Cidades

Professores repudiam episódio de preconceito contra um aluno

O estudante de 11 anos teria sugerido o tema LGBT para um trabalho escolar

diario da manha

A escola Estadual Aníbal de Freitas, em Campinas (SP), emitiu cartas dos professores repudiando o episódio lamentável com um aluno. Um menino de 11 anos, do 6° do ensino fundamental, recebeu duras críticas em um grupo de mensagens, após sugerir a escolha um trabalho com o tema LGBT.

O corpo docente defende por meio de cartas que jamais nutririam qualquer tipo de preconceito. Disseram também que o fato ocorrido não fez e não faz parte da metodologia e do caráter da escola.

Uma representante do grupo docente informou que a carta só pôde ser divulgada cinco dias após o ocorrido, devido motivos legais e hierárquicos. Mas, que isso não anula o repúdio de todos os professores e que as atitudes tomadas em relação aos fatos ocorreu sem conhecimento prévio e consentimento da equipe.

“A gente participa dos grupos, mas tem autorização para desligar na sexta e retornar na segunda, para ter um pouco de descanso. Estou no Aníbal há dez anos, alguns há mais de 20. Isso nunca aconteceu. Foi uma surpresa. Nos manifestamos agora, mas fizemos reuniões virtuais durante toda a semana. Alguns professores chegaram a receber hostilidades nas redes sociais particulares”, conta a docente que leciona Português no colégio estadual.

A carta foi assinada em nome de todos os professores. Eles desejam que o fato não venha a acontecer novamente e que o histórico do aluno não seja comprometido. O corpo docente se colocou a inteira disposição para acolhê-lo na escola.

“Desejamos muito que o lamentável fato ocorrido não afaste o aluno de seus objetivos e sonhos para a transformação de uma sociedade mais justa e acolhedora; da mesma forma estamos de braços abertos para o acolher e juntos traçarmos caminhos que o leve à realização de suas metas”, diz o texto.

A diretora e a professora mediadora da escola foram afastadas da escola. A decisão foi tomada pela Secretária Estadual de Educação (Seduc-SP), segundo eles, elas terão as atividades exclusivamente burocráticas. Assim, as duas envolvidas no caso vão atuar com a restrição junto à Diretoria de Ensino Região Campinas Leste, enquanto durar a apuração pelo Estado.

A carta

“Pelo corpo docente da Escola Estadual “Professor Aníbal de Freitas” – Diretoria Regional Leste de Campinas, SP.

Embasados por trabalhos realizados ao longo de mais de uma década, nós professores desta UE, nos sentimos muito à vontade ao declarar que jamais nutrimos em nossa equipe, qualquer tipo de preconceito ou discriminação e salientamos que o episódio ocorrido com o estudante do 6° ano do Ensino Fundamental – na última sexta feira (11/06/2021) – não fez e não faz parte da nossa metodologia e muito menos do nosso caráter. Dessa forma não faz sentido as acusações e a hostilidade a nós direcionadas por parte das mídias sociais e da imprensa.

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Queremos esclarecer também que permanecemos calados até o presente momento, por motivos profissionais onde estávamos nos resguardando até adquirirmos base legal, que nos assegurasse ao cargo que ocupamos, para só então divulgarmos esta carta; também porque os fatos não nos foram completamente esclarecidos como o esperado pelos responsáveis ao ocorrido. Este corpo docente preza e incentiva ao protagonismo dos estudantes, bem como sempre prezou por um ambiente educacional livre de qualquer preconceito ou discriminação e estamos comprometidos em intensificar nossos esforços para promover atividades com temáticas diversificadas que possam continuar contribuindo para a inserção de nossos alunos na sociedade atual.

Desejamos muito que o lamentável fato ocorrido não afaste o aluno de seus objetivos e sonhos para a transformação de uma sociedade mais justa e acolhedora; da mesma forma estamos de braços abertos para o acolher e juntos traçarmos caminhos que o leve à realização de suas metas.

A atitude tomada com relação ao fato, ocorreu sem o conhecimento prévio e, portanto, sem análise e consentimento desta equipe docente.

Lamentamos muito tudo que se seguiu desde então e esperamos que o episódio tenha um desfecho justo de acordo com as normas legais que caibam ao caso e para o bem comum de todos os envolvidos, direta ou indiretamente nessa situação.

Nos tempos difíceis pelos quais estamos passando, nosso desejo é apenas e tão somente o de continuar desenvolvendo nosso trabalho com a mesma dedicação, responsabilidade, empatia e carinho como sempre fizemos e por isso sempre tivemos o reconhecimento da sociedade e de nossos superiores. Que continuemos em Paz!

Assina: Toda a equipe docente da escola estadual “Professor Aníbal de Freitas.

Entenda mais sobre o caso

Cerca de uma semana, um estudante de 11 anos foi alvo de fortes críticas e repreensão no grupo da turma via Whatsapp. A família então denunciou o preconceito e a intimidação sofrida pela criança. A Polícia Civil e o Ministério Público estão investigando o caso.

A diretora e a mediadora, a irmã da criança, que denunciou o caso, aprovou a decisão da justiça.

“A gente acha que foi justo. A gente segue aliviada por toda a proporção que tomou, pelo simples fato que foi uma simples sugestão de estudo. Não precisava de tanta, tamanha grosseria. A gente segue nessa luta aí contra todo tipo de preconceito”, afirmou a irmã da criança.

Na última quarta-feira (16), o corpo docente se manifestou por meio de uma carta o repúdio sobre a situação. Segundo a Seduc, a diretora enviou uma carta à família do estudante. Na carta ele reafirmava a retratação e o compromisso de ações efetivas sobre o caso”.

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