Política & Justiça

Chico Rodrigues liderava esquema de desvios na Saúde de Roraima, aponta investigação

Após ser flagrado com R$ 33 mil na cueca, senador investigado em operação que apura desvios na área da saúde é apontado como líder do esquema

diario da manha
Foto: Reprodução

Na última quarta-feira (21), Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do inquérito que investiga o senador e ex-vice-líder do governo Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com R$ 33 mil escondidos na cueca na semana passada .

Com o levantamento do sigilo, novas informações que constam no relatório da ação, enviado ao Supremo pela Polícia Federal (PF) foram divulgadas.

Primeiramente, há indícios de que Chico Rodrigues liderava um esquema de desvio de recursos para pandemia destinados à Roraima. De acordo com os investigadores, o senador atuava como “gestor paralelo” na Secretaria de Saúde do estado.

Após a análise de mensagens no celular de Chico Rodrigues, a PF aponta uma cobrança de liberação do dinheiro de emendas parlamentares para o pagamento de empresas relacionadas ao esquema.

Entre os contratos investigados, está o de fornecimento de álcool em gel para esterilização contra o Sars-CoV-2. Conforme a polícia, no dia 29 de fevereiro, Chico Rodrigues questiona um funcionário sobre a liberação do dinheiro. “Você adiantou o pgto da Gilce/18: serviços?”.

Para a PF, “tudo indica que o senador estaria cobrando o pagamento da empresa Haiplan Construções Comércio e Serviços Ltda tendo em vista que um dos sócios da empresa é Júlio Rodrigues Ferreira, marido de Gilce de Olliveira Pinto”.

“A forma com que o senador cobrava o pagamento indica que o parlamentar estaria atendendo não apenas aos interesses do estado, mas também aos seus próprios”, conclui a Polícia Federal no relatório.

Interferências

A defesa do senador alegou em nota que ele jamais interferiu de forma indevida, em prol de interesses privados nos contratos de Roraima. No entanto, as apurações mostram que Chico Rodrigues permitia que suas assessoras trabalhassem na empresa privada do filho, Pedro Rodrigues, que assumirá a vaga do pai no Senado.

Sobre isso, a PF escreveu que “a estrutura parlamentar do senador, o que inclui a atividade de suas assessoras Adriana e Cláudia, está sendo utilizada para a administração da empresa privada de seu filho Pedro, a San Sebastian, o que evidencia, no mínimo, desvio de função”.

Já a defesa do senador afirmou por meio de nota que as funcionárias exercem regularmente suas funções públicas, segundo portal G1.

Pepita de ouro

Outra informação que consta de relatório da PF ao STF é a de que na casa do senador Chico Rodrigues, houve apreensão de uma pedra que a polícia suspeita ser uma pepita de ouro. O material ainda será periciado.

Segundo a PF, o item foi recolhido porque na região existe um elevado número de garimpos ilegais. Além do suposto ouro, foi apreendido um revólver Taurus 38 Special, seis munições para a arma e duas caixas de munições para espingarda calibres 20 e 36.

O filho de Chico Rodrigues

No celular de Pedro Rodrigues, a Polícia Federal encontrou mensagens que evidenciam que ele integra um grupo de caçadores e atiradores. Aos investigadores ele afirmou que faz parte de um clube de tiro.

“Registre-se quanto à arma apreendida que, muito embora tenha o senador Chico Rodrigues afirmado ser ela de sua propriedade […], e na ocasião o senador relatou que seu filho nem de arma entendia, no celular de seu filho Pedro Rodrigues foi encontrado um grupo de whatsapp de atiradores de caça”.

Inicialmente, de acordo com relatório, ao ser questionado sobre as armas e munições, Chico havia dito que seriam do filho e logo depois mudou a versão.

*Com informações do G1.

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