Cultura

Há 50 anos o Black Sabbath mudava o rock com disco influenciado pelo horror

Banda mudou a estética musical do rock há 50 anos ao lançar disco repleto de clássicos

diario da manha

No final da década de 1960, os Beatles eram consagrados como a melhor banda da história e, mesmo assim, emplacaram nas paradas a música “Come Together”, do disco “Abbey Road”, de 1969. Paralelamente, os Rolling Stones faziam a cabeça dos jovens com “Gimme Shelter”, canção eternizada pelo riff uivante de Keith Richards, do disco “Let It Blee”, lançado no mesmo ano. E na outra ponta, com uma sonoridade mais pesada, com letras revoltadas e com estética visceral, aparecia o The Who e sua cacetada sonora chamada “Pinball Wizard”, da ópera-rock “Tommy”, também de 69.

Assim como o Who, uns beberrões filhos da classe operária de Birmingham achavam que era hippie demais um certo outro grupo da cena britânica cujo nome era o mesmo que o da banda deles, e então tiveram um estalo: mudar era preciso. Passaram a se chamar Earth. No quesito musical, o quarteto que iria virar o Sabbath em breve tinha influências dos Beatles, do Cream – o power trio de Eric Clapton -, do bluesman Robert Johnson, do folk inglês e até da música clássica. Mas Tony Iommi tocou umas notas graves e Ozzy Osbourne berrou no vocal.

Aí já viu, né? Tudo mudou num passe de mágica e, bem, não é exagero algum dizer que os seis minutos da música “Black Sabbath” foram responsáveis pela criação do heavy metal. Geezer Butler, o baixista, era louco por literatura e cinema de horror – estética, aliás, adotada pela banda logo no primeiro disco. Para se ter uma ideia, o nome da canção e do grupo foram inspirados no filme “As Três Máscaras do Terror”, do italiano Maria Brava, lançado em 1963. A letra narra a história de um cara assustado diante de uma tenebrosa entidade maligna. 

De fato, era uma sonoridade macabra e, no momento em que a banda cessou as gravações, ficou claro que aquilo ali era algo bem diferente de tudo o que havia sido feito até então. Nos shows, era uma catarse coletiva, com um bando de fãs histéricos gritando e emanando uma energia capaz de fazer um carro sem gasolina andar. “Black Sabbath”, álbum de estreia que na última semana completou 50 anos de seu lançamento, foi concebido em cima do tripé terror, ocultismo e magia negra. Era uma aura realmente assustadora até para os ateus.

Mesmo assim, da primeira à última faixa a qualidade musical chama atenção, e se não tem poder de ofuscar a mensagem diabólica da banda ao menos põe em evidência a destreza com que os músicos tocam seus instrumentos. “Warning”, por exemplo, a música mais longa do disco com dez minutos de groove, solo e uivo vocal, impressiona jovens com ímpeto rebelde até os dias de hoje. Contando a história de uma paixão de lúcifer por uma mulher, “N.I.B” talvez suscite algumas risadas no ouvinte mais tolerante aos preceitos cristãos. 

Disco ‘Black Sabbath’ mudar a cara do rock and roll com estético influenciada pelo terror – Foto: Reprodução

Mas, segundo apontam os críticos musicais, a revolução – sem dúvida – consiste nas maquiavélicas “Behind The Wall Of Sleep”, que é inspirada num conto do mestre norte-americano do gênero do horror H.P. Lovecraft. “Sleeping Village”, provavelmente a mais soturna do álbum, tinha um título pesado demais até para os padrões do Black Sabbath: “Devil´s Island” (Ilha do Diabo, em tradução livre). “The Wizard”, por sua vez, é fruto de uma inspiração literária e os fãs a relacionam com personagens de “O Senhor dos Anéis”.  

Além da música

O clima soturno que permeia todas as músicas do disco vai muito além da sonoridade e das letras. Composta por uma modelo que posa de bruxa, a capa do disco levou cristãos à loucura mundo afora. Para os mais ligados em superstição, o álbum foi lançado numa sexta-feira 13 de 1970, a primeira daquele ano. Na sequência, o Black Sabbath lançou os discos “Paranoid”, de 1970, e “Master of Reality”, no ano seguinte. Ambos têm som mais grave e arrastado, além de letras com teor – vejam só! – ainda mais satanista. 

Com os próximos discos, o Sabbath se consolidou de vez como um verdadeiro clássico do rock and roll e como precursor não só do heavy metal, mas também  de dois subgêneros, o doom metal e o gothic metal. Em “Volume 4”, de 1972, a banda acrescentou sintetizadores e, com isso, encabeçou um movimento que culminou na criação do progressivo, na década de 1970. Depois do disco, a relação entre os membros degringolou por conta do uso de cocaína e álcool e esporádicas vezes os membros originais se reuniram. 

Geezer Butler (esq.), Ozzy Osbourne e Tony Iommi no show de despedida do Black Sabbath – Foto: Reprodução

Os três primeiros discos do Sabbath estão marcados na história do rock. Muito além de serem rotulados como progenitores do rock, posto que ocupam ao lado de nomes como Led Zeppelin e Free, os filhos dos proletários ingleses transformaram o rock há cinco décadas. Certamente, isso superou as expectativas de um bando de jovens que gostavam de encher a cara e tocar blues. Nada mal.

Conheça as principais musica de ‘Black Sabbath’

‘Warning’

Com dez minutos de duração, a faixa impressiona pela qualidade musical, com riff pesado, groove visceral e berros vocais. 

‘Behind The Wall Of Sleep’

É inspirada num conto do mestre norte-americano do gênero do horror H.P. Lovecraft.

‘Sleeping Village’

Provavelmente a mais soturna do álbum, tinha um título pesado demais até para os padrões do Black Sabbath. 

N.I.B

Eleita pelos fãs a melhor música do disco, a letra conta a história da paixão de lúcifer por uma mulher

Disco ‘Black Sabbath’ na íntegra – Reprodução/ Youtube

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