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Maio se destaca como o mês com mais mortes na história do Brasil

Devido a maior circulação de vírus respiratórios o inverno causa um número maior de óbitos

diario da manha
Foto: Reprodução

Segundo dados, maio de 2020 é o mês com o maior número de mortes por notificações em cartórios na história do Brasil. Nesta quinta-feira (25), haviam sido registradas 123.861 declarações de óbitos em todo o país, sendo 24.111 pela pandemia do Sars-CoV-2.

Anteriormente, o mês de junho era o que registrava o maior número de mortes no país, devido a maior circulação de vírus respiratórios. Também pelo fato de que problemas cardiovasculares são afetados por doenças virais respiratórias e o aumento dessas doenças impactam nesses números do mês de junho.

Segundo o portal da Transparência da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), que é abastecido com informações enviadas pelos cartórios, podem levar alguns dias para informar o óbito no sistema nacional.

Por conta da Covid-19 a Arpen criou um outro portal para detalhar apenas as mortes pelo novo vírus e doenças respiratórias em tempo real.

Para o banco de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que também tem como base a causa-morte indicada nas certidões de óbito, não há registro de um mês com tanta mortalidade como foi o mês de maio.

Até maio de 2020, o mês com o maior número de óbitos já registrados no país havia sido em julho de 2017, quando 122.610 pessoas morreram no Brasil, das mais diversas causas. Vale ressaltar que naquele ano os números mensais foram vultuosos devido a guerra de facções criminosas, que fez o país ter recorde de homicídios.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília, Ricardo Martins, explica que o número mais alto de mortes nos meses de julho ocorre pela maior circulação de vírus respiratórios no país.

“São doenças do inverno, aqueles quadros de gripe, de problemas por causas respiratórias. Isso começa ali por abril e chega a julho o pico. E já está bem demostrado que problemas cardiovasculares são afetados por doenças virais respiratórias. Então acredito que esse aumento dessas doenças faça com que esse número fique ainda mais significativo nos meses de julho”, destacou.

A principal causa

Segundo Martins, a situação dramática causada pela Covid-19 é inédita para profissionais de saúde de sua geração. “Nunca tivemos uma complicação desse nível, com tantas mortes por uma causa e tão curto tempo. Não tenho dúvidas de que esse vai ser o maior problema nos últimos 100 anos”, considerou.

Martins prevê que além da alta em maio virão dias difíceis pela frente no país, em junho e julho, por causa do novo coronavírus. “É uma doença de altíssimo grau de contagiosidade e está sobrecarregando hospitais, não só UTIs, mas também enfermarias. É uma coisa impressionante e angustiante. A gente vai acompanhando e só vê aumentar a mortalidade”, assegurou.

De acordo com o professor e pesquisador na área de doenças infecciosas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), Luis Carlos Arraes, não há outro fator que justifique uma alta tão grande de mortes em maio desse ano que não seja pela Covid-19.

“Os dados comprovam aquilo que já era até esperado, que houvesse um aumento na mortalidade em geral. A única coisa que aconteceu para justificar isso foi a epidemia do coronavírus”, afirma.

A mortalidade geral só não é maior, diz Arraes, porque no período de isolamento social houve uma queda natural em outras causas de mortes, como acidentes de trânsito e complicações geradas por cirurgias eletivas (que foram suspensas por causa da pandemia).

“Realmente é uma tragédia sem precedente recente. Esse número de mortes por Covid-19, apesar de altíssimo, ainda está abaixo do real. Basta ver a quantidade de mortes por SRAG [Síndrome Respiratória Aguda Grave], que tiveram aumento, mas não tem a causa dela. E com essa interiorização do vírus pelo país, temo que a gente vai perder mais dados”, apontou.

*Com informações do Uol.

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