Cotidiano

Os perigos de estudar demais

diario da manha

Para muitos manter o ritmo intenso na busca pelo conhecimento já se tornou rotina. Se você é um daqueles que passa horas a fio estudando, a ponto de sacrificar o sono e o lazer, por acreditar que quanto mais tempo passar envolvido com os estudos mais conhecimento absorverá, repense seus conceitos. Especialistas alertam que estudar demais pode comprometer o aprendizado e até mesmo a saúde daqueles que buscam aprender de forma desorganizada.

Em entrevista à reportagem do Diário da Manhã, a psicóloga clínica, mestra em psicologia Dalva de Jesus Cutrim Machado aborda a temática evidenciando que estudar em excesso pode causar estresse, ansiedade, nervosismo, tristeza, insônia, enxaqueca, insegurança e até depressão. “O cansaço mental é tanto que a pessoa poderá sentir-se fatigada fisicamente, como dores no corpo, dor no estômago, gastrite, úlcera, cansaço muscular, que não são nada favoráveis ao rendimento”, afirma.

Dalva descreve que muitas vezes o estudante que deseja aumentar o nível de atenção e desempenho no aprendizado acaba por fazer uso, muitas vezes, abusivo de remédios controlados e de produtos naturais, os quais, avalia a especialista, podem causar sérios danos à saúde. “Quando o sistema nervoso central é estimulado de forma incorreta e/ou desnecessária, seja através do excesso de cafeína ou de medicamentos, todo o resto será prejudicado”, adverte.

Como consequência, ela acrescenta: “a pessoa poderá desenvolver distúrbios mentais, além de dificuldade para dormir, delírios, medo sem explicação, insegurança, taquicardia, agitação, nervosismo, ansiedade, angústia, enjoos dentre muitos outros sintomas”, define. Para ela, saída é ter equilíbrio emocional, uma vez que este está diretamente ligado com nosso sistema nervoso central.

“Organização, disciplina e equilíbrio emocional são as respostas. Organização para estabelecer os objetivos a serem alcançados e a forma de realizá-los. Disciplina para prosseguir diante das dificuldades e equilíbrio emocional para não se deixar abalar diante das dificuldades, lidando com cada situação de forma específica e moderada”, assegura.

Cutrim avalia que, geralmente, a dificuldade de aprendizado não está ligada somente a fatores cognitivos, mas sim psicológicos, como excesso de ansiedade por resultados imediatos e insegurança acerca da sua capacidade de aprendizado. “O controle das emoções é crucial para o rendimento proveitoso em toda e qualquer atividade”, declara.

Estudo organizado

De acordo com o professor de estatística e raciocínio lógico, coordenador do Tese Concursos, Pedro Menzel Galvão, estudar muito faz mal se for feito de maneira desorganizada. Ele afirma que o importante é saber os limites para evitar o esgotamento mental.

“Estudar muito não faz mal a ninguém, contando que seja de uma forma planejada, o limite estabelecido é aquele enquanto você está tendo algum tipo de assimilação no que está estudando. Se você tem um tempo maior para estudar nunca dedique esse tempo a um assunto só, a uma única matéria. É preciso dividir seu tempo em vários assuntos distintos para que você não tenha  um cansaço mental”.

Menzel ressalta que estudar oito, dez horas ininterruptamente não é o ideal para um aprendizado eficaz. Sugere ao estudante, nos intervalos dos estudos, a prática de outras atividades como uma caminhada, parada para um lanche, conversar com amigos, enfim, a realização de alguma coisa intermediária para aliviar a mente antes de retomar os estudos.

“Por isso o planejamento é fundamental, considero que o ideal é que o aluno não estude mais que quatro horas seguidas. Recomendo que ele divida seu tempo no dia em três períodos de quatro horas e o restante ele vai intercalar prazeres e outras atividades e no final de semana que ele tire, pelo menos, uma parte para descanso”, orienta.

