Cultura

No Timbre: Trem de doido descarrilhado, Vish Maria!

Banda goiana traz uma viagem ao melhor dos anos 70 com criatividade e expressão sonora cativante e está prestes a lançar um disco de composições autorais

diario da manha

Em Goiânia vem surgindo uma nova aurora dentro da dita cena do rock independente. Não temos somente os gritos rasgados dos HCs da vida, nem os riffs repetitivos feitos em duas guitarras pelos, tão frequentes e não mais tão em alta, stonners. Temos hoje, surgindo ao longe, bandas e grupos que apostam em mesclas de estilos, épocas e instrumentos cada vez mais compostos nas criações.

Um dos bons exemplos da nova safra de música autoral na cidade, certamente, é a gloriosa Vish Maria. Os caras aparecem com a cara e a coragem, mandando músicas de fritações progressivas de mais de 10 minutos em festivais.

A sensação que tive ao assistir a galera, ao vivo, com um ar meio hippie, calças de bocas largas, botas, coletes e cabelões ao vento,  no Festival Ganjaço, foi de um flashback aos eventos, ao ar livre, em parques, que rolavam Ave Sangria, Os Mutantes, O Terço, Recordando o Vale das Maçãs e o Perfume Azul do Sol, ou seja, a possibilidade de viver uma janela no passado.

Formada por Kellen Lomazzi, 253 anos de vampirismo, megafonista, vocalista e lavadora de pratos; Alex Mac’Arthur, 22 anos, organista, pianista e backing vocals; o luvinhada banda Yan Ferreira, 22 anos, guitarristas e violões, mais conhecido como Dr. Fazendas; Afonso do Sax, 32 anos, saxofone, flauta e backing vocals e, nas horas vagas, vendedor de bananas e Silvestre, 26 anos, baixo, backing vocals e lenhador. Descrição feita pelos próprios integrantes, o nome não podia ser mais autoexplicativo, ver e ouvir a banda é como soltar a expressão erradicada goiana, com origens católicas, e que agora se tornou um viral na boca dos jovens – Vish Maria!

Foto: Rafaella Pessoa
Foto: Rafaella Pessoa

DMRevista – Como e quando começou essa história da Vish Maria?

– Antes, o nome da banda era outro bem diferente, a vocalista era apenas uma mera fã que nos acompanhava a todos os shows (risos), até receber o convite do Alex para fazer um Tributo aos Mutantes, porém, tínhamos muita coisa ainda a amadurecer… A Vish Maria mesmo, surgi em 2012, começamos apenas com três integrantes: Kellen, Alex e Yan e muitas ideias malucas na cabeça. Foi um pouco canseira, porque pra compor nós carregávamos instrumentos até a Emac (Escola de Música e Artes), burlávamos a segurança do local somente para poder criar nossas músicas. Até mesmo um bumbo de bateria era levado pra lá. Outro fato é que os três dormiam no estúdio de amigos que sempre nos apoiaram muito – Juliano Padilha e o Paulim (Estúdio Atitude Musical) –, somente para poder levar à frente a ideia de finalizar as composições. Foi assim, dessa forma independente, que conseguimos participar de festivais como o Canto da Primavera (Pirenópolis-GO) e Tome no Tendencies (Palmas-TO).

DMRevista – Vocês estrelaram um espetáculo um tempo atrás, como foi isso?

— Então, foi pensado em se criar um show temático intitulado “Brazuca em Tempo de Rock”, para angariar fundos para dar continuidade no que havia sido começado. Era um tributo a cantores e bandas de Rock brasileiro da década de 60 e 70, no qual interpretávamos desde Tim Maia, Roberto Carlos até mesmo Casa das Máquinas, Ave Sangria e muitos outros, tudo bem direcionado ao que sempre ouvíamos e gostávamos. Antes de iniciar os shows do Brazuca, foi gravado um clip com as músicas que seriam interpretadas no show e foram tiradas algumas fotos para divulgação, tudo com ajuda de nossos amigos e por conta própria também.

DMRevista – E a atual formação, como se deu esse encaixe?

— Bem, até chegarmos a atual formação muita gente já passou pela Vish, muitos desistiram por não acreditar no que estávamos propondo, talvez mesmo por conta da nossa maluquice mesmo (risos). Porém, o nosso saxofonista, Afonso, topou, logo de cara, quando explicamos nosso projeto a ele, desde o início apostou na nossa ideia e sempre esteve conosco sem qualquer interesse extramusical. Mas um fato interessante que ocorreu é que durante os shows que fazíamos, sempre tinha um cara “bem animado” no meio da plateia, que cantava, dançava e até mesmo se emocionava com nossas interpretações, nosso Diegão, conhecido como Silvestre, sempre estava lá à frente da plateia, até que um dia ele pediu ao Alex para poder acompanhar a banda, mesmo que fosse somente para estar próximo de nós, então durante uma conversa concluímos: “Nós estamos precisando de baixista mesmo, vamos fazer um teste com ele!” (pois até então o Alex quem tocava teclado e baixo ao mesmo tempo), foi então que todos nós concordamos em convidá-lo para integrar a Vish. Costumamos dizer que ele é o cara mais emotivo da banda e o que mais acredita em tudo o que até hoje fazemos, o que nos dá o empurrão nas horas difíceis.

