Coronavírus

China é destaque nas pesquisas de imunização da Covid-19

Números da primeira etapa de testes são favoráveis, embora a expectativa de cura seja prematura

diario da manha

Em uma reunião que aconteceu por vídeo conferência a dias atrás, o infectologista Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP, lançou uma reflexão desafiadora aos participantes: “Se tivessem US$ 1 bilhão para investir no combate à Covid-19, onde apostariam?”. Conclusão dele: numa vacina.

Apostaria nos cientistas de posse das melhores pesquisas em curso para, em equipe, descobrirem a solução do problema o mais rápido possível. Uma imunização ágil não só resgataria vidas. Consentiria da mesma forma a retomada das atividades econômicas sem exposição a nenhum tipo de perigo. Seria a glória do mundo em desfavor do novo coronavírus.

Por eventualidade, US$ 1 bilhão foi o valor que a empresa americana Moderna optou em arrecadar no mercado acionário a partir da divulgação de resultados prósperos na primeira etapa de testes realizados em humanos da produção da imunização contra o coronavírus Sars-CoV2.

Na ocasião em vez de divulgar os resultados numa revista científica, como manda o figurino da prática acadêmica, a Moderna apresentou na última segunda-feira (18), uma informação à imprensa, sem dados nem tabelas, certificando que apenas 8 dos 45 participantes haviam estimulado na pesquisa um tipo essencial de anticorpo (o neutralizador).

As ações da Moderna deram um salto de 30% – afinal, em 24 horas, a aplicação da razão ganhou seu lugar. “Onde estavam o embasamento da psquisa?”, indagaram os cientistas. Como explicou Helen Branswell em reportagem no site especializado Stat: “Se você instigar um cientistas a uma leitura de um artigo, eles analisarão as tabelas de registros, não os anúncios corporativos. Em ciência, números se expressam mais que a realidade de palavras expostas”. Oito pessoas entre 45 é justificativa mais para incerteza que exaltação.

Na última sexta-feira, os grandes concorrentes da Moderna na corrida pela imunização – os chineses ligados à empresa CanSino – publicaram na revista médica britânica The Lancet os números de seus primeiros resultados da etapa de teste de segurança e dosagem. O caso não foi divulgado à imprensa. Foi um artigo científico revisto por pares, carregado de números e tabelas.

Dos 108 participantes na cidade chinesa de Wuhan, 63 apresentaram os tais anticorpos neutralizadores em níveis considerados esperançosos. Embora 87% também comunicaram algum tipo de efeito colateral (a maioria deles, apenas dor ou vermelhidão).

*Com informações do G1

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