Cultura

É a hora de consumir cultura

Veja lista de produtos para leitura, da produção fonográfica e indústria de cinema para curtir durante a longa viagem da quarentena provocada pela Pandemia do Coronavírus Covid 19

diario da manha
Cena do filme 'Os Sonhadores', do italiano Bernardo Bertolucci

Liev Tostoi, escritor russo, nascido em 9 de setembro de 1828, e que morreu em 20 de novembro de 1910, sob o czarismo, do Clã Romanov, autor de ‘Guerra e Paz’, ‘Anna Karenina’, ‘Crônicas de Sebastopol’, é o que sugere, como dica de leitura, para a quarentena, no Brasil, o doutor do Departamento de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense [UFF], Daniel Aarão Reis Filho [RJ]. Em tempos sombrios do tresloucado Jair Messias Bolsonaro, capitão reformado, como inquilino do Palácio da Alvorada. Mais: de confinamento e isolamento social em virtude do Coronavírus Covid 19. Fiódor Dostoiévski é a segunda opção. Ele nasceu em Moscou, dia 11 de novembro de 1821, e morreu em 9 de fevereiro de 1881. O seu legado é composto de obras universais como ‘Recordações da Casa dos Mortos’, ‘Crime e Castigo’ e ‘Os Irmãos Karamazov’. Além da Bíblica. Não custa lembrar: o historiador é ateu. 

Doutor da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás [UFG], David Maciel, um torcedor irrecuperável do São Paulo Futebol Clube, sem poder assistir aos espetáculos do time do Morumbi, recomenda tempo para a releitura do velho barbudo Karl Marx [1818-1883]. O Dezoito de Brumário de Luís Bonaparte, O Jovem Marx, além de textos do livro Democracia em Colapso? De Marilena Chauí, Antônio Carlos Mazzeo, Virgínia Fontes e Luís Felipe Miguel. Ah! Editora Boitempo. Integrante da banda de garagem Aborto de Nazaré, o professor de linhagem materialista e dialética manda ver: o velho rock´n roll da banda Deep Purple. Um grupo de rock britânico. Eles produziram a antológica ‘Child in Time’. Não dá para não ouvir. ‘Lay down stay down’ também faz parte do repertório obrigatório que um maluco deve ouvir quando é possível para espantar os fantasmas que rondam o mundo, a América Latina e o Brasil. CD: ‘Burn’.

O ‘papa-prêmios’ do cinema, no Centro-Oeste, Ângelo Lima, legítimo filho da geração de 1968, o ano que não terminou, indica o filme, crítico radical das relações sociais de produção capitalistas, ‘As Invasões Bárbaras’, do ícone Denys Arcand, lançado em 2003. Cult, red e gauche, não pode assistir aos jogos do Vila Nova Futebol Clube, fundado em 29 de julho de 1943, mas determina Federico Fellini, morto em 31 de outubro de 1993, na Itália. O que, por exemplo?  ‘A doce vida’, ‘Oito e meio’ e ‘Amarcord’. O realizador sugere, para adocicar o dia, os CDs ‘A ‘Nova Música Pernambucana’, ‘Orquestra de Olinda’. Com tempo livre, ócio criativo, ele pontua. Eu faço, hoje, uma autoavaliação, diz. Hibernar seis meses não será impune, calcula. Uma caverna, filosofa. Dentro de casa, quieto, resume. Com consumo de arroz integral, atira. Receita dos Vietcongs contra as drogas dos soldados dos EUA, sob a guerra do Vietnan, fuzila. 

Prêmio Jabuti, ex-presidente da União Brasileira dos Escritores [UBE], seção de Goiás, ex-secretário de Estado da Cultura, o maior escritor do Centro-Oeste na atualidade, Edival Lourenço recomenda, em um cenário punk de isolamento social, com a pandemia, a explosão de contaminação pelo Coronavírus Covid 19, o livro ‘Pequeno Tratado das Grandes Virtudes’, de autoria de André  Comte-Sponville, Editora Martins Fontes, com apenas 392 páginas. Um compêndio de filosofia, define – o. Ideal em dias de recolhimento, sublinha. Para reflexão, registra. Escritor, poeta e cronista de ‘O Popular’, afirma que o filme, disponível na Netflix, ‘O Poço’, do diretor Galder Gaztelu-Urrutia, é um mix de suspense, terror e ficção. Vale a pena, dispara. Artista plástico da vanguarda estética, no Estado de Goiás, Nonato Coelho ocupa o tempo com a produção de enorme quadro. Múltiplas cores. Em uma produtividade total. 

