Cotidiano

Mulheres relatam violência doméstica na quarentena

diario da manha

Mulheres relatam violência doméstica e abusos dos maridos durante a quarentena definida para conter o avanço do covid-19. A paulistana Raquel, 34, que está com o marido e filho de 10 anos, declarou que sofre ofensas e humilhações desde que eles se fecharam em casa, seguindo a orientação de isolamento social pelo governo do estado de São Paulo.

Raquel relatou que a violência psicológica começa na tentativa de dividir as tarefes domésticas. Segundo ela, o marido não contribui em casa, e quando ela reclama que é tratada como empregada, ele fica com raiva e faz ameaças contra ela. “Diz: ‘Você vai ver’, e coisas do tipo”, desabafa. A paulistana teme que algo mais grave aconteça, porém, alega que não tem para onde ir neste momento.

Especialistas relatam que problemas na divisão dos afazeres domésticos têm sido a fonte para iniciar situações de violência doméstica, psicológica e com o risco de agressões físicas.

Assim como o caso de Raquel, outras mulheres em situação parecida, relatam ouvir ofensas e temem como a agressividade pode evoluir para os piores casos.

Trabalho doméstico é sobrecarga física e mental

A promotora do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, afirma que o excesso de trabalho doméstico é um fator de estresse e sobrecarga física e mental para as mulheres. Deste modo, segundo ela, se cria um clima oportuno para a violência quando elas pedem ajuda dos companheiros.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto mulheres dedicam 20,9 horas semanais para as tarefas de casa, os homens dedicam 10,8 horas. Segundo a promotora, esse quadro não muda mesmo com a quarentena.

A jurista especialista em direitos humanos das mulheres e assessora jurídica do Ministério Público do Espírito Santo, Renata Bravo, explica que essa situação acontece porque sempre foi esperado a força física dos homens como forma de afirmar masculinidade. Já o lar, construído para a atuação das mulheres.

Bravo alega que houve uma construção dos papeis sociais para que os homens se assimilassem como menos ‘machos’ por fazerem a tarefa doméstica, afinal o cuidado da casa sempre foi da mulher.

A jurista é uma das fundadoras do projeto Juntas e Seguras, que busca ajudar vítimas de violência doméstica durante o isolamento social.

Remédio para dormir para evitar violência doméstica

A assistente e coordenadora da ONG Cordel Social, que ajuda outras mulheres, Lucy Lima, afirma que já sofreu com violência doméstica. Ela afirma que recebe várias mensagens de esposas que não suportam lidar com os maridos descuidados. Eles que não aceitam dividir as tarefas, usam isso como argumento para ofender as esposas por ‘não trabalharem direito’.

Segundo a Lei Maria da Penha, esse comportamento pode ser considerado violência psicológica, por tentar ‘degradar ou controlar’ suas ações.

Lucy relata que em um dos casos, a vítima está tomando remédio controlado para dormir um pouco mais, já que não suporta as reclamações do marido de tudo que ela faz. “Seja do almoço, jantar até a roupa, que afirma estar mal lavada”, afirma.

Embora, apesar dos casos que estão aparecendo, há entendimento de que mais mulheres estão percebendo que não é obrigação delas assumir toda responsabilidade em casa.

Lucy declara que temos a responsabilidade dos cuidados e afazeres domésticos estão sendo discutidas em meios amplamente transmitidos, como novelas e reality shows.

*Com informações do UOL

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