional para Goiás, já que faz o Estado ser o único do país a ter duas grandes regiões metropolitanas, ou seja o Entorno e a região metropolitana de Goiânia.

Para se ter ideia do problema criado por Brasília, cerca de 92% dos moradores de uma cidade como Águas Lindas é composta de não goianos.

A indignação de Caiado com a “pequenez” do gestor político se deve a um fator: enquanto Goiás há exato um ano recebeu os 55 repatriados de Wuhan, na China, e abriu seus leitos para receber doentes de Manaus, o gestor do DF, que concentra os recursos do Governo Federal, reclama de atender pessoas que, em grande parte, servem aos moradores de Brasília.     

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