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Gilberto Gil passeia por clássicos da carreira em show

Uma coisa é certa: Gilberto Gil, 77, é um dos maiores representantes do movimento tropicalista. E para confirmar a força musical, poética e histórica de sua obra, basta dar um play no YouTube. Autor dos discos “Expresso 2222”, de 1972 e “Refazenda”, lançado em 1975, o artista é uma verdadeiro patrimônio da cultura brasileira. Afinal, são 50 anos de carreira, tempo necessário para lhe credenciar como um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB).

Nascido dia 2 de junho de 1942, na cidade de Salvador, na Bahia, Gil – como o cantor e compositor é carinhosamente chamado pelos fãs – surgiu no cenário musical brasileiro no início da década de 1960, quando conhecera Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Em 1965 mudou-se para São Paulo e, dois anos depois, lançara o disco “Louvação”. No final da década, a música “Domingo no Parque”, que Gilberto Gil cantou com a participação dos Mutantes, ficou em 2º lugar no III FMPB.

O festival foi o pontapé inicial para a Tropicália, movimento artístico influenciado pelas correntes de vanguarda e cultura pop. Composto por nomes como Caetano Veloso, Torquato Neto, Tom Zé, Rogério Duprat, a ideia da Tropicália era a fusão de elementos da música inglesa e americana com as composições de João Gilberto e Luiz Gonzaga. Claro que uma salada dessas não ia passar despercebida pelos censores da Ditadura Militar: Gil exilou-se e o movimento passou a ser visto como ‘subversivo’.

Isso e muito mais poderá ser conferido pelo público hoje, a partir das 19h30, no Deck Parking Sul, localizado no shopping Flamboyant. Gil, que é um nome inédito no projeto In Concert, encerra a temporada 2019 do evento. Para se apresentar em Goiânia, deu uma pausa na turnê atual para tocar aqui seus aclamados sucessos, prometendo levar o público ao delírio – da primeira a última música, passando pelos mais diversos estilos que marcaram a carreira do cantor.   

Segundo Gil, a apresentação será uma viagem musical que vai passar pelos canções mais conhecidas do tropicalista. "Nesta apresentação, faremos uma viagem musical trazendo desde os clássicos como “Andar com fé”, “Realce” e “Toda menina” a hits como “Esperando na Janela””, diz. “O público ainda poderá pular ao som de “Palco” e “Aquele abraço”, além de se emocionar com “Tempo rei”, “Drão”, “A paz”. Quem gosta, irá cantar “A Novidade”, “Vamos fugir” ou “Não chore mais” junto conosco".

No palco do Flamboyant In Concert, o ícone da Tropicália estará acompanhado por Sergio Chiavazzolli (guitarras), Magno Brito (baixo), Kainã (percussão), Danilo Andrade (teclados), José Gil (bateria), Thiago Queiroz e Danilo Gomes (sopros) e Nara Gil (vocal). Já na técnica foram escalados Ivan Marques (luz), João Ribeiro (monitor), Leco Possollo (PA), Thiago Braga e Alexandre (roadies).

Tropicália

Formado no contexto do Festival de Música Popular Brasileira, o movimento da Tropicália é considerado a expressão musical mais singular após a Bossa Nova. Pesquisadores dizem que estopim para a consolidação do movimento no cenário musical da década de 1960 foi o 3º Festival de Música Popular Brasileira, em 1967, quando Caetano Veloso interpretou a música “Alegria, Alegria” e Gilberto Gil – acompanhado pela banda Os Mutantes – mandou ver “Domingo no Parque”.

Um ano depois, em 1968, o festival passou a ser considerado essencialmente tropicalista. Nele, o cantor e compositor Tom Zé – então uma novidade na música brasileira, com suas canções influenciadas pelo concretismo – tocou a canção “São São São Paulo”. No mesmo ano foi lançado o disco “Tropicalia ou Panis Et Circencis”, um manifesto composto pelos artistas  e, de acordo com a revista especializada Rolling Stone Brasil, é o 2º melhor disco da MPB. 

As influências intelectuais dos tropicalistas perpassam pelo movimento modernista, embora – no início – os baianos não tivessem tanta compressão acerca dessa conexão. Isso mudara quando o poeta Augusto dos Campos apresentou ao grupo a obra de Oswald de Andrade (1890-1954), maior expoente do movimento que sacudira a Semana de Arte Moderna em 1922. Vale destacar que o movimento floresceu na cidade de São Paulo e suscitou nos meios intelectuais (sejam acadêmicos ou não) várias críticas.

Com atuação no campo da música popular e exposto às complicações da cultura comercial e dos veículos de comunicação de massa, Caetano e Gil resolveram tomar partido de construções alegóricas. Para criticar aqueles que lhes teciam comentários mordazes, os dois começaram a exaltar – de maneira para lá de sarcástico, é bom dizer – as contradições de um País onde arcaísmos e modernidades conviviam e se entrechocavam. Isso tudo caia como uma bomba no programa nacional-popular.

Durante uma entrevista concedida no ano de 1967, Caetano fez o seguinte comentário àqueles que cobravam de si mais compromisso com as chamadas “raízes” da cultura nacional. "Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar dificuldades técnicas. Ora, sou baiano, mas a Bahia não é só folclore. E Salvador é uma cidade grande. Lá não tem apenas acarajé, mas também lanchonetes e hot dogs''. O tropicalismo continuou a despertar interesse em novas gerações.

Serviço:

Flamboyant In Concert

Show Gilberto Gil

Data: 29 de outubro

Horário: 19h30

Local: Deck Parking Sul - Piso 1

Classificação etária: livre

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