Foto: Rafaella Pessoa
Foto: Rafaella Pessoa

DMRevista – Quais são as principais influências e referências do grupo?

— Com certeza, a nossa maior referência é Arnaldo Baptista (assim como Os Mutantes), logo em seguida: Genesis (na fase de Peter Gabriel) e John Frusciante, mas ouvimos de “tudo”, de Piazzolla a Raul Seixas, passando por Zappa, Black Sabbath, David Bowie, Novos Baianos, King Crimson, Portishead, enfim, ficaríamos aqui um bom tempo falando sobre isso.

DMRevista – E bandas daqui de Goiânia, tem algum som de que gostem?

— Sim, com certeza! Ultimamente, andamos sacando bastante o som do pessoal do Cambriana, Vícios da Era, Carne Doce, Boogarins, Chá de Gim, Galo Power. Convenhamos, anda surgindo muita banda boa pra caralho aqui em Goiânia.

DMRevista – O que acham do cenário para a música independente?

— Muito difícil, sinceramente, para gravarmos nosso primeiro trabalho estamos passando por certas dificuldades, nossas músicas já foram compostas a um tempo, mas sempre na falta grana, então infelizmente/felizmente temos que sobreviver por conta de “shows tributos” para poder concluir o que começamos. Se não fosse pelo apoio de muitos amigos nossos e de nós mesmos principalmente, não teríamos concluído esse disco.

DMRevista – A questão de instrumentos, vocês também curtem “os valvulados”?

— Os amplificadores valvulados que, em alto volume e em grande potência, nos geram coisas mais puras como diria Arnaldo Baptista “a distorção plana, mais líquida e menos cerebral do que o transistor” nos traz ora indagações, ora plena certeza… digamos que é ao lado delas (válvulas) que queremos estar.

DMRevista – Isso é uma questão de estética ou a sonoridade realmente conta?

— Em primeiro, com certeza a sonoridade, pois os sons, os tons e as cores, todos eles nos movem para universos paralelos.

Ilustração - Rabiscos e Escarros
Ilustração – Rabiscos e Escarros

DMRevista – Os shows de vocês costumam ser bem animados, qual foi a melhor experiência no palco?

— Com certeza, no Festival Ganjaço da UFG 2015 (mais de três mil pessoal). Foi lá a receptividade maior, o primeiro show pós-disco finalizado e ainda não divulgado! O público incrivelmente se ligou no nosso som. Mas sempre quando voltamos atrás e lembramos do Festival Tome (Tocantins), sentimos uma sensação boa, pois lá foi a primeira vez que tocamos nossas musicas. O mais incrível, é que víamos algumas pessoas da plateia tentando acompanhar nossas letras, vibrando, com as nossas viagens e fritações. A receptividade de lá foi inesquecível.

DMRevista – Qual seria um grande sonho de vocês relacionado à música?

— Cada um tenta alcançar através da banda o melhor. Mas, primeiramente, permanecermos unidos, pois, sem isso, não chegaríamos a lugar nenhum. A partir desse princípio, levar nossa música ao máximo de pessoas possíveis, sem abrir mão de fazer o que bem entendermos, enfim, liberdade total!

DMRevista – Questão de produção, está para sair um disco, como vai ser essa parte?

— Nosso disco está sendo produzido por Luis Calil (vocalista da banda Cambriana), com total direcionamento de nós mesmos (inclusive, todas as loucuras que vocês ouvirão no disco). É válido lembrar que a foto da capa do disco foi feita por Rafaella Pessoa uma amiga nossa que sou captar bem o espírito da banda. Nessa jornada, estamos caminhando totalmente independentes, sem qualquer apoio e nos orgulhamos de ter chegado até aqui.

DMRevista – Além do disco, vocês estão com shows marcados?

— Estamos tocando por aí, em alguns palcos goianos, estamos fechando algumas casas pelo Brasil e em alguns universos paralelos: quermesses, festas juninas, inaugurações de bingo, forrós da melhor idade, festa de senhores de 72 anos bissexuais, inclusive no clube de associados dos fãs de Ivo Holanda. Telefone para contato: 0800 666 666 xxx.

DMRevista – Qual é uma mensagem que deixariam para o público da banda?

— “Gostas do delírio, baby?”

Foto: Rafaella Pessoa
Foto: Rafaella Pessoa

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