Internacional

Transfobia declarada no Panamá

Coronavírus: o sofrimento da comunidade trans com lockdown por gênero no Panamá

diario da manha
Foto: Reprodução

A rigidez da quarentena contra a Sars-CoV-2 no Panamá é extremamente fiscalizada. O sistema imposto pelo país permite que homens saiam às ruas em revezamento com as mulheres. Mas essa imposição tem sido usada por pessoas para atacar membros da comunidade trans.

Segundo o relato da transexual Mônica durante o lockdown imposto por causa da pandemia do coronavírus, ela fez refeições elaboradas para se distrair durante as longas horas dentro de casa. Em uma quarta-feira do mês passado, quis modificar o cardápio e precisou sair para comprar os ingredientes.

No percurso, passou por um grupo de mulheres, algumas delas de braços dados com os filhos. Fazia mais silêncio que o habitual no bairro, pois o governo havia decretado que as mulheres deixassem suas casas para comprar ítens necessários às segunda, quarta e sexta-feiras, e homens as terças, quintas e sábados. Aos domingos todos têm que ficar em casa.

Mônica entrou no mercado e o ambiente mudou. O proprietário se aproximou silenciosamente e disse: “nós não podemos atendê-lo, Mônica”, disse ele. “A polícia disse que só podemos servir mulheres hoje. Eles disseram: Não aos maricónes”, o termo transfóbico (em espanhol, “maricon” é pejorativo, como “marica”) e fez Mônica estremecer, mas, ao mesmo tempo não foi uma total surpresa. A polícia de seu bairro já a havia atacado por ser uma mulher trans.

Pressão da polícia

Na loja da esquina, o proprietário se desculpou e explicou a Mônica que não era seu desejo mandá-la embora. O aviso viera diretamente da polícia. Embora o trabalho sexual seja legal no Panamá, isso não significa que não haja estigma, e Mônica diz que a polícia do bairro a insulta há anos, passando em suas motos, gritando palavras homofóbicas e transfóbicas enquanto ela saí para o trabalho. Aos 38 anos, ela já aguenta isso há 24 anos.

“Muitas pessoas trans trabalham como profissionais do sexo aqui na cidade”, diz Mônica. “É a nossa primeira opção? Não, mas é estável e significa que posso cuidar da minha família”. Desde o início do bloqueio, porém, o trabalho parou e o dinheiro está cada vez mais apertado.

Ela decidiu, então sair no dia seguinte, o dia do seu sexo biológico

Mas desta vez, sua experiência foi ainda pior. Ela decidiu ir a um supermercado. De acordo com as regras de bloqueio do Panamá, cada pessoa é autorizada a sair três dias por semana, mas somente por duas horas, dependendo do número do seu documento de identificação.

Mônica ficou muito tempo na longa fila, e seis policiais se aproximaram, apontando só para ela na longa fila. “Eles disseram que agora eu estava fora do meu prazo”, diz ela. “Eles começaram a fazer uma revista. Um deles apertou meus seios na busca e disse rindo: você não é uma mulher” e repetiu uma ofensa transfóbica. Segundo Mônica: “eu não sei o que fazer. Quando eu posso sair? “Não estou tentando enganar ninguém. Só quero poder cuidar da minha família”.

*Com informações do G1

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