É um craque do jornalismo gonzo. Trata-se de leitor voraz de Gay Talese e de Norman Mailler. Assim como admirador confesso de Raul Seixas. Mais: torcedor apaixonado do Corinthians. O que seria uma redundância, talvez uma licença poética. O jovem de Ponta Grossa, Estado do Paraná, graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, editor do caderno de cultura do jornal Diário da Manhã, o DM Revista, além de editor do site Jornal Metamorfose, do circuito underground, Marcus Vinícius Beck, 24 anos de idade, autor de obra seminal que aborda a ocupação da Rádio Universitária, da Universidade Federal de Goiás, com sexo, drogas, álcool, Mao-Tsé-tung, Leon Trotsky e revolução, que faltou ao encontro, em Goiânia, dá as suas dicas, ‘Décadas púrpuras’, obra de Tom Wolfe. ‘Gonzo’, de Arthur Veríssimo. Filme, ‘Os sonhadores’,que remonta à maio de 1968, em Paris, do italiano Bernardo Bertolucci. Com a atriz que parece um sonho Eva Green. Não se esqueça nunca de David Bowie e Bob Dylan, diz.

‘Decameron’, clássico da literatura universal, de Giovanni Boccaccio, com homens e mulheres em fuga da peste negra, que se refugiam em uma propriedade rural, aponta, para a passagem dos dias de quarentena, o historiador Clayton de Souza Avelar, de Brasília, a capital da República. Filme? O líder de esquerda manda a sua sugestão. “Pier Paolo Pasolini, em tempos de Benito Mussolini, fascista no poder, em Roma,  levou Decameron às telas de cinema”, metralha. Em uma época em que Jair Bolsonaro está no poder, com retrocessos, é uma dica para análises comparativas da história. Fernando Safatle, economista desenvolvimentista, de linhagem progressista, sugere a entrevista de Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo, vermelho, a Fernando Haddad, disponível no Facebook e ainda no www.youtube.com Revolucionário do PSTU, o advogado Rubens Donizzeti indica os filmes ‘Cabra Marcado para Morrer’, ‘Cidadão Boilesen’, ‘Eles não usam Black-Tie’, ‘Jango’, ‘Pastor Cláudio’, ‘Pra Frente Brasil’, ‘Que Bom Te Ver Viva’, ‘Soldados do Araguaia’, ‘Batismo de Sangue’, ‘O dia que durou 21 anos’.

Médico, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, ex-prefeito de Catalão, ex-secretário de Estado de Gabinete, governador de Goiás interino, Jardel Sebba, faz, ao mesmo tempo, exercício físicos, sem sair de sua casa, assiste séries de TV como ‘O Atirador’ e ‘O Grande Dragão’, lê ‘Autobiografia não autorizada’, de autoria do humorista Jô Soares e se delicia com música sertaneja, enquanto caminha pela sua propriedade rural. O clínico-geral, graduado no Rio de Janeiro, admite estar  pirado de tanto ouvir notícias sobre a pandemia do Coronavírus Covid 19. Um bombardeio, diz. O deputado estadual do PSDB Gustavo Sebba, médico, aponta ‘A História da Humanidade Contada Pelo Vírus’, do escritor e infectologista Stefan Cunha, Ujvari. A biografia de Wiston Churchil, redigida por Martin Gilbert. Filme: ‘Ensaio sobre a cegueira’.Friends é excelente série, insiste. Uma playlist de sertanejo me agrada, conta. ‘Lives’ como a de Gustavo Lima, sublinha.

