Cultura

Experiência 'retrô' é atrativo dos cinemas drive-in

O DM conversou com algumas pessoas que assistiram à uma das três sessões diárias promovidas de segunda à domingo pelo cine Drive-Gyn. Relatos apontam experiência "retrô" e "diferente"

diario da manha
Cine Drive-Gyn. Foto: Reprodução/Instagram @DriveGyn

O decreto assinado na última segunda-feira (13) pelo prefeito de Goiânia, Íris Rezende (MDB), manteve os cinemas fechados na capital como forma de conter a propagação do novo coronavírus. No entanto, os cinemas drive-in são uma alternativa cultural em meio à Covid-19.

Populares principalmente nos Estados Unidos entre as décadas de 1970 a 1990, esse modelo funciona da seguinte maneira: o cliente chega à um local aberto e com bastante espaço e assiste a produção audiovisual exibida em uma tela grande, sem sair do automóvel. O som é transmitido por uma estação de rádio.

Cinemas drive-in foram populares entre as décadas de 70 e 90 nos EUA. Foto: All The Free Stock

O DM conversou com algumas pessoas que assistiram à uma das três sessões diárias promovidas de segunda à domingo pelo cine Drive-Gyn. O cinema ao ar livre está localizado no estacionamento do Shopping Flamboyant e foi idealizado pelos Cinemas Lumière e Guia Curta Mais. A tela de 20 metros de largura e 14 metros de altura é considerada a maior tela de cinemas drive-in do Brasil. A rede abre a segunda unidade nesta quinta-feira (16) no Estação da Moda.

“Saber um pouco o que nossos pais passaram”

“Eu fui ao cine drive-in, basicamente, para ter essa experiência antiga”, diz o advogado Bruno Benjamin. Foto: Arquivo Pessoal

O advogado Bruno Benjamin, 28, esteve no Drive-Gyn na última segunda-feira (13). Ele assistiu “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, produção de 2009 ganhadora do SFX Award de melhor filme. “Eu fui ao cine drive-in, basicamente, para ter essa experiência antiga. Saber um pouco o que nossos pais passaram. Porque realmente é uma experiência muito diferente, uma experiência legal”, explica.

Bruno Benjamin acrescenta que “você realmente sente alguma coisa massa, como se você tivesse na década passada”. Apesar disso, acredita que esse estilo de cinema é válido como experiência, mas não deve se fixar. “Justamente por causa dessa geração. A gente está vivendo muito rápido, então as coisas vêm muito rápido e passam muito rápido”, argumenta.

Ele complementa que filmes longos podem ser incômodos e que a cadeira do cinema é mais confortável. “Outra desvantagem: por mais que a tela tenha uma qualidade boa, não atrapalhou em nada, mas a luz que está em volta ali daquela região acaba incomodando um pouco, porque você não está no breu, você não está no escuro, então assim você acaba tendo outras distrações”, enfatiza Bruno que precisou fechar o retrovisor após um carro com “um mega de um farol de LED” sair de uma loja de artigos esportivos da região e refletir em seu espelho.

“Foi bem vintage”

Registro feito no dia dos namorados pela profissional de Relações Públicas, Daiany Ramos, no Cine Drive-Gyn. Foto: Arquivo Pessoal

A profissional de Relações Públicas e produtora de conteúdo digital, Daiany Ramos da Silva, 24, comemorou o dia 12 de junho, dia dos namorados, com o marido Nicolas Rodrigues, assistindo novamente “La La Land: Cantando Estações”, premiado musical de 2016. Dentre os reconhecimentos pela obra estão seis estatuetas do Oscar.

“Foi bem vintage! Sempre quis ter essa experiência de ver filmes no formato drive-in, e, olha, superou minhas expectativas. Além de mais privacidade, também tenho mais espaço para ficar confortável enquanto assisto o filme”, ressalta.

Daiany Ramos da Silva e o marido Nicolas Rodrigues em 2019 durante evento antes da pandemia, em Goiânia. Foto: Felipe Sener

Ela pontua que em 2020 pôde ter “essa experiência que já foi muito vivida por nossos avós”. Além disso, declara que esse estilo de cinema “merece sim seu lugar em eventos culturais” já “que tem muita gente que evita participar de grandes eventos por conta da aglomeração”. Segundo ela, a qualidade do som é melhor nas salas de cinema tradicionais. “Porém ficar à vontade, não ter que pegar filas enormes e principalmente ter uma experiencia tão vintage é incrível”, avalia.

“Experiência satisfatória e diferente”

Foto tirada no Cine Drive-Gyn na última segunda-feira pela estudante de Engenharia Civil, Amanda Maria Assis. Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de Engenharia Civil, Amanda Maria Assis, 22, já havia acompanhado um cinema drive-in há alguns anos em um festival. Já na última segunda-feira (13) ela assistiu “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” com o namorado Matheus e os dois irmãos, Ana Júlia e Danilo. Conforme contou ao DM, ela buscou a “experiência satisfatória e diferente” por causa do comprometimento da produção de entretenimento em virtude da pandemia.

Amanda Assis buscou uma alternativa de entretenimento em meio ao comprometimento da produção de conteúdo durante a pandemia. Foto: Hugo Alves

Dentre as vantagens de assistir a um filme de dentro do carro Amanda cita o maior espaço para guardar objetos e privacidade, além da possibilidade de alteração do banco “que normalmente a poltrona do cinema não permite”. Para acomodar melhor os irmãos os dois bancos da frente foram deitados, enquanto o de trás foi dobrado, colocando um colchão.

“Como desvantagem eu apontaria a inviabilidade de levar mais que quatro pessoas para assistir ao filme, a necessidade de ligar o carro algumas vezes para preservar a bateria e talvez o gasto com combustível para manter o ar-condicionado ligado”, pontua.

Cuidados contra o coronavírus

Segundo Bruno Benjamin o cine Drive-Gyn está com toda segurança contra a Covid-19. “Os banheiros estão bem asseados, tem álcool gel daqueles de toten, então assim você não tem contato com nada. O limite de segurança dos carros foi respeitado, então tudo nesse sentido foi tranquilo”, observa.

Opinião parecida é compartilhada por Daiany Ramos da Silva. “Pessoal da organização está de parabéns, foi super seguro. Mediram nossa temperatura na entrada, deram todas as instruções de segurança, todos estavam uniformizados e protegidos, conforme o protocolo exige”, realça.

Já a estudante Amanda Maria Assis destaca que o contato com a equipe é quase inexistente. “Apenas no momento da chegada e na compra de alimentos. Os carros são espaçados e funcionários ficam pelo estacionamento para garantir o cumprimento do protocolo de segurança. No geral me senti muito seguro em todo o filme”, sustenta.

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