Politica

Os impactos da eleição de Joe Biden para o Brasil

Durante seu debate, Biden propôs que países de todo mundo se reúnam para fornecer US$ 20 bilhões para a preservação da Amazônia e disse que o Brasil enfrentará “consequências econômicas significativas”

diario da manha

As eleições para definir o próximo presidente dos EUA, foi um dos momentos mais emocionantes em suas últimas horas de apuração. A disputa pelo o poder entre o Democrata Joe Biden e o Republicano Donald Trump, se tornou um dos assuntos mais comentados em todo mundo.

Por se tratar diretamente dos Estados Unidos, qualquer decisão trará impactos em outros países, e consequentemente o mercado mundial sofre as incertezas do que pode vir pela frente. Desde o começo da campanha até os minutos finais da apuração dos votos, muitas especulações, preocupações e incertezas começaram a surgir.

Mesmo em meio à pandemia do Coronavírus, este não deixa de ser um evento mais que especial para todo mundo. Apesar das expectativas e dúvidas sobre o que pode mudar em todo cenário econômico mundial, a vitória do democrata Joe Biden deve ter poucas implicações no curto prazo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, é o que avaliam especialistas em política.

Bolsonaro e Trump, partilham do mesmo posicionamento ideológico de direita, o conservadorismo nos costumes e o estilo populista e online de fazer política. Mas a gestão Bolsonaro defende que a aproximação de agendas dos países não é resultado apenas da simpatia mútua entre a dupla de políticos, mas o reconhecimento de que a relação até então morna com os americanos representava uma oportunidade desperdiçada de aumentar o fluxo de negócios bilaterais e a influência política brasileira na América Latina.

Apesar da popularidade do democrata Joe Biden, a corrida presidencial americana acumulou incertezas em seu processo, e o governo Bolsonaro já começa a reconhecer que os ventos não sopram a seu favor. Mas o que tem preocupado muitos investidores é o fato do democrata Biden ter uma linha ideológica bem diferente de Bolsonaro por ser de esquerda e defender pautas de meio ambiente e direitos humanos, por exemplo.

Durante seu debate, Biden propôs que países de todo mundo se reúnam para fornecer US$ 20 bilhões para a preservação da Amazônia e disse que o Brasil enfrentará “consequências econômicas significativas”, caso o país não pare a destruição, desmatamento da floresta.

Para Francisco Costa, jornalista, pós-graduado em marketing e comunicação e estudante de direito, ele não vê nenhuma grande mudança no governo Bolsonaro. Na sua opinião, o que pode acontecer é uma postura mais dedicada do presidente ao meio ambiente, já que o próprio Biden deu o alerta: ‘’ Reunir o mundo’’, se o Brasil não proteger a floresta Amazônica.

Costa ainda diz que, existe a chance das mudanças ambientais serem superficiais, mas, neste sentido, não fica do jeito que está. “Pode ser superficial, só para mostrar que algo está sendo feito”, destaca. A saída de Salles, inclusive, já vinha sendo ventilada desde antes das eleições, visto a possibilidade de vitória do Biden. De qualquer forma, a imagem do Brasil no exterior está “desgastada’’, ressalta Francisco.

Na visão de Francisco, inicialmente, o discurso de Bolsonaro deve ficar um pouco mais moderado. Inclusive, “ já vimos Bolsonaro dizer, na última sexta-feira (6), que Trump não é a pessoa mais importante do mundo”. E de fato, Bolsonaro tem estado um pouco mais moderado que no início da campanha – desde a criação do Ministério das Comunicações.

Atualmente, o Brasil já vem enfrentando grande pressão nesta questão envolvendo o meio ambiente, em especial da Europa, provavelmente acabaríamos vendo uma ampliação ainda maior desta pressão com Biden se unindo nessa pauta contra o Brasil.

Na opinião de David Maciel, professor da faculdade de história e do programa de pós graduação em história da UFG, para ele a vitória de Biden impacta o governo brasileiro de algumas maneiras, em sua visão, em primeiro lugar enfraquece a perspectiva trumpista dos setores mais vinculados ao Bolsonaro, os setores “bolsonaristas” ou seja, os chamados setores ideológicos.

“Isso vai implicar não só uma mudança no Ministério das Relações Exteriores, provavelmente Ernesto Araújo vai ser demitido, mas uma perspectiva mais pragmática não tão ideológica, claro a aliança com os EUA mas, uma perspectiva pragmática em relação a China, que é o nosso maior parceiro comercial”, destaca David.

Em um segundo ponto de vista, David diz que os militares devem avançar posições dentro do governo em relação ao setores bolsonaristas “raiz”. Ele também destaca que, com a liderança de Biden, o Brasil será pressionado na questão ambiental, inclusive o próprio Biden já deu diversas declarações contra a política ambiental brasileira, principalmente na Amazônia, e isso certamente irá impactar na composição do governo em favor do controle dos militares, particularmente do Mourão, presidente do Conselho da Amazônia.

De qualquer forma, haverá impactos consideráveis, e serão necessárias mudanças e adequações para que o Brasil não fique em uma constante incerteza no mercado econômico.

Nilton Antônio de Moraes, gestor público, advogado e líder político, acredita que é quase impossível Trump virar o jogo, e de acordo com ele “quando se muda uma administração pública a nível federal, o impacto é pesado”. Caso o Biden vença, terá um impacto mundial, porque trata da maior potência mundial. Nilton acredita que vamos consolidar a vitória do democrata Joe Biden.

É importante ressaltar que, com a reeleição de Donald Trump, hoje seria o melhor cenário para o Brasil, uma vez que representa a continuidade de uma linha ideológica. Assim, o Brasil continuaria com um forte aliado na diplomacia internacional.

Por outro lado, a vitória de Joe Biden, representa um revés para o presidente Jair Bolsonaro. Em vista que o Brasil terá uma provável manutenção da política econômica e acordos comerciais vantajosos para o interesse dos dois países. Porém, o Brasil será cada vez mais pressionado pela política ambiental.

Sem Donald Trump, o Brasil ficará fora dos fóruns internacionais, perdendo força política para desgastar o que o governo brasileiro chama de “agenda globalista “.

Comentários