Política & Justiça

PF investiga pessoas ligadas a Eunício Oliveira em Goiás

diario da manha
PF mobilizou cerca de 40 policiais para cumprir oito mandados de busca e apreensão em aliados do senador Eunício Oliveira, do MDB cearense(FOTO:DIVULGAÇÃO)

 

Polícia Federal deflagrou, ontem, a operação Tira­-Teima, que investiga pa­gamentos de vantagens indevidas por um grupo empresarial a políti­cos. A operação mira pessoas liga­das ao presidente do Senado, Eu­nício Oliveira (MDB-CE), embora o senador não seja alvo direto dos mandados. As informações foram divulgadas em primeira mão pelo jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo a matéria do Esta­dão, a PF mobilizou cerca de 40 policiais federais para cumprir oito mandados de busca e apreen­são autorizados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, relator dos proces­sos da Lava Jato na Corte.

Os mandados estão sendo cum­pridos em São Paulo, Goiânia e For­taleza e não há ordem de prisão. “A finalidade das medidas é o buscar documentos e outros elementos de aprofundamento da investigação, considerando a notícia de doações de campanha abalizadas através de contratos fictícios“, diz a PF em nota.

A operação foi deflagrada a partir da delação do ex-diretor da Hyper­marcas Nelson Mello. Em depoi­mento à PGR (Procuradoria-Geral da República), em junho de 2016, ele afirmou ter pago R$ 30 milhões através de lobistas propinas milio­nárias para senadores do MDB, en­tre eles o ex-presidente do Congres­so, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM).

Mello também disse que re­passou R$ 5 milhões a Eunício, para a campanha ao governo do Ceará por meio de contratos fic­tícios, em 2014. Na época, todos os citados negaram as acusações.

Em nota, a assessoria de im­prensa do senador Eunício Olivei­ra diz que ele não foi alvo da ope­ração. Em sua defesa, a assessoria do senador diz: “O senador Eunício Oliveira, por meio de sua assessoria, informa: Ele não foi alvo da Ope­ração Tira Teima. Tampouco pes­soas ou empresas ligadas a ele fo­ram alvo, ou sequer abordadas, na ação realizada na manhã de ontem .

FAZENDA

Eunício Oliveira é dono de um latifúndio de mais de 21 mil hec­tares, a Fazenda Santa Mônica, que ocupa terras nos municípios de Corumbá de Goiás, Abadiânia e Alexânia. A propriedade é alvo de vários conflitos com morado­res locais e já foi ocupada duas vezes pelo Movimento dos Tra­balhadores Sem Terra. Em agosto de 2014, de 3 mil famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhado­res Rurais Sem Terra (MST) ocu­param a fazenda.

O DM esteve no local á épo­ca. Num dos eventos realizados pelo MST, as famílias realizaram uma megapamonhada, com dez mil pamonhas feitas com o mi­lho que foi plantado pelas três mil famílias da ocupação. Segundo os coordsenadores do MST, a fa­zenda é “improdutiva” e destina­da à “especulação fundiária, em uma região onde o preço da terra tem se valorizado muito nos últi­mos anos”. O diretor-administra­tivo da Agropecuária Santa Môni­ca divulgou nota na qual informa que a invasão da fazenda “é um ato surpreendente por se tratar de uma área totalmente produtiva, implantada no Estado de Goiás há mais de 25 anos, localizada numa região sem conflitos agrários”.

RODOVIA

Recentemente o governo de Goiás inaugurou a pavimentação da estrada que dá acesso à Fazenda San­ta Mônica. Curiosamente o trecho dá acesso à fazenda do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), ganhou uma placa com o nome dele. As obras – que contemplam, além da GO-225, a GO 139 – cus­taram R$ 29,9 milhões e foram pa­gas com recursos da privatização da Celg. A sinalização foi trocada após questionamento do site “Buzzfeed”.

AGETOP

De acordo com o portal G1, a Agência Goiana de Transpor­te e Obras (Agetop) disse desco­nhecer que a obra tenha nome e negou ser responsável por con­feccionar, instalar ou autorizar a instalação da placa. Em nota, a as­sessoria da construtora EHL infor­mou que não confeccionou, instalou ou retirou a placa na rodovia com o nome de Eunício Lopes de Oliveira.

Já a assessoria do senador in­formou que “tal placa não existe. A Fazenda Santa Mônica, proprie­dade da família do senador Euní­cio de Oliveira, desconhece a exis­tência dessa placa. O assunto é estranho ao gabinete do senador”.

O trecho das obras tem 31 km de extensão e liga Corumbá de Goiás a Olhos D’Água, povoado de Alexâ­nia. A Fazenda Santa Mônica, que pertence ao senador, fica nas pro­ximidades. Antes, o acesso era so­mente por uma viela lateral de ter­ra. Agora, a portaria dela está acerca de 500 metros da rodovia. O trecho deve ser pavimentado em breve pelo político, segundo um funcio­nário. (Com informações do Estadão e dos portais Poder 360, G1 e DM).

 

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