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Doméstica que trabalhava para AFIPE teve conta aberta em seu nome

No dia da abertura estava acompanhada por Rouane Carolina Azevedo Martins, pessoa de confiança de Pe. Robson.

diario da manha

Celestina Celis Bueno, trabalhava na secretaria da basílica desde 2004. E informou que emprestou seu nome para que conta fosse aberta. Segundo o que contou, ela nunca movimentou essa conta e nem mesmo a senha sabia, também não tinha conhecimento de quem a movimentava, chegou ir ao banco cerca de três ou quatro vezes. No dia da abertura estava acompanhada por Rouane Carolina Azevedo Martins, pessoa de confiança de Pe. Robson, outras vezes o advogado da Afipe Anderson Reiner acompanhava ela até o banco.

O termo de interrogatório de Celestina ela diz que segundo o que foi informado a ela, além da conta em seu nome, algumas empresas de comunicação também seriam colocadas, já que segundo o que foi passado a ela, não poderiam estar veiculadas no CNPJ da AFIPE. Em todo o tempo que a conta esteve ativa, ela disse que jamais recebeu senha, cartões ou até mesmo correspondências em sua casa. Havia também cheques assinados em seu nome, que na ocasião ela diz não lembrar se assinou em branco ou já preenchido. Também desconhecia o fato de haver imóveis em seu nome.

Em suma, de acordo com seu depoimento, dá a entender que ela desconhecia todo esquema que era feito em seu nome pela direção da AFIPE, tão pouco sabia de saques no valor de 4 milhões feitos em empresas registradas em seu nome. Segundo o que ela informou tudo estava sendo feito sem comunicá-la e diz estar surpresa com todas descobertas.

Confira na íntegra o termo de interrogatório de Celestina Celes Bueno abaixo:

