Coronavírus

Covid-19: Confiscos de máscaras entre países europeus

Após denúncia da França contra EUA foi revelado que "a guerra das máscaras" começou muito mais cedo na Europa

diario da manha
Carregamento de 8,5 milhões de máscaras no aeroporto de Paris-Vatry, enviado pela China, em 30 de março — Foto: Thomas Paudeleux/ECPAD/AFP

No início desta semana autoridades francesas alegaram que os Estados Unidos estão comprando carregamentos de máscaras já vendidos à Europa nos aeroportos chineses por um valor de três a quatro vezes superior ao negociado. Contudo, segundo revelação feita pela revista francesa L’Express, em uma matéria, “a guerra das máscaras” começou muito mais cedo na Europa.

Em 5 de março, de acordo com a L’Express, a França confiscou quatro milhões de máscaras da empresa sueca Mölnlycke, em Lyon, no sudeste do país. Dois dias antes, o presidente francês, Emmanuel Macron, havia assinado um decreto permitindo ao governo confiscar todos os estoques de produtos e materiais hospitalares do país para lutar contra o coronavírus.

De acordo com a Mölnlycke, especializada em produção de equipamento descartável para o setor médico, as máscaras confiscadas pela França deveriam ter sido destinadas à Espanha e à Itália, por serem os países mais afetados pela pandemia.

A revista L’Express afirma que “não é necessário ser inimigo para entrar em guerra”. A matéria ressalta que todos os países envolvidos no equívoco – França, Suécia, Espanha e Itália, pertencem à União Europeia. Além disso, todos são aliados no plano militar e signatários de uma estratégia econômica até mesmo no que diz respeito ao setor da saúde.

A crise do coronavírus junto a falta de máscaras balançaram as relações e a harmonia entre os parceiros. A situação “transformou os países em beligerantes de um conflito, político, econômico e diplomático”, publica L’Express.

República Tcheca x Itália

O conflito entre a Suécia e a França não é único na Europa. Enquanto a Itália registrava o recorde de 800 mortos em apenas 24 horas, em 22 de março, 680 mil máscaras e respiradores – enviados pela China à Itália – foram recuperados pela República Tcheca.

Quem revelou informação foi o pesquisador tcheco, Lukas Lev Cervinka, que alertou ONGs humanitárias. Na Itália, os jornais “La Repubblica” e o canal de TV Rai, também divulgaram a notícia.

Após a polêmica, o governo tcheco admitiu o “erro”, afirmando não saber o destino das máscaras confiscadas pela alfândega do país. Entretanto, o pesquisador divulgou fotos e vídeos mostrando que as caixas estampavam, em mandarim e em italiano, as inscrições: “ajuda humanitária chinesa para a Itália”.

Com a repercussão do caso e mesmo sem indicar como a remessa foi parar no país, o Ministério tcheco da Saúde admitiu a verdade e revelou que o material era, de fato, um carregamento da Cruz Vermelha originário da província chinesa de Zhejiang destinado à Itália.

As autoridades chinesas afirmaram que um novo carregamento de material hospitalar será enviado à Itália.

200 mil máscaras confiscadas na Tailândia

Autoridades alemãs afirmaram nesta sexta-feira (3) que 200 mil máscaras de proteção contra o coronavírus, destinadas à polícia de Berlim, foram confiscadas em Bangkok. Segundo o governo da Alemanha, o carregamento, encomendado de um fabricante americano, que já havia sido pago, foi bloqueado no aeroporto da capital tailandesa.

As máscaras, segundo a imprensa alemã, foram produzidas na China pela empresa americana 3M. “Diante da situação atual, partimos do princípio que isso está ligado à proibição de exportação de máscaras pelo governo americano”, afirmam autoridades da Alemanha.

O incidente irritou os políticos do país. “Isso pode ser considerado como um ato de pirataria moderna”, afirmou o senador alemão Andreas Geisel. “Não agimos desta forma com nossos parceiros, mesmo nesses tempos de crise global”, reiterou.

“Roubo” de máscaras francesas

De acordo com Jean Rottner, presidente da região Grand Est, os americanos estariam comprando máscaras destinadas à França diretamente nas pistas dos aeroportos chineses, pagando em dinheiro vivo e de três a quatro vezes mais caro do que o valor original.

“Na pista, os americanos oferecem dinheiro e pagam três ou quatro vezes o preço dos pedidos que fizemos”, disse Rottner na quarta-feira (1°). Segundo ele, em seguida, os aviões partem aos Estados Unidos e não à França.

“É complicado, lutamos 24 horas por dia” para obter as máscaras, disse Rottner, explicando que uma remessa do material adquirido pelos americanos seria distribuída a profissionais que trabalham em casas de repouso para idosos.

Na terça-feira (31), Renaud Muselier, presidente da região francesa Provence-Alpes-Côte d’Azur, no sudeste, também desaprovou o comportamento americano no desvio das mercadorias com a oferta de um valor mais alto.

“A maior dificuldade é a entrega. Diante deste problema, estamos aumentando a segurança das remessas para que elas não sejam comprada por outros”, reiterou.

Os Estados Unidos negam ter comprado máscaras destinadas à França, após denúncia de duas autoridades francesas nesta semana.

*Com informações do G1

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