Política & Justiça

Mandetta deixará ministério da Saúde "Isso cansa"

O ministro afirmou que está cansado devido às discordâncias de discurso no governo com o presidente durante a pandemia

diario da manha

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou em entrevista que deixará a pasta. Segundo ele, está exausto após dois meses de trabalho e devido as discordâncias de discurso no governo com o presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus.

O ministro afirmou que não se arrepende de ter entrado no governo Bolsonaro e que permaneceria no cargo até encontrarem alguém que assumisse o lugar, mas que não há possibilidade de continuar no governo. “São 60 dias nessa batalha. Isso cansa”, desabafou Mandetta.

Mandetta negou que planeja ir trabalhar com o governador Ronaldo Caiado em Goiás e evitou comentar sobre a nova linha de trabalho de combate à pandemia após sua saída do cargo. No entanto, ele acrescentou que tem um compromisso com o país.

Secretário se prepara para sair junto com Mandetta

Em uma coletiva de imprensa, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, justificou que não tem um motivo específico o pedido de demissão da pasta. Segundo ele, a ideia era se preparar para sair junto com o ministro Luiz Henrique Mandetta e o processo está sendo discutido há algumas semanas.

A respeito do discurso de tratamento da covid-19, o ministro afirmou que não recomenda o uso da cloroquina, medicamento que é defendido por Bolsonaro, pois corre risco de infarto. Mandetta declarou que, mesmo que a aplicação da medicação não seja proibida, deve avisar o paciente sobre os riscos de arritmia e infarto.

O ministro afirmou que a pasta está fornecendo estudos sobre o uso da cloroquina. No entanto, fora do hospital, o paciente corre maiores riscos de sofrer com efeitos colaterais. “Se o paciente está internado ali dentro, é controlado”, observou. Ele também criticou o “achismo” ao lidar com o assunto. Segundo o ministro, em ciência, é a pior evidência.

O isolamento social para evitar o coronavírus também gera divergências na relação entre Bolsonaro e Mandetta. O presidente defende o isolamento vertical, onde somente as pessoas do grupo de risco ficam em casa, o ministro já segue as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e apoia medidas de distanciamento social mais amplas.

Durante uma entrevista ao Fantástico no último domingo (12), o ministro cobrou uma fala única do governo. Segundo ele, o brasileiro não sabe se escuta o ministro da saúde ou o presidente da República. Mandetta alegou que a aglomeração de pessoas encostadas em filas de padarias e em supermercados é claramente errado.

Dias antes, o presidente saiu para cumprimentar os apoiadores em Brasília, contrariado as medidas de isolamento social no enfrentamento contra a pandemia. Em outra cena, ele ainda esfregou o nariz e deu a mão a uma mulher na sequência.

*Com informações do Uol

Comentários