Ex-secretário de Cultura do Distrito Federal, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo, Hamilton Pereira, pseudônimo Pedro Tierra, oferece duas sugestões. ‘O Jogo do Anjo’, de Carlos Luiz Zafón, Editora Suma das Letras, e ‘Escravidão’, volume 1, Globo Livros, Laurentino Gomes, diz. Filmes, dois: ‘O Irlandês’ e ‘A Trincheira Infinita’. Acessíveis na Netflix, avisa o poeta. Jornalista, poeta,, cronista, o escritor celebrado em Goiânia, Helverton Baiano, de Correntina, Bahia, torcedor do Botafogo [RJ] e do Tigrão da Vila Famosa [Vila Nova], faz a sua lista.’Aquarela em Preto e Branco’, de Sônia Elizabeth; ‘Sonata Em mim Menor’,Volume 2, de Mauri de Castro, ‘Navaranda’,de Alexandre Perini; A Mãe que chovia, José Luís Peixoto. Baiano irá degustar o CD ‘Caravana’,de Gustavo Veiga, e Líricas, de Zeca Baleiro. Filmes: O Hospedeiro, da Coreia do Sul. ‘Além de Encontro Marcado’,  Sementes Podres, Clímax, Meu Irmão, e Um banho de vida, frisa. 

Procurador de Justiça aposentado, o advogado Demóstenes Xavier Torres, homem culto e elegante, um gentleman, não para de ouvir B.B.. King – Royal  Albert Hall. Assim como Teresa Cristina canta Cartola. O disco Bibi Ferreira e Gracindo Júnior – Brasileiro – profissão esperança, também, destaca. Mais: Sebastião Tapajós. Assim como Orlando Silva – No tempo do rádio, explica. Jackson do Pandeiro, Jorge Mautner – Anos 80, Arrigo Barnabé, frisa. Para consolar homens, mulheres em quarentena, os livros Boemia e Política – Mário Lago, de Mônica Velloso; Memórias do Subsolo, editora 34, Fiódor Dostoiévski; Valter Hugo Mãe, O Remorso de Baltazar Serapião; A Invenção de Goiânia – O outro lado da mudança, de autoria de Jales Guedes Coelho Mendonça; Rondon, Uma biografia, do jornalista dos EUA, Larry Rother. Da literatura de testemunha, Varlam Chalámov, Ensaios sobre o mundo do Crime. A ícone nobel de literatura de 2015, Svetlana Alexeivicht, diz que se trata do maior escritor da história da Rússia.

Jornalista, historiador, especialista em Geopolítica, o intelectual orgânico Frederico Vitor de Oliveira, lê, hoje, ‘Brasil – De Castello Branco a Tancredo Neves – 1964-1985’, de autoria do brasilianista Thomaz Skidmore, irá devorar ‘Os Alemães’, Editora Contexto, escrito por Vinícius Liebel, e ‘’Prisioneiros da Geografia – 10 mapas que explicam tudo o que você precisa saber sobre Política Global’,de Tim Marshall. Roqueiro, indica a banda da Escócia de indie rock Editors, álbum In Dream. O disco da banda da Alemanha, Velho Mundo, Rammstein, é pauleira, nitroglicerina pulsa, sai cantando. O filme ‘O Jovem Marx’ é uma película do balacobaco, dispara. O periodista, antifascista, recomenda o que classifica como o melhor do cinema de los hermanos,  argentino: Relatos Selvagens. Álcool-gel, isolamento social e vida saudável, atira. 

