Opinião

A melhor de todas as saídas

Ângelo Cavalcante ,Especial para Opinião Pública

diario da manha

 

Os mais endireitados, convencidos e conformados já sairão, como sempre, com essa: “De novo, esse esquerdista!” É o previsível, esperado e historicamente confessado mas, o mais tolo dentre todos nós, já identificou que nunca houve um tempo em que o debate de classe foi tão necessário, urgente e premente.

O caos e a torpeza reacionária que tomou conta da vida nacional só podem ser superados com a retomada das lutas políticas por parte dos milhões de trabalhadores do Brasil, operando na superação da alienação e em favor da republicanização do poder a fim de erradicar ao nível da raiz toda forma de privilegio injusto e descabido que toma conta da vida nacional.

Não será o Estado brasileiro, outrora laico, que dará conta desse desafio épico, muito menos as catedrais fortificadas do judiciário nacional e tampouco os patéticos mundos de abaixo-assinados e que apenas empanturram os almoxarifados da Câmara Federal. A saída é a tomada das ruas só que desta vez com mais número, envolvimento e energia ao nível de refundar o país e suas instituições.

Em 2013 ensaiou-se essa possibilidade, mas faltou coordenação, liderança e objetivo definido, sobretudo em condições de envolver e tornar o povo, de longe, os mais interessados em mudanças reais e profundas, atuantes nesse processo. De fato, essa de movimento “sem partido” mostrou ser a maior furada. Sinceramente nunca vi mudança pra valer sem as organizações partidárias! Se alguém souber, por favor, e obséquio, que me avise! Não há! Partidos são importantes, centrais e definidores e no caso brasileiro, é importante avançarmos na organização partidária rumo a construção de plataformas comuns e possíveis.

Movimento político e partidário sério e progressista é aquele que sai de si, que dialoga com os outros do mesmo campo político, que troca impressões, caracteres, que ensina e aprende em direção da socialização do poder e das rendas nacionais. É o objetivo da luta política e não dá pra tergiversar dessa determinação histórica ou então…

…Ou então seguiremos com as micagens e pastelões de tipos canastrões como Aécio Neves, Aloysio Nunes, Ronaldo Caiado e Agripino Maia como “players” políticos da vida nacional. Digam-me: Pode haver algo mais decadente e depressivo para um país de possibilidades políticas como o Brasil? Penso que não!

É nesse sentido que a luta de classes deve ser intensificada nesse momento histórico para que se alterem os rumos da política econômica, para que se redirecione os rumos dos partidos e das políticas e para que, enfim, reformas estruturais de fato e plenamente aconteçam no Brasil.

 

(Ângelo Cavalcante, economista, cientista político)

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