Cultura

Veja artistas que morreram em decorrência do coronavírus

Pandemia atinge o planeta e leva embora artistas, intelectuais e adoecem chefes de estado. A lista, em poucos meses, já é grande

diario da manha
Pianista Ellis Marsalis é um dos nomes do velho jazz que morreu de coronavírus - Foto: Getty Imagens/ Reprodução

A Gripe Espanhola se tornou a morte sem velório. Foram ceifadas de 20 a 50 milhões de vidas. Entre 1918 e 1920, morria-se em massa. Pouco importava a classe social, o privilégio de ser endinheirado ou não. Na França de Charles Baudelaire e Arthur Rimabud, faleceram o dramaturgo Edmond Rostand e o poeta Guillaume Apollinaire. Na Áustria do compositor de música clássica Franz Schubert, foram golpeados pela moléstia o pintor expressionista Egon Schiele e Sophie, filha de Sigmund Freud. Na Alemanha, o economista Max Webber, cuja teoria é um dos pilares do pensamento sociológico, também padeceu para a peste.

Um século depois, nova pandemia atinge o planeta e leva embora artistas, intelectuais e adoecem chefes de estado. A lista, em poucos meses, já é grande. Entre os mortos está um herói do holocausto, Romi Cohn, de 91 anos, responsável por salvar 56 famílias judias na Checoslováquia. Atores e atrizes, como Ken Shimura e Patricia Bosworth, que atuou ao lado de Marlon Brando e Marilyn Monroe, integram as estatísticas de mortos pela Covid-19. Na música, os óbitos são ainda mais numerosos. Faleceram o guitarrista Bucky Pizzarelli, o pianista Ellis Marsalis, o trompetista Wallace Roney, o cantor Joe Diffie e o letrista Adam Schlesinger.

Aos poucos, o jazz clássico vai sendo ceifado pelo coronavírus. Após a morte de Pizzarelli e de Marsalis, chegou a vez, no final de abril, do saxofonista Lee Konitz, que ainda tocava aos 92 anos. A sessão de obituário do jornal americano The New York Times destacou a sua morte não por ter sido um músico virtuoso, mas por ter “tocado com Miles Davis”, naqueles discos que marcaram a música contemporânea produzida entre 1949-1950, época em que o sub-gênero cool jazz foi lançado. O estilo tinha suas raízes fincadas na big band de Claude Thornhill, onde tocavam, além de Lee, o sax-barítono de Gerry Mulligan e o arranjo de Gil Evans.

Em março, o ícone do afro-jazz, Manu Dibango, foi a primeira personalidade da música a morrer em decorrência do novo coronavírus. “Construtor de pontes entre o Ocidente e a África”, como ele próprio gostava de se definir, o músico camaronês tornou-se conhecido mundialmente por conta do hit “Soul Makossa”, canção dançante que faz parte do disco de mesmo nome, lançado em 1973. Dibango mudou a cara do jazz. Suas músicas, sempre com groove e fraseado convidativo para balançar os quadris, estão marcadas na história da música feita de 1970 pra cá. O saxofonista virou uma referência com um estilo sonoro único.

No Brasil

Nossos ídolos, os defensores da democracia e guardiões dos direitos civis, estão indo embora num Brasil que acelera seu namoro com a demência patológica e política. Faleceu, aos 73 anos, em decorrência da Covid-19 o cantor, compositor, escritor e poeta Aldir Blanc, um dos maiores letristas da Música Popular Brasileira (MPB). Também de coronavírus morreu o escritor Sérgio Sant´Anna, um dos nomes que mudaram a cara do conto brasileiro nos anos de 1970. Sant´Anna, além de singular estilista do texto, era conhecido como o maior autor de histórias curtas a escrever sobre futebol e como o ludopédio impacta a cultura brazuca.  

Na semana passada, foi a vez da atriz Daisy Lúcidi morrer, aos 90 anos, em decorrência de complicações provocadas pelo novo coronavírus. A artista marcou época em trabalhos na televisão ao protagonizar a novela “Enquanto Houver Estrelas”, na extinta TV Tupi. Sua estreia na TV Globo ocorreu ao antagonizar “Supermanoela”. Lúcidi afastou-se das gravações no plim-plim e enveredou para a vida política. Exerceu cargos de vereadora e deputada federal. Outro nome das artes brasileiras que padeceu para a Covid-19 é o cantor Carlos José, artista associado às serestas. Ele era identificado com o romantismo exacerbado.

Fundador dos Titãs, o cantor e poeta Ciro Pessoa também faz parte das estatísticas de óbito da Covid-19. Pessoa é autor da música “Sonífera Ilha”, um dos maiores sucessos do grupo paulistano. Jesus Chediak, jornalista e teatrólogo brasileiro, é mais uma personalidade de nossa cultura a falecer após ser diagnosticado com coronavírus. Assim como ocorreu na época da Gripe Espanhola, os corpos estão sendo enfileirados. “Vinha o caminhão de limpeza público, e ia recolhendo e empilhando os defuntos. Mas nem só os mortos eram assim apanhados no caminho. Muitos ainda viviam”, narrou o escritor Nelson Rodrigues. Aterrorizante.  

O melhor do saxofonista de afro-jazz Manu Dibango

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