Cotidiano

PM-GO constata queda de 73% de mortes nas estradas após fim de radares móveis

Medida do governador Ronaldo Caiado ataca indústria da multa e comprova ineficácia de equipamento; radar estilo pistola causou indignação no cidadão

diario da manha
Radar em forma de pistola: modelo aumentou quantidade de multas, mas não foi eficaz para conter mortes nas estradas durante período de uso

Dados do policiamento rodoviário (CPR) em relação aos números do primeiro semestre de 2018, 2019 e 2020 revelam que ocorreu redução no número de acidentes após a retirada de radares móveis no Estado de Goiás.

As estatísticas do primeiro semestre de cada ano comprovam que a medida, uma promessa de campanha do governador Ronaldo Caiado contra a indústria da multa que imperou no Estado até 2018, pode ter relação com a queda.

“Não temos aqui uma indústria de multas. Não temos no nosso governo aumentos de arrecadação com multas”, afirma Pedro Sales, presidente da Goinfra, entidade que ordenou a retirada dos radares móveis.

Em 2018, ocorreram 442 acidentes de trânsito com vítima fatal; 886 com vítimas, mas não fatal, e 284 acidentes sem vítimas.

Um ano depois, após a medida de Caiado, os números foram outros.  A queda de vítimas fatais foi brusca, segundo o relatório da Polícia Militar de Goiás (PMGO): 116. Ocorreram ainda 876 com vítimas e 284 sem vítimas.

Neste ano, com a pandemia do coronavírus, ocorreu maior queda: foram 109 mortos, 756 vítimas e 204 acidentes sem vítimas.

A queda mais significativa entre períodos ocorreu, contudo, entre o ano em que imperava a indústria da multa, em 2018, e quando o Governo de Goiá resolveu abolir o uso dos equipamentos maliciosos para multar o motorista goiano, com -73,61% de mortes.    

Nas primeiras semanas de janeiro 2019, 54 radares móveis foram retirados. Destes, 24 eram o modelo “pistola”, utilizados pelo Batalhão Rodoviário da Polícia Militar.

Na época do lançamento do produto, em que gestores passados apontavam a “pistola” como se fosse uma arma contra o cidadão, ocorreu grande reação da população nas redes sociais, que se revoltaram com a medida, nitidamente para punir o povo e “pegar” o motorista desprevenido nas rodovias.

Os equipamentos eram utilizados para registrar os flagrantes de excesso de velocidade nas rodovias goianas, mas na maioria das vezes estavam desregulados para apanhar maior número de pessoas. 

A medida não impede outras formas de colhida de provas, já que as infrações continuam monitoradas pelo aparato de fiscalização das forças de segurança.

O que se coibiu nas estradas foi o abuso. Caiado afirma que sua gestão colocou fim à indústria da multa, com a economia quase R$ 35 milhões em 2019 por conta dos goianos. “Logo que assumi o mandato, vi que havia órgãos estaduais que eram utilizados mais para sustentar um projeto político de ordem pessoal ou senão para enriquecimento ilícito de pessoas”.

Comentários