Cotidiano

Candidaturas, entre a incerteza e a insegurança

diario da manha
FOTO:DIVULGAÇÃO

O cenário político econômico após as eleições de 2018 foi tema básico do seminário realizado, on­tem, em Goiânia. O encontro que reuniu mais de cem empresários foi realizado pelo Lide, grupo de lideranças empresariais, e teve a parceria do Sebrae, onde foi rea­lizado o encontro, e da Adial. Os conferencistas Cristiana Lôbo, co­mentarista do Globo News, e Mar­cos Troyo, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, demons­traram preocupação com as pers­pectivas político-econômicas dos candidatos à Presidência da Re­pública Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Segundo eles, o candida­to do PSL provoca uma interroga­ção, e do PT, a insegurança.

Cristiana Lôbo é jornalista goia­na, natural de Morrinhos, forma­da pela Faculdade de Jornalismo da UFG, começou na imprensa de Goiânia e posteriormente fez car­reira nos principais veículos do eixo Rio–São Paulo- Brasília. Ela abriu sua palestra dizendo de sua “impa­ciência” na marcha das apurações, domingo à noite, quando os resul­tados eram divulgados pelo Globo News. Mas, a demora foi tanta, que Cristiana não se conteve e indagou porque a emissora não divulgava a finalização da apuração em Goiás. Finalmente, foi atendida.

MUDANÇA BRUSCA

Os resultados das urnas foram surpreendentes para a experiente profissional, que carrega na baga­gem coberturas de sucessivos pre­sidentes brasileiros e viveu o perío­do de redemocratização nacional. A queda de lideranças tradicionais chamou a sua atenção, entre eles Marconi Perillo e Dilma Rousseff, que apareciam nas primeiras po­sições nas pesquisas eleitorais. Em sua opinião, o “eleitor quis mudar” e agiu bruscamente. Um certo can­saço com as velhas lideranças, en­fatizando o combate à corrupção, o desemprego, a insegurança pública, a questão da saúde e da educação.

Avaliando as duas candidatu­ras em seus extremos, teme pela desarmonia, quando o País ne­cessita da pacificação. Em sua opi­nião, a “política existe para pacifi­car os conflitos”. Para ela, “não se pode esperar do Bolsonaro uma pacificação”. Haddad, por sua vez, segue a máquina petista, “magoa­da com o mercado”. Se o PT leva o povo às ruas, o Bolsonaro tam­bém. O que representa uma no­vidade. O eleitor do Nordeste deu 49% dos votos a Haddad. Cristiana acha pouco, entendendo que há espaço para o candidato do PSL. “Esperava mais de 60%”, sustenta.

Ao tecer críticas ao comporta­mento de Fernando Haddad na campanha eleitoral, as contínuas idas a Curitiba para ver o Lula, sua opinião é de esse comportamento “pega mal”. Afinal, trata-se de um prisioneiro por corrupção. E o elei­torado no tsunami do voto quis ba­nir os políticos que adotam a práti­ca da desonestidade. Quanto a Jair Bolsonaro, entende que ele precisa remover a imagem deixada por Fer­nando Collor quando foi candidato. “O prendo e arrebento deu no que deu”, observa. Essa imagem preci­sa ser removida o quanto antes pelo candidato pesselista.

As reformas básicas, como da Previdência, devem estar na pauta para que o Brasil supere a crise po­lítica e econômica. Em sua visão, “o Brasil não tem clima para golpe”. Segundo Cristiana, a comparação de Bolsonaro com Hugo Chávez não faz sentido. “Este implantou uma ditadura da esquerda, numa verdadeira guinada”, lembrou da alteração política na Venezuela, onde as liberdades sumiram as­sim como a comida das prateleiras. Para ele, “o general Mourão fala o que vem na cabeça, mais é um de­mocrata”. Encerrando, sua mensa­gem foi positiva, apesar das dificul­dades: “Vamos atravessar a crise”.

INCERTEZA E INSEGURANÇA

Marcos Troyo tem um currículo para ninguém botar defeito. É gra­duado em ciência política e econo­mia pela Universidade de São Pau­lo (USP), doutor em sociologia das relações internacionais pela USP e diplomata. É integrante do Conse­lho Consultivo do Fórum Econômi­co Mundial, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, pesquisa­dor do Centre d´Études sur l´Actuel et le Quotidien (CEAQ) da Univer­sidade Paris-Descartes (Sorbonne).

Ele discorreu um pouco sobre o processo de globalização, enfa­tizando as mudanças com Trump nos Estados Unidos, na China e nos demais países da Ásia. O Brasil pre­cisa estar atento a essas alterações econômicas. Por isso, considera im­portante o que vem do pleito de 28 de outubro próximo. “É necessário aproveitar as chances a partir de 1º de janeiro de 2019”, recomendou. E observou: Bolsonaro é a grande in­terrogação. E Haddad o certificado de garantia por quatro estelionatos.

E enumerou: 1º, da Política Eco­nômica inflacionária, suposta taxa­ção de ricos achando que beneficia­rá os pobres; uso indevido do Banco de Desenvolvimento; fuga de capi­tais do Brasil para Portugal, Flórida ou Assunção. 2. Política de Desen­volvimento com a retórica de bus­car recursos do BNDES e do Banco Mundial. 3. Da difusão do monopó­lio estatal. Uma aliança com o que há de mais atrasado na política. 4. Da falta de justiça e do estado de Di­reito. No primeiro momento, atuará para retirar Lula da cadeia.

A Jair Bolsonaro, candidato de linha liberal, Marcos Troyo vê a in­certeza que “pode dar certo ou er­rado”. Ele atribui ao candidato, um discurso nacionalista. E concorda que empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil “deixaram de ser estratégicos”. Observou que a energia eólica está rapidamente ocupando o petróleo por ser mais barato e não afetar o meio ambien­te. A revolução tecnológica faz-se cada vez mais presente.

Encerrou dizendo que “o Bra­sil para sair da caverna precisa ficar livre do PT”, numa compa­ração com os garotos presos na caverna inundada na Tailândia. Tinham que ser removidos para disporem de nova vida.

Por último, Paulo Goulart, exe­cutivo da K2K Investimentos, pro­feriu a última palestra do painel. Segundo “as mudanças são ne­cessárias no Brasil, sobretudo nas áreas de gestão, governança, finan­ças, compliance”. O País sempre vi­veu período de ciclos econômicos. Deu um recado para o compor­tamento familiar, demonstrando que o mundo está em crescente e rápida mudança:–Estar com a fa­mília estará cada vez mais difícil.

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