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POLÍTICA

Revolução de 1917 no calendário

  • Vladimir Ilich Ulianov e Liev Davidovich Bronstein deflagram a primeira experiência socialista
  • Stálin assume poder em 1924, exila Trotsky, cria Processos de Moscou, mata Kulaks e cria Gulags
  • Em edição de luxo, obtida com exclusividade, O Trabalho celebra o centenário da revolução

politicaLeon Trotsky, nascido em Yanovka, Ucrânia, toma o Palácio de Inverno, em São Petersburgo, Rússia, e instala a primeira República Socialista dos cinco continentes do planeta. Os bolcheviques, sob o comando de um advogado de cavanhaque indefectível e de linhagem marxista, Vladimir Ilich Ulianov, “codinome” Lênin,  deflagram uma revolução que, apesar de interrompida em 25 de dezembro de 1991, completa 100 anos na história dos tempos interessantes, como anotara Eric Hobsbawn, morto em 2012. Ela entrou para o calendário dos camaradas. O primeiro a sair, impresso em edição de luxo, é o da seção brasileira da Quarta Internacional, a corrente O Trabalho, que circula já no mês de dezembro de 2016, anunciando as comemorações e denúncias contra o stalinismo. O jornal Diário da Manhã o obteve com exclusividade e mostra, hoje, as imagens aos seus leitores.

A revolução russa teria inspirado levantes em países europeus, como Alemanha, e Hungria. Eles foram derrotados. Comunistas alemães, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram executados. Em 15 de janeiro de 1919. Em Budapeste, Bála Kun até chegou a instalar um poder popular, que acabou esmagado pela reação. Isolados no plano internacional, os bolcheviques enfrentaram a guerra civil. De 1918 a 1921. Leon Trotsky foi o chefe do Exército Vermelho. Os comunistas venceram, assinaram a paz de Brest-Litowski, para acabar e sair da Primeira Guerra Mundial, e anunciram a Nova Política Econômica [NEP]. Adoção de mecanismos da economia de mercado para reativar a destroçada sociedade soviética. Após levar um tiro de uma socialista revolucionária [SR], Fanny Kaplan, Lênin adoece e, aos poucos, perde o controle do Partido, do Estado e da sociedade que emergira da explosão de 7 de novembro, segundo o novo calendário. O velho marxista morre em janeiro de 1924. Trotsky não é avisado do funeral.

Um ex-seminarista, com espesso bigode e frágil formação teórica e cultural, já estava sentado à espera do golpe para ascender ao poder: o secretário-geral do Partido Comunista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O seu nome era Iossif Vissarionovitch Djugashvili, filho de um sapateiro alcóolatra e que nascera na Geórgia. Não custa lembrar: o secretário-geral controlava o PCURSS, que dominava o Estado, determinava as diretrizes táticas e estratégicas do Komintern, a Terceira Internacional Comunista. A central mundial da revolução proletária, fundada em 1919 e sob controle absoluto dos bolcheviques. Em tempo: os soviéticos impuseram os seus modelos de partido, centralismo, organização, métodos, revolução, Estado e sociedade a revolucionários de todo o mundo. Um espectro rondava a Europa: o do comunismo. Assim escrevera o barbudo alemão Karl Marx, em parceria com o industrial e “comunista da casaca” Friedrich Engels, que financiava as pesquisas do teórico socialista.

Josep Stálin expulsa Trotsky do PCURSS, em 1927, manda para o exílio o líder bolchevique em 1929, abre o processo de coletivização forçada, mata milhões de Kulaks, espalha a fome pela União Soviética, fabrica, em sua mente criminosa, de um psicopata e de um egocrata, os Processos de Moscou. A velha guarda, após o assassinato misterioso, em dezembro, de Serguei Kirov, seu rival, é liquidada. Torturas, fuzilamentos. Integram a relação Grigory Zinoviev, Lev Kamenev e até o brilhante Nikholai Bukharin, que morre em 1938. Os Gulags são criados: campos de trabalhos forçados, torturas, isolamento e assassinatos. Varlam Charlamov, maior escritor russo, como aponta Svetlana Aleksiévitch, prêmio Nobel de Literatura de 2015, viveu 17 anos em um deles. Os seus registros autobiográficos  ficaram às próximas gerações.  Agente da polícia política soviética, o catalão Ramón Mercader Del Río, filho de uma cubana, Caridad Mercader, executa, com um golpe de piolet (picareta), em 21 de agosto de 1940, em Coyoacán, México, o velho revolucionário Leon Trótsky, então com 60 anos de idade.

Stálin morre em 5 março de 1953. Nikita Kruschev denuncia os crimes do suposto Guia Genial dos Povos, em fevereiro de 1956, durante o XX Congresso do PCURSS. Um comunista no Brasil chorou: Carlos Marighella, carbonário baiano, filho de um italiano com uma negra da etnia Haussá. Kruschev é deposto em um golpe de Estado, em 1964. Leonid Brejnev assume o poder total e morre em 1982. Iuri Andropov fica reduzido tempo no poder e também morre, em 1984. Konstantin Tchernenko ascende ao poder. Morre tempos depois, em 10 de março de 1985. Reformista moderado, Mikhail Gorbatchev é o novo secretário-geral do PCURSS e lança a Glasnost e a Perestroika. O Muro de Berlim cai em 9 de novembro de 1989. A Revolução de Veludo ocorre na Tchecoslováquia. Nicolau Ceausescu é fuzilado na Romênia. Um golpe da linha dura na combalida União Soviética, em agosto de 1991, fracassa. Emerge o fanfarrão e alcóolatra Boris Ieltsin, um neoliberal. A URSS deixa de existir em 25 de dezembro de 1991. Cai, do mastro, no Kremlin, a bandeira da foice e do martelo. Tremula a da Rússia, cujas cores são o branco, o azul e o vermelho. Em 2017, o presidente Vladimir Putin seria um novo czar?

- Tempos sombrios pela frente!

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