Cotidiano

Ciúmes: do normal ao doentio

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) e a Classificação Internacional de Doenças e Problemas de Saúde Relacionados (CID-10), classifica o ciúmes como um transtorno delirante, que em excesso pode ser considerado uma patologia

diario da manha
Foto/Reprodução: Lista Marau

O ciúmes apesar de muitas vezes visto de forma negativa é um sentimento inerente aos seres humanos e que pode estar presente nas mais diversas relações. Em um relacionamento amoroso esse sentimento se apresenta como uma insegurança que vem do medo de perder a pessoa amada. Apesar de naturalizado por nossa sociedade, o ciúmes, mas especificamente seu excesso, pode provocar descontentamento nas relações sociais e conjugais.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) e a Classificação Internacional de Doenças e Problemas de Saúde Relacionados (CID-10), o ciúmes é entendido como um transtorno delirante. Sendo assim, esse tipo de manifestação psicológica, quando muito acentuada, pode ser considerado um distúrbio. 

Conforme o DSM-IV, esses casos, conhecidos como ciúmes obsessivo ou também chamado de ciúmes patológico, tem como característica a presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem por pelo menos um mês, o que foge do considerado saudável. Geralmente a pessoa que tem ciúmes obsessivo afirma sem nenhum motivo evidente ou justo de que está sendo traído ou enganado pelo parceiro. 

Apesar disso, especialistas ressaltam que ter ciúmes em alguma relação é completamente normal, já que em relacionamentos amorosos, o parceiro romântico expressa esse sentimento por receio, em que seu maior desejo é preservar e permanecer com a pessoa amada. Devido esse medo pela perda do outro, o ciúme quando saudável, é comumente associado a uma forma de demonstrar afeto pelo parceiro na relação, por remeter a esse cuidado. 

A estudante Jéssica Ramos de Oliveira, de 27 anos, diz que é uma pessoa ciumenta, mas dentro da normalidade. Para ela, o ciúme é um sentimento saudável, quando não advém de uma relação doentia, que afete o parceiro de alguma forma negativa. 

Assim como afirmam os psicológos, Jéssica entende que como maior parte dos sentimentos, o ciúme é algo que não se pode escolher sentir e, que é uma forma de demostrar o carinho pelo outro, mas segundo a jovem, existe um limite aceitável.

“Acredito que deva ser [uma forma] de cuidado, quando está dentro do  limite, sem sentimentos de posse ou de desconfiança que podem levar até a agressões físicas e psicológicas”, diz a estudante.

Ciúmes em excesso pode levar a infidelidade

O fato é que esse sentimento tão comum nas relações conjugais e cotidianas, deve ser percebido conforme a satisfação da outra pessoa afetada pelo ciumento. É o que mostra a tese de mestrado do psicólogo Thiago de Almeida, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), que e voltada para os relacionamentos amorosos.

Segundo a pesquisa, quanto maior o ciúme, maior a chance de ser traído. A análise foi feita com 45 casais paulistanos heterossexuais, de diferentes idades e classes sociais, com pelo menos seis meses de relacionamento, em que tinha como objetivo avaliar a relação entre o ciúme e a infidelidade.

De acordo com o estudioso, o  ciúme excessivo é capaz de desencadear o comportamento infiel do parceiro por gerar conflitos constantes, minando  a qualidade do relacionamento, e fazendo com que o temor se concretize. “Toda vez que a pessoa chama atenção da outra por ter olhado para alguém, ela a encoraja a olhar”, diz o psicólogo.

Dessa forma, o ciúmes pode ser considerado normal quando estabelecido em uma relação conjugal que há respeito em ambas as partes. Ao ultrapassar essas barreiras, passa a ser obcessivo, em que a normalização do ciúme em uma relação amorosa pode ter implicações negativas e até mesmo gravissíma, como relatado constantemente em veículos de informação.

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