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População se manifesta contra instalação de aterro sanitário, em Nova Veneza

diario da manha
Foto: Mapio.net

No último dia 30 de abril, moradores de Nova Veneza de Goiás, aproximadamente 30km de Goiânia, foram surpreendidos com a informação de uma possível instalação de um aterro sanitário na divisa com o município de Brazabrantes, para receber todo o lixo de cinco cidades vizinhas: Nova Veneza, Brazabrantes, Santo Antônio de Goiás, Inhumas e Damolândia. 

A ideia da implantação de um aterro sanitário na região, já estava sendo discutida desde o ano de 2017 pelo Consorcio Intermunicipal Brasil Central formado por estes cinco municípios. Os moradores contestam a ideia e alegam que nunca foram informados da possível instalação deste aterro, e tampouco foi feito qualquer audiência ou consulta pública, o que demonstra que tudo foi feito na calada. 

Para o projeto do aterro, foi concedido de forma muito incomum, uma licença prévia simplificada, apesar de o local prever a destinação de todo lixo dos cinco municípios.  

Segundo Cláudio Adriano Costa, morador de um dos condomínios que seriam afetados pelos resíduos e, empresário do município de Nova Veneza, não foi realizado o estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), o qual analisaria além dos impactos ambientais, os impactos sociais, econômicos e culturais da região. 

‘’Fica claro que a licença simplificada possui vários vícios de origem, desrespeitando a existência de nascentes, não obedecendo a distância da faixa de domínio da GO 462, as distâncias de cursos de leitos corpos hídricos, como o córrego da Égua que abastece o Rio Meia Ponte, ignorando a existência de reserva legal e sem qualquer análise do impacto do lençol freático, responsável pelo abastecimento de diversas propriedades e condomínios na região’’, afirma o empresário. 

Ao todo, a área possui nove condomínios em suas proximidades e fica bem próximo do centro da cidade de Nova Veneza, apenas 4,5km de distância. Com a implantação de um aterro sanitário tão próximo ao centro, afetaria também a cultura e o turismo, onde o município recebe milhares de pessoas para o conhecido Festival Gastronômico Italiano.  

Local onde seria feita a instalação do aterro sanitário em Nova Veneza- Foto / Reprodução: TV Gazeta

Ainda de acordo com Cláudio Costa, o local é uma fazenda que eles pretendem desapropriar uma parte do terreno dela para fazer a implantação do aterro sanitário. Para ele, o impacto não é somente local, e sim regional porque também envolve os demais municípios.  

Segundo o empresário eles foram atrás do consórcio e descobriram que existe sim, uma licença prévia para a instalação do aterro sanitário. 

Na última quarta-feira (5), moradores, comerciantes e empresários, realizaram uma manifestação com carreata, seguida de reunião na Câmara Municipal de Nova Veneza para exigir o cancelamento da implantação do Aterro Sanitário na divisa dos municípios. 

No ato da manifestação, o prefeito de Nova Veneza, Valdemar Costa junto à câmara de vereadores do município, se comprometeram com a população em não medir esforços para o cancelamento do projeto do aterro. 

Notificação 

Segundo o empresário Cláudio Costa, já foi feita a solicitação por meio de advogados, ao consórcio Brasil Central solicitando toda a documentação para que eles possam ter acesso, o consórcio já foi notificado e eles aguardam pelos documentos na próxima semana.  

Enquanto isso, a câmara de vereadores juntamente com o prefeito de Nova Veneza, Valdemar Costa, já fizeram uma notificação tanto para o consórcio, quanto para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD),contestando a ideia e sendo contra a implantação do aterro sanitário.  

Ainda de acordo com Cláudio, dos cinco municípios, eles já têm o apoio de três prefeitos que também são contra a ideia, os municípios de  Damolândia, Santo Antônio de Goiás e Nova Veneza.  

Nossa equipe de reportagem entrou em contato por telefone com o Consórcio Brasil Central, mas até a publicação desta matéria nossas ligações não foram respondidas. O espaço fica aberto para que o consórcio possa se posicionar sobre o caso.  

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