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DM Entrevista: Bárbara Penna, uma sobrevivente da violência contra a mulher

Feminista, Bárbara Penna contou um pouco de sua história e relatou seus pensamentos, conselhos e opiniões sobre a violência contra a mulher

diario da manha
Foto: CAROLINE BICOCCHI/HUFFPOST BRASIL

O DM Entrevista entrevistou nesta quinta-feira (29/8) nos estúdios do DMTV, a palestrante Bárbara Penna, de 25 anos, vítima da violência doméstica e sobrevivente da tentativa de feminicídio cometida pelo ex-companheiro João Guatimozin Moojen Neto. Ativista do feminismo, contou um pouco de sua história e relatou seus pensamentos, conselhos e opiniões sobre a violência sofrida por ela e por milhares de mulheres em todo o Brasil.

A história de Bárbara é triste, mas ao mesmo tempo inspiradora. Em novembro de 2013, ela foi acordada no meio da noite sendo espancada pelo ex-companheiro que logo após jogou álcool no corpo dela, ateou fogo e a arremessou do 3° andar do prédio onde morava em Porto Alegre.

João Guatimozin ainda queimou o apartamento, fazendo três vítimas. A menina Isadora de 2 anos, o menino João Henrique de 4 meses (filho do casal) e o vizinho de andar Mario Ênio Pagliarini, de 76 anos, que tentou salvar a família e também morreu asfixiado. Bárbara ficou quatro meses no hospital, sobreviveu a três paradas cardíacas, múltiplas fraturas, coma de 38 dias e mais de 220 cirurgias. Acima de tudo, sobreviveu à maior das perdas, seus dois filhos.

Porém depois de todo o ocorrido, ela não pensou em desistir da luta contra a violência doméstica. A sobrevivente vai ministrar a palestra “Um sorriso a cada luta”, amanhã, dia 30 de agosto, no auditório do Ministério Público de Goiás. A palestra dela será uma das atividades do “Seminário de 13 anos da Lei Maria da Penha – Relatos de Vida: A volta por cima após situações de violência”. O evento marca a data da sanção da Lei Maria da Penha.

A ativista diz que sua vida mudou totalmente depois do dia 7 de novembro de 2013. Tanto o pessoal, quanto o profissional e o psicológico. “Eu carrego traumas e dores que eu tenho que me adaptar conforme o tempo vai passando. Mesmo com tudo, eu tento enxergar o lado bom das coisas, me inspirando nas histórias de outras mulheres que também passaram por isso e conversando com pessoas que eu posso ajudar, acaba sendo uma troca”, disse a sobrevivente.

Perguntada sobre o que diria à mulheres que sofrem com a violência doméstica dentro da própria casa e acabam não denunciando o crime, Bárbara manda o recado. “É preciso entender primeiro o relacionamento que elas tem, coragem para tomar uma atitude, procurar ajuda em Centros de Referência ou em Delegacias da Mulher. Se nada adiantar, que elas relatem na internet, compartilhe com outras pessoas, o que não pode ser aceito é que elas pensem que merecem esse tipo de relacionamento, pois não merecem”, explica Bárbara.

O Brasil ocupa o 5° lugar do ranking mundial de violência contra a mulher e segundo a palestrante Bárbara Penna, só vamos conseguir mudar esses dados no dia que o país tiver leis mais severas contra esses agressores. Aliados à isso, as mulheres precisam se sentir mais seguras para denunciar o crime e os homens tomarem consciência de quais são os limites dentro de uma relação.

Bárbara Penna palestrará em Seminário de 13 anos da Lei Maria da Penha

A sobrevivente Bárbara Penna vai palestrar no “Seminário de 13 anos da Lei Maria da Penha – Relatos de Vida: A volta por cima após situações de violência”. O evento é gratuito, a partir das 8h da manhã e as inscrições podem ser feitas pelo site do Ministério Público ou na hora da entrada.

A representante da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Ana Carolina de Souza, contou que trabalha com muitos projetos de capacitação e qualificação profissional das mulheres através do Centro de Referência. Além de orientação jurídica e atendimentos psicológico, a mulher encontra projetos de conscientização e orientação para elas compreenderem melhor os tipos de relacionamento, quando chega a ser abusivo ou não.

“As mulheres que sofrem desse crime, precisam saber quais os órgãos públicos ela podem procurar, que estão ali para defendê-las e lutando pelos seus direitos”, afirmou a secretária.

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