Pensador de esquerda, Fernando Quinta consome ‘História Regional da Infâmia’, LPM, de Juremir Machado da Silva, ouve os eternos Beatles e assiste Pandemia, Netflix, uma série, diz. Professora, cantora, escritora, Nádia Pires aprende com o sociólogo Boaventura Souza Santos. Advogado, Luciano Almeida de Oliveira dá três dicas culturais: Filme, A Mula, Clint Eastwood; CD, Ordinary Man, Ozzy Osbourne; Livro, ‘O Poder do Agora’, Eckart Tolle. Tales de Castro, mestre em História, líder trabalhista: livro ‘Contraponto’, editora Biblioteca Azul, de Aldous Huxley; Filme, ‘Vestígios do Dia’, James Ivory. Cineasta, Jorge Castilho, saboreia livro, das editoras Vozes e Sinodal,  de Viktor Frakl, psicanalista alemão e judeu, enviado ao campo de concentração de Auschwitz. Psiquiatra, Lucio Malagoni, guitarrista, revê Cidade dos Anos, de Win Wenders, Cidade dos Sonhos, de David Linch, O Poço, de Galder Gaztelu-Urrutia, lê, hoje, ‘O Oráculo da Noite’, de Sidarta Ribeiro, e os CDs Morrissey ‘I am not a dog on a chain’ e Pearl Jam, Gigaton. Jornalista, Alexandre Alfaix, Ensaio sobre a Cegueira, Cia. Das Letras, de José Saramago; 1984, Cia. Das Letras, George Orwell, um trotskista que lutou ao lado dos republicanos na Guerra Civil Espanhola [1936-1939], a última batalha das utopias; está ligado em ‘Contágio’, de Steven Soderbergh; e na música ‘O dia em que a terra parou’, Raul Seixas. Heitor Cláudio, professor de São Paulo, ‘band leader’ do Combate Pelo Socialismo, dá o presente-indicação: ‘Os dez dias que abalaram o mundo’, de John Reed: revolução de 1917.

Filmes e documentários para aprender

Ivan Seixas, jornalista de São Paulo e que trabalha em Foz do Iguaçu, preso político aos 16 anos de idade, com o pai executado extrajudicialmente pela ditadura civil e militar, Joaquim de Alencar Seixas, sugere, para introspecção, ‘Vinhas da Ira’, de John Steinbeck. As lutas dos camponeses dos Estados Unidos no início do século 20. Assim como ‘Incidente em Antares’, realismo fantástico, de Érico Veríssimo, pontua o membro da Comissão da Verdade e Justiça.

Doutora em História, autora do livro ‘Mulheres na Luta Armada – Protagonismo feminino na Ação Libertadora Nacional [ALN]’,Maria Cláudia Badan Ribeiro diz ter gostado do livro ‘O Corpo Interminável’, Editora Record, de Cláudia Lage. Documentário? A pesquisadora recomenda ‘A Mesa Vermelha’. Direção de Tuca Siqueira. Os hippies e o festival de Jacareacanga, em São Paulo,  pontua. A trilogia de Patrício Guzmán, além de ‘A Torre das Donzelas’, ela dispara.

Doutor da Universidade Federal de Goiás [UFG], o professor Humberto Clímaco apresenta um livro de autoria de Liev Davidovich Bronstein, codinome de Leon Trotski, líder da revolução de 26 de outubro ou 7 de novembro de 1917, socialista, na Rússia, e expropriada por Josep Stálin e sua ‘troupe’. Com os desvios do caminho socialista.  A obra tem como título ‘Stálin – Uma Análise do Homem e de sua Influência’. Com material inédito de Alan Woods, alerta ele.

Ex-secretário de Estado de Ação Social e Trabalho, ex-prefeito de Montividiu do Norte, ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de Goiânia, ex-secretário particular da presidência da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, ex-chefe de gabinete do Tribunal de Contas do Estado, José Sebba Júnior informa ter passado os últimos dias internado, no Hospital  Santa Helena, em Goiânia, Goiás. O exame não apresentou Coronavírus Covid 19. Uma virose, frisa. 

O presidente da União Brasileira dos Escritores, a UBE, seção de Goiás, historiador e professor da Universidade Estadual de Goiás  [UEG], Ademir Luiz, afirma que, hoje, o melhor caminho, em época de Coronavírus Covid 19, de contágio, é preparar a audiência para o pior que poderá vir. Epidemia, do diretor consagrado Danny Boyle, diz.  Além de Guerra Mundial Z, com o ícone de Hollywood, ex de Angelina Jolie, a bela, Brad Pitt, registra, com exclusividade à reportagem.

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