“que atualmente trabalha com venda de roupa, é cozinheira e faz salgados/quitanda; que nos últimos 10 (dez) anos trabalhou no Santuário de Trindade, nos anos de 2005 a 2007; que já trabalhou também com faxina, passava roupas e outros trabalhos para complementação de renda; que atualmente mora com 02 (dois) filhos e 01 (um) neto; que tem outro filho que mora na Bolívia, que estuda lá; que esse seu filho faz um curso de Medicina lá, mora com um companheiro e eles têm um salão; que a família da interrogada sempre a ajudou financeiramente; que em 1998 o seu filho fazia formação para entrar no Seminário; que, nessa época, PADRE ROBSON, que ainda não era PADRE, estava prestes a receber as ordens e ROBSON era quem faria o Seminário, oportunidade em que a interrogada ficou amiga do PADRE ROBSON; que nessa época, no ano de 2004, quando a interrogada divorciou de seu marido, teve uma crise de depressão muito forte e quem estendeu a mão à interrogada foi o PADRE ROBSON; que o PADRE ROBSON orientou a interrogada e a ajudou, à época; que o PADRE ROBSON chamou a interrogada para trabalhar na Secretaria da Basílica; que um dia, o PADRE ROBSON chamou a interrogada para conversar e pediu para usar seu nome no quadro societário de uma rádio, porque em razão das leis de comunicação, a AFIPE não poderia ter tais empresas vinculadas aos seus CNPJs; que não sabia que tinha RÁDIOS em seu nome, que imaginava que era apenas 01 (uma) rádio; que ROUANE pediu para a interrogada abrir uma conta bancária; que não sabe quem movimentava essa conta aberta em seu nome; que nunca recebeu extrato, correspondência e cartão da referida conta; que nunca fez nem senha bancária e outros serviços relacionados à conta; que deve ter ido ao banco 03 (três) ou 04 (quatro) vezes; que a única correspondência que recebeu do banco foi de encerramento de conta; que abriu a conta com a ROUANE e que em outras vezes foi com o DR. ANDERSON REINER ao banco; que a interrogada cedeu seu nome e não sabia o que estava acontecendo; que foi ao banco com ROUANE e ANDERSON cerca de 02 (duas) vezes com cada; que, retomando, antes desses acontecimentos, quando o PADRE ROBSON conversou com a interrogada sobre a rádio, ela assinou alguns papeis em branco; que o PADRE ROBSON disse que usaria seu nome por causa das leis de comunicação, mas que depois as empresas sairiam do seu nome e voltariam para a AFIPE; que no ano passado assinou um documento para ANDERSON resolver tudo e tirar o seu nome da rádio; que acredita que a RÁDIO era a REDE DEMAIS; que mostrada cópia de um cheque (Banco Bradesco, n. 000259), a interrogada confirmou ser sua a assinatura apostada no cheque; que nunca assinou cheque preenchido,- que não se recorda se assinava cheques em branco ou preenchidos; que não conhece JOAQUIM DEBS, JAMIL MORUÉ e JAILDO AGUIAR; que desconhece compra de casa localizada no setor Morada do Sol em seu nome; que a chácara Barro Preto pertence à AFIPE, mas que não sabe há quanto tempo foi comprada; que começou uma reforma na chácara ano passado e o PADRE pediu à interrogada para auxiliar/acompanhar os pedreiros da obra; que é uma chácara para lazer dos padres e que não mora ninguém lá; que nunca fez plano de previdência privada; que não tem conhecimento de ANDERSON ser beneficiário de plano de previdência privada no nome da interrogada; que não tinha conhecimento da REDE AUTONOMISTA, tampouco que foi sócia de tal empresa; que não tem conhecimento de retirada de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) da REDE AUTONOMISTA ; que nunca fez saque da conta bancária em seu nome; que não conhece JOSÉ PEREIRA CÉSAR, mas sabe que ele é quem fazia o Imposto de Renda da interrogada; que ROUANE e ANDERSON pediam para a interrogada assinar documentos e ela assinava sem questionar, sem ler e sem ter conhecimento acerca dos documentos, porque confiava em PADRE ROBSON; que não tem conhecimento de empréstimo a ANDERSON; que quando ANDERSON foi tirar a interrogada das rádios, a interrogada “passou” procuração para ele; que conhece GLEYSSON CABRINY apenas como vice-prefeito, mas que não tinha contato com ele; que não conhece ONIVALDO JUNIOR; que não conhece UNIESTE e REAL CAFEL NDIA; que não sabe se foi procuradora dessas pessoas físicas e jurídicas; que conhecia um EDSON COSTA que era padre; que desconhece que EDSON COSTA tinha procuração com a interrogada; que o EDSON que conhecia era administrador da Basílica; que nesse contexto apresentado, nunca teve acesso às quantias apresentadas e questionadas; que não recebeu valor algum para emprestar o seu nome; que emprestou seu nome pela amizade com o PADRE ROBSON; que não tinha conhecimento de que fazia parte do quadro societário da RÁDIO PRIMAVERA e SISTEMA ALPHA; que tomou conhecimento pelas reportagens do programa Fantástico e pelos advogados; que desconhece as negociações/tratativas relacionadas às rádios de que fazia parte dos quadros societários; que afirma não ter condições de ter um plano de saúde, tampouco avião e outros bens citados/relacionados na investigação; que não sabe o motivo do depósito efetuado da conta da interrogada para JAMIL MORUÉ; que não sabe se os CABRINY têm negócio com ANDERSON; que não conhece ADEMA REUCLIDES, MARCOS ANTONIO ALBERTI e que não sabe de negociações com eles; que sabe que várias coisas foram vendidas para a compra da TV; que não conhece DOUGLAS DOS REIS; que não se recorda quando e quantas vezes assinou documentos para o PADRE ROBSON, ROUANE e ANDERSON que eram as pessoas responsáveis pelas documentações; que o PADRE ROBSON tinha ciência de todas as vezes que ROUANE e ANDERSON iam ao encontro da interrogada; que foi suplente/conselheira fiscal da AFIPE; que acredita que foi conselheira no ano de 2007; que acredita que voltou a estudar no ano de 2004; que conhece GUSTAVO NACIFF; que GUSTAVO trabalha na AFIPE; que conhecia TAYRONE e TALITA, funcionários da AFIPE; que nunca recebeu herança. Dada a palavra aos advogados, pediram para a interrogada explicar os fatos relacionadas à sua casa/residência, ao que ela relatou: que em 1997 comprou uma casa financiada com seu marido, onde ela reside até hoje; que a interrogada e seu marido fizeram uma pequena reforma lá, à época da compra do imóvel; que no ano de 2013 pediu um empréstimo para manutenção da casa e fez uma nova reforma; que a casa está em nome dos filhos da interrogada; que ficou incomodada com o fato de que a imprensa tratou da sua casa como se ela tivesse sido adquirida com valores relacionados à AFIPE; que na segunda reforma utilizou as verbas rescisórias, a família da interrogada também a ajudou e com os valores advindos de seus trabalhos como autônoma; que ficou e está muito triste com essas colocações; que trabalhou nas romarias e festas do Divino Pai Eterno.”

Fonte: Mais Goiás

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