Eleições 2020

Caiado leva Vanderlan e Wilder no Paço para encontro com Iris

Governador de Goiás aproxima Vanderlan e Wilder do prefeito de Goiânia, que não disputará as eleições em novembro. Grupo já tem neutralidade do gestor

diario da manha

A disputa eleitoral em Goiânia ganhou nesta quarta-feira, 16, um fato para lá referencial: o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o ex-senador Wilder Morais (PSL) se encontraram com o prefeito Iris Rezende no Paço Municipal.

Acompanhado do governador Ronaldo Caiado, a dupla que pretende pleitear a Prefeitura de Goiânia foi respeitosa e elogiou o prefeito que anunciou interesse em se aposentar após o fim do mandato.  Na reunião, Iris deu sinais evidentes de neutralidade: quer só terminar as obras.

O grupo de visitantes teve ainda a presença de Simeyzon Silveira, presidente municipal do PSD, e o senador Luiz do Carmo (MDB), que apoiará Vanderlan e não Maguito Vilela.

Ronaldo Caiado agradeceu a parceria que tem realizado com o prefeito. Ressaltou a importância de Iris Rezende na vida pública de Goiás e do Brasil: “A boa política perde com a aposentadoria de Iris Rezende. É um exemplo para todos nós de como se deve comportar na vida pública”.

Por sua vez, o senador Vanderlan Cardoso disse que Iris Rezende transcende ao seu partido. É um “conselheiro político” de todos. Para Vanderlan, a trajetória na vida pública já basta: prefeito quatro vezes de Goiânia, governador duas vezes e ministro de Estado (Agricultura e Justiça) duas vezes. E mais: senador, deputado estadual e vereador na capital.

No encontro protocolar, Iris Rezende agradeceu o governador pelas parcerias que estão em desenvolvimento no município. Sublinhou as dificuldades enfrentadas e deu testemunho de fé de que as coisas melhoram quando se tem vocação para o trabalho.

A conversa, que durou quase uma hora, foi testemunhada pelo secretariado de Iris Rezende. Até aqui é o que se espera de um encontro solene. Afinal, ao longo dos anos Caiado aprendeu a valorizar ainda mais Iris, já que percebeu que o grupo político antagonista aos dois, capitaneado pelos tucanos, se desdobrou para tentar destruir o legado do líder emedebista. O atual governador passou pelos mesmos procedimentos tentados contra Iris, como assédio partidário, cooptação de aliados e acordos escondidos e espúrios. Em 2014, avalizado por Iris, Caiado foi eleito senador e se jogou na campanha do líder. Tornou-se seu embaixador onde quer que vá.  

Hoje, fortalecidos e mais vivos do que nunca, os dois celebram a vizinhança. O encontro de ontem no paço é histórico exatamente por isso: consolida a parceria dos dois líderes. E firma um pacto de possível neutralidade.

Nas entrelinhas, significa que o MDB pode não ter o Iris que deseja na disputa de novembro. Ao reconhecer a liderança do prefeito, tanto Vanderlan quanto Wilder – além de Maguito – se firmam como seguidores de sua tradição política. Ocorre que um movimento do líder pode originar milhares de votos.

Iris já não compareceu na convenção que definiu Maguito Vilela (MDB) como candidato ao comando do Paço.

Sob o que se determinou como irismo, resta agora interpretar sinais do que fazer até as eleições. Corrente majoritária em números no MDB goiano, os iristas ocupam espaços através de um modelo de composição política nacional por pressão e ocupação das ruas.

Com dois “herdeiros” e a reverência maior de Ronaldo Caiado, Iris pode seguir por quatro camadas de produção política durante as eleições: 1) Manter-se neutro, 2) Apoiar Maguito Vilela, 3) Declarar apoio a Maguito, mas seguir seu trabalho focado na Prefeitura, e  4) Apoiar Vanderlan Cardoso e Wilder Morais.  

Nenhuma das hipóteses é impossível se considerar os bastidores e histórico dos envolvidos. No momento, o prefeito decretou a neutralidade, que pode custar caro para Maguito nas próximas semanas.

Contrariedades

Mesmo como líder maior dentro do MDB, Iris sofreu contrariedades, como quando viu o partido organizar estratégias que prejudicaram Dona Iris a retornar para a Câmara Federal, onde desempenhou com desenvoltura mandato de deputada, ou quando observou até não aguentar mais dirigentes do MDB negociando o partido com Júnior Friboi (considerado um forasteiro na legenda).

Há pouco mais de um ano, Iris pediu perdão para que o MDB não perdesse quadros históricos como Adib Elias, prefeito de Catalão, em um processo de expulsão sumário. Sem a hegemonia do partido, a carta foi ignorada. Mas entrou para a história.   

O vilelismo, todavia, tenta retomar o protagonismo no “coração do irismo”. Na convenção do MDB, por exemplo, Maguito reafirmou que lutará para ser o continuador do “maior emedebista de Goiás”. “Somos nós que temos legitimidade de defender o legado de Iris Rezende”, disse na terça-feira, 15. A disputa por corações e mentes só está começando.

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