Coronavírus

Vacina contra Covid é 90% eficaz, anunciam Pfizer e BioNTech

Laboratórios se tornaram os primeiros a obter sucesso em testes clínicos em larga escala

diario da manha

A farmacêutica americana Pfizer anunciou nesta segunda-feira (9) que sua vacina em parceria com a alemã BioNTech, tem mais de 90% de eficácia na prevenção da Covid-19, conforme dados iniciais do estudo que está na terceira fase de testes. Com isso, os laboratórios se tornaram os primeiros a obter sucesso em testes clínicos em larga escala.

As empresas ainda declararam que não havia preocupações relevantes de segurança relacionada ao imunizante e que pediriam aprovação em caráter de emergência às agências reguladoras dos Estados Unidos ainda neste mês.

Caso autorizada, a vacina terá uso limitado inicialmente. As empresas ainda não esclarecem questões por exemplo de quanto tempo o imunizante fornece proteção. Porém, os resultados aumentam as esperanças quanto ao grau de eficácia das demais vacinas que estão sendo testadas.

“Hoje é um grande dia para a ciência e para a humanidade”, comemorou o presidente e diretor executivo da Pfizer, Albert Bourla. “Atingimos esse marco crítico no desenvolvimento de nossa vacina no momento em que o mundo mais precisa, com os índices de infecção atingindo novos recordes, hospitais quase além de suas capacidades e economias lutando para reabrirem”, afirmou.

Otimista, o Cofundador e presidente-executivo da BioTech, Ugur Sahin, disse que espera que o efeito de sua vacina experimental Covid-19, desenvolvida em parceria com a Pfizer, dure cerca de um ano. “Devemos ser otimistas de que o efeito da imunização pode durar pelo menos um ano, disse Sahin.

Testes com 90% de eficácia

O objetivo da Pfizer é receber autorização em caráter de emergência para a vacinação de pessoas com idades entre 16 e 85 anos. Para isso, a empresa deverá reunir dados de segurança em um período de dois meses sobre metade do estudo, que tem cerca de 44 mil participantes no total, até o final de novembro.

A farmacêutica informou que a análise inicial foi conduzida após 94 dos participantes no teste com a vacina terem contraído covid-19, e após o exame de quantos teriam recebido a vacina ou um placebo. A empresa não divulgou exatamente quantas dessas pessoas adoeceram, mas com mais de 90% de eficácia, pode-se calcular que oito das 94 que contraíram o coronavírus Sars-Cov-2 foram vacinadas. A vacina foi administrada em duas injeções com três semanas de intervalo.

Com isso, a taxa de eficácia está bem acima dos 50% exigidos pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA para uma vacina contra o coronavírus. Para confirmar o índice de 90%, os laboratórios continuarão a realizar testes até que haja 164 casos entre os participantes. Em que, devido o recente aumento de casos no país, esse número poderá ser atingido até dezembro.

Os dados ainda precisam ser examinados por outras fontes científicas e publicados em um jornal médico, o que deverá ser feito logo que a Pfizer tenha os resultados do estudo.

Corrida Global para produção do imunizante

A parceria entre Pfizer e a BioNTech tem um contrato de 1,95 bilhão de dólares com o governo americano para produzir 100 milhões de doses da vacina, começando ainda neste ano. Também há contratos com União Europeia, Reino Unido, Canadá e Japão.

Na busca por tempo, as empresas começaram a fabricar a vacina antes mesmo de saber se o imunizante seria eficaz. Elas esperam agora produzir até 50 milhões de doses, o que seria equivalente para imunizar 25 milhões de pessoas ainda em 2020. Já no próximo ano, a Pfizer espera produzir 1,3 bilhão de doses.

A corrida global por uma vacina fez com que os países mais ricos fechassem acordos bilionários com farmacêuticas como a Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson, o que gerou dúvidas sobre o acesso aos imunizantes para os países mais pobres.

Dessa forma, o desenvolvimento de nove possíveis vacinas está sendo acompanhado pela iniciativa global Covax Facility, liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que planeja distribuir 2 bilhões de doses em todo o mundo até o final de 2021. A iniciativa, que conta com a participação 168 países, incluindo o Brasil, busca garantir os investimentos globais em pesquisa, produção e distribuição equitativa dos imunizantes contra o coronavírus Sars-Cov-2.

Comentários