Cotidiano

Principais causas de incêndio

diario da manha
Segundo o tenente Hugo de Oliveira Bazilio, dentre os maiores responsáveis por iniciar um incêndio nas residências estão os eletroeletrônicos motorizados: ventiladores, geladeiras e ar-condicionado(FOTO:DIVULGAÇÃO)

Um incêndio doméstico pode ser evitado de várias maneiras. São necessários apenas alguns minu­tos para que um incêndio trans­forme uma casa em cinzas. Os in­cêndios acontecem, na maioria dos casos, devido a falta de cuida­do ou desrespeito das normas de segurança de utilização de equi­pamentos domésticos.

O Corpo de Bombeiros registra anualmente milhares de chama­dos contra incêndio em residências no Brasil. Em Goiás, a corporação recebeu, desde o ano passado, cer­ca de seis mil ligações, através do 193 para combater um incêndio. Só no mês de março e abril, foram recebidas 471 ligações. Em mui­tos casos, esses moradores se ex­põe sem saber que o fogo poderia ser evitado com simples cuidados.

Mesmo com campanhas de conscientização, a ocorrência de incêndios em residências no Brasil é mais comum do que o noticiado. O princípio dos incêndios, portanto, são causadas por maus hábitos ou descuido dos próprios moradores.

Segundo o chefe do Centro de Investigação e Perícia de Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar, tenente Hugo de Oliveira Bazilio, dentre os maiores res­ponsáveis por iniciar um incêndio nas residências estão os eletroeletrônicos motorizados, como por exemplo, ventiladores, ge­ladeiras e ar-condiciona­do; os equipamentos que produzem chama aber­ta como velas e fogões e também, os equipamen­tos que produzem aque­cimento, como fornos e ferros de passar roupa.

De acordo com o te­nente, esses equipamen­tos sendo utilizados de forma inadequada pode ser um risco para a resi­dência. “A associação en­tre mau funcionamento e mau uso é perigosíssi­ma”, explica.

Em caso de incêndio, recomenda-se priorizar a vida e não dar impor­tância a bens materiais, deve ter em mente, que o importante, é retirar to­das as pessoas do local. O combate feito por um ci­dadão, segundo Bazílio, só deve ser feito quando o foco for pequeno. Caso já existem chamas grandes ou mui­ta fumaça, o Corpo de Bombeiros orienta que a única coisa a ser feita é abandonar a casa e aguardar que o combate seja feito por pessoas trei­nadas e equipadas. “A maior causa­dora de mortes em incêndios éa fu­maça, não as chamas propriamente ditas”, destaca Tenente Bazílio, que é especialista em combate a incên­dio urbano.

O tenente ressalta a importância de tomar todos os cuidados neces­sários para evitar que estes tipos de acidentes aconteçam, pois na maio­ria dos casos, não termina com um final feliz, principalmente, os casos que envolvem as crianças.

Dentre os combates de incên­dio no qual esteve presente, o te­nente diz ser difícil escolher um momento marcante para a sua car­reira, mas destaca a situação de um jovem que aos prantos, conta­va para a esposa grávida, que todo o trabalho de uma vida havia sido consumidos pelas chamas. Ele também relata um momento em que uma criança de 10 anos, ten­tou se proteger das chamas no ba­nheiro e veio a falecer. “Tento fo­car nos casos de superação, como no caso de uma vizinha de 17 anos que salvou um bebêde 6 meses de idade das chamas. Hámuitos ca­sos em que nossas guarnições re­tiram crianças e idosos de situa­ções em que haveria morte certa. As pessoas não têm essa noção, mas ocorrem muitos incêndios re­sidenciais na região metropolitana de Goiânia e esses incêndios são sempre muito traumáticos”, conta.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

O tenente da corporação expõe que as medidas necessárias que os moradores devem seguir, são aquelas onde seja apurado o senso de risco, ou seja, que tenham no­ção dos perigos que podem acon­tecer caso seja feito algo inadequa­do, propício a iniciar um incêndio. Dentre os cuidados básicos estão:

utilizar os equipamentos con­forme as orientações dos manuais, observando distâncias de ma­teriais combustíveis, voltagem, condições de ventilação, tempo de uso, etc;

realizar a manutenção dos equipamentos em assistência téc­nica especializada, sempre que apresentarem problemas de fun­cionamento ou no tempo reco­mendado nos manuais;

realizar a instalação e ve­rificações periódicas das con­dições das instalações elétricas da residência com profissional competente;

ao sair de casa, certificar-se de que os equipamentos estão de­vidamente desligados;

ao sair de casa deixar fecha­das todas as portas (é impres­sionante como a compartimen­tação dos ambientes restringe a propagação e alimentação das chamas);

monitorar as brincadeiras das crianças e conscientizá-las dos riscos do fogo e dos equipa­mentos da casa;

restringir o acesso de crian­ças a equipamentos e materiais que produzam chamas

trocar os registros e manguei­ras do gás de cozinha sempre que estiverem vencidos (vencem em 5 anos) ou em más condições de conservação. Atentar para subs­tituir por mangueiras e registros com selo do Inmetro;

tomar cuidado com a dis­posição dos materiais combustí­veis (papéis, panos, almofadas) dentro da casa de modo que não fiquem perto de equipamentos que produzam calor e não obs­truam as saídas das pessoas em caso de incêndio;

atentar para a boa conser­vação do sistema de prevenção a incêndio, como as condições dos extintores, das mangueiras de incêndio, o adequado fecha­mento e vedação das portas das escadas de emergência, etc;

