Coronavírus

Atendimento psicológico é garantido por governo durante pandemia

Governo de Goiás já garantiu mais de 1,2 mil atendimentos psicológicos gratuitos à população no enfrentamento à pandemia. Pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19, pessoas com suspeita da doença e profissionais de Saúde têm à disposição equipe multidisciplinar, formada para atender a sociedade e reduzir os danos mentais provocados pela crise sanitária

diario da manha

Desde o início de abril, 1.227 goianos passaram pelo atendimento do Telessaúde, criado pelo Governo de Goiás com o propósito de tirar dúvidas da população sobre a Covid-19, realizar triagens, além de acompanhar suspeitas e casos confirmados. A ferramenta foi estruturada a partir de outra novidade, a Central de Orientações (Cori), que reúne uma equipe multidisciplinar com a missão de promover, via telefone ou chat, o acolhimento psicológico da sociedade durante esse período da pandemia.

Os dados da Cori mostram, ainda, que já foram finalizados 1.108 monitoramentos e que 119 estão em andamento. Esses números englobam 32 casos confirmados, 570 suspeitos, 611 não notificados e 13 de pessoas que mantiveram contato próximo com doentes infectados pelo coronavírus. Além disso, foram registrados 650 telefonemas com dúvidas gerais da população. A central é coordenada pela Superintendência de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e dispõe de psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, treinados pela organização internacional “Médicos sem Fronteiras”, e capacitados pela equipe de Saúde Mental da SES.

Em princípio, a Cori foi pensada como um canal exclusivo de atenção especializada para reforçar a saúde mental e o equilíbrio emocional dos profissionais da Saúde. Entretanto, o sucesso da iniciativa resultou na ampliação do programa, que foi estendido a toda a população. “Inicialmente fizemos uma proposta de trabalho para atender aos profissionais da Saúde, já que eles estão sob pressão e estariam sendo mais atingidos por todo esse processo emocional. Depois, percebemos que seria interessante expandir esse atendimento para todos”, explicou a superintendente de Saúde Mental da SES, Candice Rezende.

A preocupação constante com a contaminação pelo coronavírus gera nas pessoas sintomas de pânico e ansiedade, como a dificuldade para respirar, o que muitas vezes pode ser confundido com sinais da Covid-19. Buscando atenuar essa condição, a central oferece à população um atendimento denominado de acolhimento psicológico. “É uma escuta ativa qualificada com orientações e encaminhamento, se for necessário”, definiu Candice.

Ainda de acordo com a superintendente, cada caso é avaliado e, constatada indicação, o paciente é direcionado para a Rede Psicossocial dos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) para acompanhamento terapêutico. “A partir do momento em que você fala sobre o que está lhe incomodando, você já tem um alívio sobre aquele problema”, defendeu a superintendente.


Casos suspeitos e diagnósticos confirmados

Além do acolhimento psicológico, a Cori oferece um primeiro atendimento e o acompanhamento, quando indicado e sem a necessidade de sair de casa, para as pessoas que suspeitam estar com Covid-19. A triagem é feita em três etapas: primeiramente, os interessados são cadastrados; logo em seguida, atendidos por enfermeiros que fazem o levantamento dos sintomas. Nesta segunda fase, o paciente começa a ser monitorado diariamente pelos profissionais e, caso haja algum agravamento, é encaminhado aos médicos do programa para consulta ou teleconsulta gratuita (terceira etapa).

“Atendemos diariamente ligações e conversas via chat vindas de várias cidades de Goiás e até de outros Estados”, relatou o gerente da Cori, Fabrício Pereira Montes. Ele informa que o acesso à central pode ser feito por meio do site www.saude.go.gov.br/coronavirus, onde o cidadão tem acesso ao chatbot Vitória, plataforma virtual responsável por fazer a triagem e encaminhamento de cada caso. O telefone para atendimento é o (62) 3201-9300. Já a base operacional, que conta com 72 profissionais de Saúde, fica em Goiânia. Os plantões funcionam todos os dias, das 7 às 19 horas.

Atenção aos servidores
A SES ainda desenvolve o programa “GGDP ao seu lado”, realizado pela Gerência de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (GGDP), por meio da Coordenação de Atenção Psicossocial (Capses), que oferece apoio psicossocial direcionado aos servidores da secretaria. A iniciativa inclui, também, orientação às chefias, visando o suporte no manejo de suas equipes. Desde o início da pandemia, já foram atendidos 192 servidores. Atualmente, 15 estão em acompanhamento.

Por meio da Secretaria de Estado da Administração (Sead), o Governo do Estado lançou o Programa de Acolhimento ao Servidor (PAS), voltado a todos os funcionários públicos do Poder Executivo. O intuito é auxiliá-los na superação do mal-estar emocional, oferecendo alternativas para lidar com o contexto global atual.

Nos mesmos moldes do atendimento oferecido pela Cori, o PAS foi dividido em três frentes distintas de acolhimento. A primeira estabelece ações psicoeducativas, com a divulgação de informações sobre cuidados com a saúde mental. A segunda, conduzida pela Superintendência Central de Políticas Estratégicas de Pessoal, oferece os cuidados psicológicos, por meio de escuta empática, triagem, acolhimento, realizando uma sondagem do estado emocional do servidor, a partir do atendimento on-line, via chat de voz e/ou vídeo. Já a terceira frente de atuação é realizada exclusivamente por telefone, e o servidor poderá ser direcionado para atendimento especializado.

Guia de Cuidado
Também em abril, o Governo de Goiás lançou o “Guia de Cuidado da Saúde Mental na Pandemia da Covid-19 e Isolamento Social”, com orientações sobre como se cuidar psicologicamente em um momento de crise como o atual e enfrentar os novos desafios.

O material desenvolvido pela SES está disponível no site www.saude.go.gov.br e pode ser compartilhado entre todos os interessados. “O objetivo é atingir o maior número de pessoas. O fortalecimento da saúde mental é importante, pois sabemos que há uma relação bem próxima entre saúde física e emocional em relação à imunidade”, reforçou Candice Rezende.

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