Coronavírus

Coronavírus já circulava nos esgotos brasileiros desde 2019

Evidências apontam que o patógeno já estava circulando amplamente no mundo muito antes dos primeiros casos conhecidos de infecção na China.

diario da manha
Foto: Reprodução

Análises retrospectivas recentes de esgoto da Espanha, Itália e Brasil retornaram testes positivos para o novo coronavírus em amostras colhidas em março do ano passado, bem antes da primeira instância documentada do COVID-19 na China no final de dezembro.

Os níveis de uso de drogas ilícitas, bem como produtos farmacêuticos e outros compostos químicos são monitorados em comunidades em todo o mundo através de técnicas no campo conhecidas como epidemiologia de águas residuais.

Agora, especialistas estão exigindo uma detecção mais rigorosa do novo coronavírus nos sistemas de esgoto, pois há evidências de que o patógeno já estava circulando amplamente no mundo muito antes dos primeiros casos conhecidos de infecção na China.

Pesquisadores brasileiros anunciaram ter encontrado fragmentos de material genético do vírus em uma amostra de esgoto coletada em 27 de novembro na cidade de Florianópolis. A descoberta antecede o primeiro caso de COVID-19 no Brasil em 91 dias e também está à frente das infecções confirmadas iniciais nos Estados Unidos que ocorreram no final de janeiro.

Cientistas italianos anunciaram resultados semelhantes para amostras coletadas em Milão e Turim em 18 de dezembro, e as análises de esgoto de Barcelona recuperadas em 12 de março também mostraram sinais do vírus, de acordo com um estudo publicado em meados de junho.

As descobertas, paradoxalmente, lançaram luz e complicaram ainda mais o que sabemos sobre as origens da nova pandemia de coronavírus. Eles também provocaram pedidos de mais financiamento de projetos e aumento da colaboração internacional entre pesquisadores envolvidos no campo sem glamour, porém valioso, da ciência dos esgotos.

As técnicas para medir drogas e produtos químicos no esgoto foram aperfeiçoadas nas últimas duas décadas, enquanto as que monitoram possíveis surtos de doenças são mais recentes.

Cientistas de vários países começaram a testar o novo coronavírus nas águas residuais na primavera, depois que foi confirmado que o vírus poderia ser detectado nas fezes e na urina. Em março, pesquisadores na Holanda encontraram o vírus em amostras coletadas em uma estação de tratamento de águas residuais perto de Utrecht, semanas antes do primeiro caso confirmado de COVID-19 da cidade.

“Mesmo que as pessoas estejam no estágio inicial da infecção, sem sintomas, suas fezes ainda podem conter partículas virais”, disse Yang Zhugen, professor de tecnologia de sensores do Cranfield Water Science Institute, no Reino Unido.

Tais estudos inicialmente usam métodos que analisam fragmentos muito pequenos de material genético. Organismos intimamente relacionados (incluindo vírus da mesma família) podem ter segmentos semelhantes de DNA e RNA, o que significa que os pesquisadores devem executar testes repetidos e variados em várias amostras para chegar a conclusões claras.

O estudo na Itália, liderado pelo Instituto Nacional de Saúde da Itália, usou dois métodos separados de análise genética e também testou mais sequências genéticas de um número maior de amostras do que o estudo de Barcelona.

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