Opinião

Bichinhos falantes

Pouco tempo depois, lá vem o exemplo dos “bichinhos falantes” e aqueles que assumiram o poder começam a mudar de opinião, perseguindo pessoas, grupos políticos, matrizes religiosas Até quando veremos homens tratando com indiferença e menosprezo as mulheres

diario da manha

O escritor inglês George Orwell escreveu em 1945 o livro A Revolução dos Bichos, apelidado por mim carinhosamente de “bichinhos falantes”. Nesta obra sátira, Orwell, um socialista admirador de Carl Marx nos mostra como o poder pode consumir os desejos de um povo, mudando de rumo seu líder e se tornando iguais aos líderes que tanto lhes causava desgosto.

Era o fim da segunda Guerra Mundial, a Europa presenciava inúmeros líderes autoritários, perseguindo pessoas devido a sua nacionalidade, cor, raça ou simplesmente por não concordar com seu ideal político. Hitler, Mussolini, Stalin, Josef Tito foram exemplos desses líderes. O livro tentava demonstrar como esses governos autoritários, podiam manipular sua população, perseguindo aqueles que se mostravam contra seus ideais.

Em 1951 a filósofa alemã Hanna Arendt publica a Origem do Totalitarismo. O livro trata, mesmo que de outra forma, do mesmo tema de George Orwell. Como um governo pode simplesmente se tornar autoritário, levando uma nação a odiar um povo (judeu) como se supérfluos fossem, era a alienação de um mundo comum.

Eichmann em Jerusalém, de Hanna Arendt, retrata o julgamento de um ex-militar alemão durante o período do holocausto. No julgamento, Eichmann alegava que era um cidadão do bem, cumpridor de ordens, agindo exclusivamente dentro da lei, e se ele não as cumprisse, outros a cumpririam.

Essas ordens eram simplesmente enviar milhares de judeus para os campos de concentração, onde fatalmente seriam mortos. Eichmann alegava que nunca matou ninguém e que não sabia o que acontecia nos campos de concentração. Trata-se da aversão moral dos militares alemães do holocausto. Mais importante que a vida de um judeu, era cumprir ordem, independente da finalidade da mesma.

Passados mais de 70 anos, será que ainda estamos nos anos 1940/1950? Por todo o lado vemos pessoas alegando “estava apenas cumprindo ordem”. Até que ponto devemos fazer tudo aquilo que nos mandam fazer sem nos preocuparmos com as consequências. Não se trata de desobediência civil, que fique claro, mas de questionarmos se aquela lei deveria ou não ser colocada prática.

O poder

Vimos, em todos os continentes, governantes eleitos democraticamente e outros nem tanto, prometerem mudança para a população, com mais respeito, mais dignidade. Pouco tempo depois, lá vem o exemplo dos “bichinhos falantes” e aqueles que assumiram o poder começam a mudar de opinião, perseguindo pessoas, grupos políticos, matrizes religiosas
Até quando veremos homens tratando com indiferença e menosprezo as mulheres.

Em uma certa CPI em andamento, quando um Senador altera a voz ele é eloquente, firme, incisivo. Quando a senadora expõe com firmeza sua opinião vem logo um outro e diz: “não precisa se alterar, perder a calma excelência.” Não seria um machismo velado?

Até quando veremos filhos sendo discriminados e espancados por pais devido a sua opção sexual? Até quando ouviremos que “fulana é gente boa, mas é lésbica. O Ciclano é inteligente, só que é gay”.

Governos autoritários, geram atitudes autoritárias e excludentes. Sejamos mais complacentes com o próximo, sem nos preocuparmos com sua orientação política, religiosa ou sexual.

Por: Lenismar Cabral de Oliveira, graduado em Gestão Executiva de Negócios, acadêmico do 4º período direito da UNI ARAGUAIA.

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