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Rock goiano perde um dos seus fundadores, Almir, do Língua Solta

Músico lendário do Língua Solta influenciou o rock brasileiro, revelando artistas do cenário regional e nacional

diario da manha

Morreu a alegria e origem do rock goiano no início da tarde desta sexta-feira, 19: Almir Moreira, o “Almirante”, o maior militante do rock and roll em Goiás, morreu e deixa um legado incomensurável de rebeldia, discos e shows que trouxeram sempre a bandeira do Língua Solta, uma das bandas mais longevas do rock nacional.

Complicações no momento em que colocava um stent no coração levaram o compositor a óbito. A cerimônia de despedida de Almir ocorrerá no cemitério Santana, às 11h, no sábado.

O velório está marcado para acontecer na manhã deste sábado, na funerária São Paulo, avenida T-10, no setor Bueno.

Passaram pelo Língua 137 músicos. Dentre eles, o astro pop adolescente dos anos 80, Leo Jayme, o baterista Moka, saxofonista Morgado, o baixista Afonsinho e uma corrente de artistas da noite goiana.

O vocalista e letrista Delciony Magalhães, também fundador da banda, morreu em novembro do ano passado.  

Primeiro compacto da banda, gravado no Rio

O fato por si só abalou Almir, já que os dois seguiram como parceiros a maior parte do tempo de suas vidas.

A comunidade rocker aprendeu a gostar de música com Almirante e sua turma, que por 48 anos manteve o Língua Solta com muito power chords e uma batida pesada na bateria.

A banda surgiu no “Comunicasom”, evento amplo e juvenil realizado no antigo “Cine Teatro Goiânia”, com secundaristas e colegiais, em 1974.

Em 1984, a Língua Solta lançou um compacto no Rio de Janeiro, com o mesmo nome do grupo. Produzido por Durval Ferreira e Tibério Gaspar, com apoio da Black Rio, o disco serviu para mostrar a banda como a pioneira no rock autoral goiano. Antes do Língua existiram outros conjuntos, mas sem o compromisso e efetivação de conteúdo próprio.

O grupo sempre esteve nos palcos com uma energia de igual para igual com pioneiros como Casa das Máquinas, Golpe de Estado, Mutantes, Tutti Frutti e até os mais “jovens” do Barão Vermelho.

‘Almirante’ costumava elogiar as novas gerações, sempre de bem com a vida, com a missão de passar uma mensagem positiva aos que se dedicavam ao rock and roll. Era um ‘analogic influencer’, já que colocava LPs e instrumentos nas mãos dos mais jovens, só para tê-los em sua companhia e, assim, produzir e falar de rock.

A pegada de Almir na guitarra sempre foi mais “bluesy”, ao estilo de Keith Richards, apesar de adotar desde os anos 1980 uma linguagem absolutamente própria com licks menos manjados. Seus ‘bends’ eram milimétricos.

O grupo esteve presente nos grandes e inovadores palcos do rock nacional, caso do “Circo Voador”, que serviu de base para o Paralamas do Sucesso e Barão, nos anos 80, e Universo Paralelo, na Bahia.

Almirante com amigos do rock and roll Goiano Sidney e Aesse: músico escrevia letras irônicas e bem humoradas

No ano passado, o grupo se apresentou na última edição do “Universo Paralelo”, evento transmidiático, transmusical, com bandas e artistas como Mutantes, DJ Alok e até os punks goianos do Exame de Fezes (EXDF).

Ulisses Aesse, cantor do EXDF, lembra de Almir na Bahia, pouco antes da pandemia de coronavírus: “Um músico extremamente do bem, nosso amigo de sempre. Já tocamos em festas de seu aniversário e de eventos da Língua. E ele sempre amigo de todos, muito humilde”, diz.

Língua Solta em uma de suas últimas formações: Almir ao fundo com a guitarra preta

Marcelo Mota, da banda A Coisa, diz que Almir sempre foi um líder do rock regional, responsável por unir a juventude. “Ele tinha um carisma único. Era o fundador disso tudo que chamamos de rock”.

Afonso Moreno, companheiro da cena rocker que já tocou na Língua Solta, enxergava nele um exemplo de irreverência e ao mesmo tempo bondade. “Está difícil aceitar isso”.

 

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