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Anfavea prevê produção de veículos crescer 7,3% em 2020

Apesar do Coronavírus, entidade projeta para o ano 3,160 milhões de unidades.

diario da manha

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) projeta crescimento de 7,3% na produção de veículos leves e pesados no Brasil em 2020. Desta forma, a indústria automotiva deve fechar o ano com 3,160  milhões de unidades, contra 2,948 milhões da produção registrada no ano passado.

Do total da produção esperada para 2020, 3 milhões são de veículos leves e 160 mil de pesados. Por sua vez, as vendas nos dois segmentos devem fechar o ano com um crescimento de 9,4%.

Produção de 2019

Em 2019, a indústria automotiva brasileira produziu 2,945 veículos num cenário de crescimento. No período, não houve a ocorrência de turbulências que impactassem de forma tão grave na economia mundial como ocorre agora com o Coronavírus (Covid-19).

Os números foram apresentados pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, durante encontro com jornalistas automotivos e de economia, na semana passada em Brasília.

Anfavea: Otimismo no crescimento da produção, apesar do Coronavírus

Luiz Carlos se mostra otimista na projeção de crescimento da indústria para este ano. Isto, mesmo com os impactos negativos causados no mundo pela pandemia do Coronavíris.

O presidente da Anfavea observou que os 3,160 milhões de veículos previstos para 2020 é um número ainda baixo. A observação é em relação à capacidade total da indústria brasileira, que é de 5 milhões de unidades/ano.

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos: Otimismo crescimento, apesar do Coronavirus

As projeções só não são positivas para as exportações. O presidente da Anfavea prevê queda de 11% por conta da alta do dólar que interfere de forma significativa no mercado.

Exportação

No ano passado, o mercado exportou 428 mil veículos. Para 2020 esse número deve ficar na casa das 320 mil unidades. A crise econômica vivida pela Argentina é a grande vilã da queda das exportações de veículos produzidos no Brasil.

Segundo Luiz Carlos, as unidades que deixarão de seguir para outros mercados, principalmente o argentino, deverão ser absorvidas internamente.

Os 9,4% de aumento das vendas previstas para este ano serão incrementados pelas unidades que não conseguirão atravessar as fronteiras. As vendas internas vão compensar a queda nas exportações.

Importações de autopeças

Com relação às importações de autopeças, o presidente da Anfavea não descarta a possibilidade de uma crise no setor. Contudo, na impossibilidade de empresas asiáticas, instaladas na China, não puderem atender o mercado externo, há outras soluções imediatas.

O mercado chinês, só para efeitos de números percentuais, representa 13% do total das exportações de autopeças.

Luiz Carlos considera que um possível problema de abastecimento, causado pela pandemia do Coronavírus, se resolve por meio de fornecedores espalhados pelo mundo. “Não há problema no momento, mas se porventura vierem os efeitos negativos, há caminhos para driblar uma possível crise”, assinalou Luiz Carlos.

Dólar em alta

 Em 2019, as importações somaram US$ 13 bilhões, com o dólar a R$ 4. O cenário era de certa normalidade com relação ao valor da moeda que controla a economia mundial. “Se considerarmos o dólar a R$ 4,60, esses R$ 0,60 a mais totalizam R$ 8 bilhões de aumento de custos”, disse.

O valor dividido pela produção de 3 milhões de carros representa um custo de R$ 2,6 mil a mais por veículo. “Se isso será repassado ou não para o consumidor, depende de cada montadora. Aquela que exporta mais pode compensar parte disso”, assinalou.

Carga tributária

O dirigente da Anfavea disse que a entidade, junto com todos os fabricantes, estão em constantes conversas com o governo. O objetivo é a busca de soluções e caminhos para minimizar a carga tributária imposta à industria automotiva.

“Temos a maior carga tributária do mundo. Para se ter uma ideia, até para o Exército pagamos uma taxa mercante sem que sequer fabricamos navios ou outros do gênero”, disse Luiz Carlos.

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