Cultura

Série detalha investigação da morte de Marielle Franco

Produção mostra uma visão ampla do assassinato da vereadora do PSOL

diario da manha
Marielle Franco no Complexo da Maré em campanha para os eleições de 2016 - FOTO: REPRODUÇÃO/ MÍDIA NINJA

A série “Marielle – O Documentário”, feito pela equipe de jornalismo da Globo, reconstrói a trajetória da ex-vereadora do Rio de Janeiro e documenta justamente o fator mais jornalístico da história: a investigação em torno do seu assassinato, ainda pouco elucidado pelas autoridades. No entanto, o filme peca ao fazer de tudo para prender a atenção do espectador a partir de uma montagem exageradamente sentimentalista. 

São desencadeadas ideias como as de fé, religiosidade, ausência e coletividade em meio ao sofrimento da família de Marielle e da esposa do motorista da vereadora, Anderson Gomes, morto no dia do atentado. Além disso, há um vídeo em que a psolista comemora seus 15 anos e uma cena com a mãe dela segurando um álbum de fotografias tiradas na ocasião. Mas essas escolhas do jornalista Caio Cavechini não ficam bem claras.  

Até que ponto mostrar a perfilada dançando numa festa de debutantes seria indispensável para uma narrativa que se propõe a reconstituir a trajetória de Marielle Franco, símbolo do feminismo e da mulher negra ocupando espaços que sempre foram destinados para homens brancos enforcados por algo semelhante a um fio de descarga pendurado no pescoço? Até que ponto essas escolhas estéticas não beiram a pieguice gratuita?

Produção foca na investigação em torno do assassinato da ex-vereadoraFoto: Reprodução/ Mídia Ninja

De fato, o que se tem é um documentário que foge dos padrões chatos de cabeças ‘pensantes’, personalidades em evidência na esfera pública e outros especialistas em assuntos irrelevantes que falam, falam, falam e não dizer nada com nada. Justiça seja feita, o filme produzido pelo maior conglomerado de comunicação da América Latina é importante, especialmente quando já se fazem dois anos  do assassinato e o há até agora são mais perguntas do que respostas. 

A história engrena a partir do terceiro episódio, no momento em que os jornalistas passam a se dedicar às investigações da polícia, aos prováveis mandantes do crime e por que o atentado foi cometido. Mas, mesmo um fato de extremo interesse público tomando conta da narrativa, ainda é possível notar aqui e ali uma ou outra cena mais emotiva, como a que a filha da vereadora revela ter pensado em cometer suicídio ou quando a viúva conta detalhes de sua relação com Marielle. 

A essa altura, Anderson some da série. Se nos dois primeiros episódios foram explorados sentimentalmente o choro de seu irmão e a solidão de sua esposa, Agatha, que ficou sozinha com o filho Arthur, portador de um síndrome genética rara, aqui ele nem é mencionado mais. 

A série não tem um narrador, mas os jornalistas do jornal e da TV Globo guiam e reportam os fatos. Mesmo sendo apresentados com seus nomes, optou-se por não mostrar seus rostos, o que leva a cenas com plano fechado, bloco de notas em evidência, telas de computadores e um amontoado de papel.

Série está disponível na íntegra no Globoplay – Foto: Reprodução/ TV Globo

O espectador acompanha o carro em que estavam os assassinos, vê a hora em que saíram do Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, e descobre o trajeto que fizeram até a Lapa, onde Marielle ministraria uma palestra. Nada que uma pesquisa rápida no canal do youtube do jornal O Globo não bastasse para saber essas informações. 

“Marielle – O Documentário” é relevante porque mostra de uma maneira ampla o caso de assassinato de uma vereadora que se arrasta pelas entranhas da Justiça. E, querendo ou não, o filme pressiona o Judiciário para saber quem foi o mandante de um crime que era bastante comum ocorrer durante os anos de ditadura civil e militar, mas soa estarrecedor em qualquer Estado Democrático de Direito consolidado no mundo civilizado.  

Ficha Técnica

‘Marielle – O Documentário’

Diretor: Caio Cavechini

Episódios: 6

Disponível no Globo Play

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