Cultura

O que esperar para 2021?

Diante do cenário ocasionado pela pandemia do novo coronavírus, o DM conversou com algumas pessoas para saber quais são as perspectivas para o ano que vem. Foram citados relatos sobre o período de aprendizado em meio à quarentena e a expectativa por uma melhora no ano que vem

diario da manha
Foto: Unsplash/@kellysikkema

O ano de 2020 foi marcado pela pandemia do novo coronavírus. A Covid-19 impactou o mundo em diversos segmentos. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mensal, divulgados na terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou em 14,3% no trimestre móvel que terminou em outubro.

Além disso, o vírus transformou as casas em salas de aula e locais de trabalho, por meio do home office. A modalidade foi adotada por 46% das empresas em meio ao isolamento social, conforme pesquisa desenvolvida pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e divulgada pela Agência Brasil. A infecção também adiou planos, suspendeu sonhos e interrompeu vidas. O Brasil caminha para as quase 200 mil vítimas da doença.

Ainda assim, o país está atrasado com relação ao plano nacional de vacinação. Territórios vizinhos como Chile, México e Argentina já iniciaram a imunização, segundo o R7. Por aqui o mês de dezembro registrou o maior número de mortes por Covid desde setembro. De acordo com o consórcio dos veículos da imprensa, do dia 1° deste mês até às 13h da última terça-feira (29) foram pontuados 18.570 óbitos.

Diante desse cenário, o DM conversou com algumas pessoas para saber quais são as perspectivas para o ano de 2021. Durante a entrevista, relataram o período de aprendizado obtido em meio à quarentena e a expectativa por uma melhora no ano que vem.

‘Ser mais produtivo em 2021’

“Eu fico meio sem jeito em ‘fazer planos’ para 2021, porque a gente aprendeu muita coisa em 2020, e uma delas foi não desacreditar de nada”, aponta o comunicador Marcos Ferreira. Foto: Iury Mariano

O comunicador Marcos Ferreira, 22, ressalta que teve que abdicar de muitos planos em 2020 por causa da pandemia. No entanto, acredita que eles amadureceram. “Um deles é ser mais produtivo, pois em 2020 eu acredito que descansei um pouco da rotina frenética que vivíamos. Outra coisa que quero é realização, porque eu quero colocar em prática um monte de coisa que ficou guardado, só esperando o alvorecer. E, ando pedindo saúde, porque tendo isso o resto a gente corre atrás, como diz minha avó”, realça.

O profissional da Comunicação argumenta que se pudesse resumir o ano de 2020 em uma palavra seria aprendizado. “Aprendi mais a me colocar no lugar do outro. Aprendi sobre autoconhecimento e a confiar mais em mim. Passei um tempo maior com o meu eu, delirando mas aprendendo acima de tudo”, destaca.

‘Superar essa pandemia da melhor forma possível’

“Ao longo do ano foi ainda mais difícil e desesperador passar por essa pandemia por perceber o descaso, principalmente do governo, frente a essa situação”, considera a estudante Sarah Oliveira. Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Sarah Oliveira, 26, afirma que o período foi bastante conturbado e repleto de incertezas. “Em um primeiro momento o espanto maior foi por não saber como as coisas seriam, não dava para imaginar a proporção que isso tomaria nas nossas vidas. Ao longo do ano foi ainda mais difícil e desesperador passar por essa pandemia por perceber o descaso, principalmente do governo, frente a essa situação”, declara.

Esse seria o último ano do curso. Devido à pandemia, a UFG suspendeu as aulas em março. Elas retornaram de forma on-line em agosto, conforme o G1. Todas as atividades da estudante, como o estágio obrigatório, ocorreram de forma remota. Uma das grandes diferenças observadas na rotina, já que costumava sair de casa cedo e só voltar à noite.

“Outro impacto que eu percebi durante o período de isolamento foi acerca do convívio social e como ele tem um papel importante no processo de saúde mental. Passar meses em casa, sem uma perspectiva de melhora da situação acredito que tenha sido a parte mais difícil. Ainda que ficar em casa seja um privilégio para muitos em relação a quem não tinha essa opção”.

Quando perguntada sobre o que aguarda para o ano que vem a estudante foi enfática. “Espero que no ano de 2021 a gente consiga superar essa pandemia da melhor forma possível, e não só a pandemia mas superar também todas as consequências decorrentes desse vírus”.

‘Que nós possamos nos abraçar’

Tertuliana Maria Ferreira acredita que “nós necessitamos estar juntos um do outro, nos abraçarmos, de frequentar o mesmo lugar, festejar”. Foto: Arquivo Pessoal

A professora aposentada Tertuliana Maria Ferreira, 63, indica que o ano de 2020 foi muito difícil por causa da pandemia. “Eu, como muitas outras pessoas, fiquei praticamente presa em casa. Presa e com medo do vírus”, reforça. Segue evitando sair de casa. Também não recebe parentes ou amigos durante o período de isolamento.

Tertuliana acredita que 2020 serviu para mostrar o valor das pequenas coisas. “O valor do abraço, o valor de poder sair, sentar na porta, conversar com amigos sem ter medo, ir a um restaurante, de se juntar. Porque nós necessitamos estar juntos um do outro, nos abraçarmos, de frequentar o mesmo lugar, festejar”

Ela deseja que 2021 traga esperança e a força de poder abraçar e estar com os familiares presencialmente. “Espero que 2021 venha com muita saúde, muita paz, muita liberdade. Que nós possamos nos abraçar, conversar sem medo de que aconteça alguma coisa – medo que seja contaminada ou que contamine alguém -, que seja um ano de muitos abraços, de muita esperança, de muita luz, de muita alegria”.

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