Cultura

Streaming abre três episódios para não assinantes de 'Todas as Mulheres do Mundo'

diario da manha
Maria Ribeiro e Emílio Dantas em ‘Todas as Mulheres do Mundo’ - Foto: Divulgação/ Globo

O amor, como sentenciou o escritor Paulo Mendes Campos, em duas vias, papel passado, firma reconhecida nos cartórios do desejo e da boemia carioca, acaba. Acaba e é uma saborosa selvageria existencial. Uma loucura excitante, fundamental, eu diria, em tempos onde aquele ex-paraquedista do quartel que se passa por presidente prega a morte em nome da economia. Talvez, vai saber, o dito-cujo nunca tenha experimentado a embriaguez da paixão. O combustível para a vida, a arte, a utopia e o tesão, é a razão que guia a gente atrás de mais uma dose. É a verdadeira vocação da natureza humana.

Domingos de Oliveira, cineasta cujo eixo existencial era justamente essa premissa, botava fé na felicidade das relações. Fez do louco amor sua vida, e sua rica obra cinematográfica. “Se você tivesse que escolher uma mulher para esposa, que critério usaria na escolha?”, perguntam ao romântico personagem, vivido pelo ator Paulo José, que protagoniza o longa-metragem “Todas as Mulheres do Mundo”, de 1966, filme considerado divisor de águas no cinema brasileiro daqueles tempos do cálice-se fardado. “O difícil não é escolher uma. É desistir de todas as outras”, reflete Paulo.

Sophie Charlotte (à esquerda) e Emílio Dantas (à direita) – Foto: Divulgação/ Globo

Cada uma, de fato, é um universo e um sonho. O diálogo, esse sim, e não as palavras do subscrito aqui, sintetiza bem o filme adaptado para o streaming. No catálogo da Globo Play desde abril deste ano, e agora com três episódios abertos para não assinantes, “Todas as Mulheres do Mundo” reverencia o legado do cineasta e dramaturgo carioca, morto no ano passado, aos 82 anos, ao colocar em cena (com as belas e ótimas Martha Nowill, Sara Antunes, Maria Ribeiro, Lília Cabral e Fernanda Torres) fragmentos de roteiros cinematográficos, peças teatrais e demais palavras inéditas de Domingos.  

O cerne da história é o longa em questão que trouxe aos holofotes da careta sociedade brasileira a atriz Leila Diniz, ícone do feminismo numa época em que (quase) tudo dava cana. A história gira em torno dos amores de Paulo, interpretado desta vez pelo ator Emílio Dantas, e o espectador acompanha em cada episódio suas aventuras amorosas. Geralmente, o sujeito se derrete todo pelo tipo de mulher que manda no próprio nariz, que é independente, que é inteligente e dona de si. Até o escrevinhador – peço licença, por sinal – sentiu palpitações cardíacas por conta dessas beldades dominguianas.  

A série está em sintonia com o empoderamento feminino. Passa longe de ser piegas. Muito menos é uma comum, e banal, caracterização do passado e, portanto, fora de contexto. Tem a adolescente que traz para a trama a poligamia, a bailarina que vai para a Alemanha e a arquiteta que trabalha no mesmo escritório de Paulo e os dois acabam se envolvendo. Trata-se um cara apaixonado, e não um dom-juan. O sujeito se envolve, se apaixona, se deixa levar por cada uma entra em sua vida, mudando seu mundo e chacoalhando seu dia a dia. Paulo é um sujeito não tão raro, mas muito importante.

Elenco da série ‘Todas as Mulheres do Mundo’ – Foto: Divulgação/ Globo

Sophie Charlotte, aliás, interpreta a personagem que foi eternizada por Leila Diniz, em 1966, responsável por colocá-la entre as grandes atrizes do nosso cinema. O filme abocanhou prêmios no Festival de Brasília nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Argumento, Melhor Diálogo, Melhor Ator (Paulo José), Melhor Produtor e menção honrosa para Leila. Na vida real, Leila e Domingos se casaram. Décadas depois, lá pelos idos do natal de 1990, numa versão que durou meia-hora, Pedro Cardoso e Fernanda Torres fizeram os papéis de Leila e Paulo. Domingos é detentor de trajetória singular.

Por falar em Domingos, o filme “Os Magníficos”, última obra do diretor, vai passar no festival online Inffinito Braff, que acontecerá até 31 de maio e homenageará a sua obra. Voltando à “Todas as Mulheres do Mundo”: é um clássico, e clássicos são clássicos porque resistem ao tempo e precisam ser revisitados pelo público e – por quê não? – pelos artistas. Em tempo: durante a pandemia de coronavírus, época em que a gente está isolado em casa, com saudades dos nossos amores, nada melhor do que dar play e curtir a série do Globo Play. Domingos de Oliveira precisa ser lembrado.  

Ficha Técnica

‘Todas As Mulheres do Mundo’

Autor: Jorge Furtado e Janaína Fischer, baseados na obra de Domingos Oliveira

Onde: Temporada disponível no Globo Play

Teaser da série ‘Todas as Mulheres do Mundo’ – Imagens: Divulgação Globo

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