CASOS RECENTES

No dia 14 de abril, uma mu­lher morreu após o apartamen­to onde morava, na Vila Jaraguá, pegar fogo. De acordo com o Cor­po de Bombeiros, ela teve 72% do corpo queimado e estava sozinha quando o fogo começou. Peritos apuram se o incêndio começou na geladeira da família. A vítima che­gou a ser socorrida e levado em es­tado gravíssimo ao Hospital de Ur­gências Otávio Lage de Siqueira (Hugol) com queimaduras de 3º grau, mas morreu no dia seguinte.

Na última quinta-feira, uma cooperativa de reciclagem na GO- 060, entre Goiânia e Trindade, pe­gou fogo. O Corpo de Bombeiros informou que o incêndio come­çou em um galpão da cooperativa que fica na entrada do Aterro Sani­tário de Goiânia. As causas de in­cêndio foram desconhecidas, mas como foi informado pela corpora­ção, o local tinha muito material inflamável, o fogo foi controlado, e não houve vítimas

No mesmo dia, em Rio Verde, o Corpo de Bombeiros controlaram um princípio de incêndio no sho­pping em Rio Verde, que felizmente, não houve vítimas. Segundo infor­mações da administração do sho­pping, o incêndio foi motivado por conta da explosão de um interrup­tor de energia elétrica em um dos restaurantes do centro de compras.

Em São Paulo, um incêndio que chocou o Brasil, aconteceu nas pro­ximidades do Largo Paissandu, no centro da cidade, no edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e desabou. O incêndio começou na madrugada, no dia 1 de maio, e se­gundo depoimento de uma teste­munha, o prédio ficou em chamas, após um curto-circuito em uma to­mada, no 5º andar.

EVITE ACIDENTES DOMÉSTICOS

Fazer periodicamente a manu­tenção do sistema elétrico. Isso é importante pois curtos-circuitos são causas frequentes de incêndios em residências. Lembre-se de manter em perfeito estado as tomadas dos eletros eletrônicos.

O ideal é ter um quadro de luz bem localizado e circuitos identifi­cados conforme os pontos corres­pondentes, um disjuntor específico para o chuveiro, outro para a ilumi­nação dos quartos, etc.

O encanamento a gás é mais um ponto que merece destaque na pre­venção de incêndios. A segurança aumenta quando a tubulação, feita preferencialmente em cobre, é ins­talada nas paredes. Caso a família utilize o botijão dentro da cozinha, cuide para que a borracha e o re­gistro do gás sejam trocados a cada cinco anos. Nunca use ferramentas para apertar a borboleta do registro ao conectar ao botijão, pois em caso de vazamento ou fogo será fácil para desconectar e parar o vazamento.

Na falta de energia as famílias costumam acender velas por todos os cômodos da casa. Isso pode re­sultar em acidentes, pois geralmen­te são colocadas em locais inade­quados como móveis de madeira, perto de cortinas e objetos inflamá­veis. O ideal é manter uma lanterna em local de fácil acesso, ou mesmo ter uma luz de emergência que é fa­cilmente encontrada no mercado a preços acessíveis.

Perigo na hora de preparar refei­ção. Quem nunca viu a mãe fritan­do bife e de repente levantar uma enorme chama sobre a frigideira? Pois bem, isso acontece justamente pelo movimento que é feito. Quan­do algo que está superaquecido se inflama, não se deve movimentar nem tão pouco colocar em baixo da torneira, isso só irá alimentar o fogo. Com o movimento, mais oxigênio é trazido à chama, e se jogar água a chama e o líquido quente irão es­pirrar por todos os lados, podendo atingir a pessoa, objetos e tecidos ao redor dando início a um incêndio. O ideal é abafar, no lugar em que es­tiver o vasilhame em chamas, com uma tampa ou pano úmido.

Nunca coloque alimento para fa­zer no fogão ou forno e saia de casa ou se descuide, indo dormir ou as­sistir a algum programa. Muitos in­cêndios começam com a queima e superaquecimento do alimento, iniciando a chama pela alta tempe­ratura perto de um objeto que seja inflamável.

Aquecedores portáteis e ferros elétricos também podem causar incêndios de grandes proporções. Sempre que for utilizar um destes aparelhos certifique-se de que o lo­cal onde estiver não esteja próximo a objetos inflamáveis como corti­nas, tapetes, assoalhos sintéticos ou de madeira, etc. Certifique-se de desconectar da tomada após o uso.

 

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