O professor acredita que o importante é não ter pressa, “o estudo é um processo lento, aprendizagem é um processo lento. Toda pessoa tem que respeita seu limite, não se comparando com outros, cada um tem seu tempo de estudo”, conclui.4-2

 

Pedro Menzel Galvão dá sugestões de como estudar

O estudante deve criar um objetivo, esse objetivo vai determinar primeiro quais são as matérias iniciais que ele deve estudar.

Deve determinar um tempo de estudo para matérias que são consideradas matérias básicas. Na maioria dos concursos, por exemplo, português, redação, informática, matemática, raciocínio lógico, direito constitucional, direito administrativo, são matérias que o candidato deve ter no seu rol de conhecimento de forma definitiva, porque quase todos os concursos têm essas matérias como tema programático.

A partir daí o estudante deve fazer uma divisão do seu dia de estudo, de modo que ele não fique muitas horas estudando diretamente e nem perca seu tempo só para uma determinada matéria.

Deve mudar de uma matéria para outra de preferência que tenha temas completamente diferentes, por exemplo, matemática e direito constitucional que têm temas completamente diferentes, um descansa a mente em relação ao outro.

O estudante deve também avaliar seu grau de conhecimento, se tem a necessidade de fazer um cursinho ou consegue ser um aluno autodidata, que dependa de seu estudo próprio ou utilize recursos da internet como: videoaula, explicações, textos da internet ou mesmo livros e apostilas para que ele possa adquirir o conhecimento necessário.

Se o estudante optar por um cursinho, de preferência que seja no período da manhã porque assim assistirá aula no momento em que a sua cabeça está descansada, sendo a primeira atividade do dia. À tarde, ele pode procurar a biblioteca e estudar e à noite completar o estudo em casa. Lembrando que todo estudo deve ser acompanhado de um lazer, esse lazer vai depender de cada pessoa.

O estudante pode continuar namorando, fazendo exercícios físicos, academia, caminhadas, visitando amigos, quer dizer, as atividades extras ele deve manter. Porque se ele cortar isso tudo vai ter o estudo como m sacrifício, aí sim, como sacrifício, logo, logo ele deixará de ter prazer e pode acabar interrompendo os estudos devido ao esgotamento mental.

 

5 Dicas de como estudar de forma planejada, por Maurício Valadão

1 – Tenha um cronograma

Você precisa ter um calendário de estudo, ou seja, um cronograma com os dias exatos que você irá estudar e as disciplinas almejadas. Sem uma boa rotina de estudo, você provavelmente não alcançará o hábito do estudo.

2 – Metas Diárias e Semanais

Trabalhe sempre com metas. O desenvolvimento de metas diárias e semanais te ajuda na motivação. Um progresso bem feito nos estudos, depende de sua meta. Quantas disciplinas ou páginas por semana, por exemplo, ajudará você verificar com mais facilidade se está cumprindo seu objetivo. Você pode definir, por exemplo, 10 exercícios de determinada matéria ou uma quantidade de páginas lidas.

3 – Arrume seu local de estudo

Não adianta nada você apenas querer estudar. Tenha um local organizado. Coloque os livros, papéis e anotações em cada lugar. Um local bem organizado vai evitar que você perca seu tempo. Dê preferência para ambientes arejados e iluminados. É importante também você organizar as disciplinas que irá abordar durante o dia ou semana. Não adianta colocar tudo em um caderno apenas e depois perder tempo procurando em qual folha anotou. Menos é mais, seja prático!

4 – Prática Organizada

Estudar a teoria é importante, mas não adianta apenas ler, ler e ler. Você precisa praticar. A prática fazer parte do aprendizado e com certeza você irá absorver ainda mais o conteúdo. O seu aprendizado depende muito mais da quantidade de prática que você executa. Você não se torna um bom cozinheiro apenas lendo livros de receitas, você se torna um bom cozinheiro quando executa a receita. Organize os exercícios de acordo com cada disciplina.

5- Dia de se planejar

Última dica, mas, uma das mais importantes. Separe um dia da semana para se organizar. Se planeje! Para organizar uma semana boa de estudo, você deve planejar o que irá fazer, como fazer e quantas horas irá se dedicar aos estudos. Sem um bom planejamento, sua aprendizagem não será válida.

 

 

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