Cultura

Novo single da Underdog Pack é uma passagem para o rock setentista 'joie de vivre'

diario da manha

A banda Underdog Pack lançou nesta sexta-feira, 26, “Summer Days”, single que estará no novo disco do grupo goiano que já está no topo do rock honesto e bem executado no país.

A música tem mais de 20 anos, tendo sido incluída no repertório da Soul Rockers, que primeiro pregou no Estado o sermão do sincretismo rock e soul.

Capitaneada por Rodolfo Campos, a Underdog Pack tem conquistado espaço nas plataformas digitais com uma musicalidade setentista madura. O grupo – uma autopoiese de outras bandas goianas de qualidade, caso da Soul Rockers – aproveitou a pandemia de novo coronavírus para criar e gravar.

As rede sociais de Rodolfo estão repletas também de recriações de músicas e standards do rock feitas por ele com o desempenho de todos instrumentos – mas isso é uma outra história, ainda mais prosaica.

A Underdog Pack é mais orgânica, já que o som parece fresco e vivo, com a pegada de um núcleo que tem coesões, contradições e vibrações que se entrechocam.

“Summer days” é uma música alto astral, com diversas camadas e volumes. Primeiro a pegada folk (cinco rápidos acordes) insinua um riff de 12 compassos do blues tradicional. É um rock com refrão e muita emoção juvenil, quase uma epifania tipo Grand Funk Railroad misturado com Fleetwood Mac. O fim é marcado na bateria, com condução, que seria como reticências para as badalações do verão – tema clássico no rock, de Beach Boys a Joe Satriani.

E nestes dias, claro, as “sensações diferentes” chegam para todos. “Summer Days” remete a semiótica da diversão e do ‘joie de vivre’. Um solo econômico na pentatônica mostra que a  Underdog Pack quer exultação do espírito (sem religiosidade) e não pregação intelectual ou virtuosismo. É o rock com sociabilidades inerentes às décadas: jocosidade, curtição, amizade, lazer, recreação, camaradagem.   

“Summer days” já está nas plataformas de streaming. Ouça lá e se prepare para o verão.

Sem afetação, mas fidelizados aos rios em que bebem águas lamacentas (do blues, claro), o trio segue firme e incólume aos modismos. Como é bom ser honesto no que faz.  

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