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Divergências entre os ministros Salles e Ramos em meio a disputa por Ministério do Meio Ambiente

Apesar das movimentações ministeriais previstas para janeiro do ano que vem, Salles confirma a interlocutores que não tem planos de deixar o ministério

diario da manha

O ataque que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, direcionou nas redes sociais contra o general Luís Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo da Presidência, causou mobilização interna no Palácio do Planalto, para substituição de seu nome à frente do Ministério.

O gesto de Salles, que disse a Ramos que pare com sua “postura de Maria Fofoca”, ao comentar uma reportagem do jornal O Globo, foi visto como um rompimento, uma resposta a gestos silenciosos que, há meses ocorrem dentro da cúpula do governo. Salles tem informações de que Ramos atua para sua saída da pasta e resolveu revidar.

Um dos embates que mais incomodaram o titular da pasta do Meio Ambiente, foi o fato de Ramos ter atuado junto ao Ministério da Economia, para definir como deveriam ser feitas as imposições de limites de gastos para cada ministério que ocupa a Esplanada.

Ao debater a divisão do bolo financeiro do governo, Ramos atuou para que se priorizasse liberações para os ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional. Para o MMA, no entanto, a orientação dada foi no sentido de impor limites.

A atribuição legal de definir como o governo federal gasta e arrecada seus recursos financeiros é do Ministério da Economia. É dentro do Palácio do Planalto, porém, que tudo isso é filtrado, certamente, pela articulação política do governo, liderada pela Segov de Ramos.

O histórico de Salles

Na manhã desta sexta-feira (23), ao comentar as declarações do ministro do Meio Ambiente, o vice-presidente Hamilton Mourão não escondeu o total incômodo com a situação. Mourão, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia e passou a liderar a maior parte das ações de combate ao desmatamento na região, classificou como “péssimo” o que foi dito por Salles. Afirmou ainda acreditar no “arrependimento” de Salles.

Salles pode ter desagradado Mourão, mas acabou por amealhar diversas insatisfações sobre a atuação de Ramos, que há meses passou a nutrir fama de “vazador” de informações contra seus pares, daí o apelido de “Maria Fofoca”, escrito por Salles. A ala ideológica do governo Bolsonaro pesa contra o general, por ver nele um dos principais responsáveis pela aproximação do presidente com o chamado “Centrão” do Congresso Nacional.

O histórico de desagrados incluí pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ex-lider do governo na Câmara, o major Vitor Hugo (PSL-GO). No Ministério da Agricultura, nomeações para cargos indicados por Ramos também tem incomodando a ministra Tereza Cristina.

Segundo o site Terra, nesta sexta-feira (23), Salles passou toda manhã ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante a cerimônia em homenagem ao Dia do Aviador e da FAB, realizada em Brasília, para apresentação oficial do caça F-39 Gripen, desenvolvido em parceria pelo Brasil e Suécia. Em alguns momentos ambos os ministros estiveram lado a lado.

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