Cidades

Polícia conclui inquérito sobre morte de professor envenenado no DF

Em 30 de janeiro, o professor passou mal no colégio, foi socorrido e faleceu cinco dias depois

diario da manha

O inquérito que investiga a morte do professor envenenado Odailton Charles de Albuquerque Silva, de 50 anos, foi concluído pela Polícia Civil. Ele trabalhava em uma escola pública no Distrito Federal. Odailton morreu no dia 4 de fevereiro após ingerir veneno de rato. Portanto, a investigação não comprova se ele foi assassinado e nem como teve contato com o veneno.

O professor trabalhava no Centro de Ensino Fundamental da 410 Norte. Ele foi diretor da escola por oito anos, mas perdeu as últimas eleições. Em 30 de janeiro, o professor passou mal no colégio alegando ter sido envenenado, foi socorrido e faleceu cinco dias depois.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Laércio Rosseto, o juiz ainda vai analisar se estabelece o sigilo sobre o caso e, sendo assim, a polícia não pode se pronunciar sobre a conclusão do inquérito até a decisão judicial sair.

Um dos advogados solicitou para que o processo corra em segredo de Justiça. Deste modo, o resultado da investigação será levado para análise do Ministério Público do DF, que decide se vai expor ou não a denúncia contra a mulher indicada por Odailton como suspeita.

O professor chegou a mandar áudios para colegas afirmando que teria passado mal após tomar um suco de uva envenenado (Confira a transcrição dos áudios abaixo). No áudio, Odailton alega que o suco foi oferecido por uma colega. Portanto, a perícia não identificou vestígios de suco nos exames realizados.

A direção do colégio alegou, na divulgação do caso, que o professor só tomou água na escola e por vontade própria.

O professor também denunciou um esquema de “rachadinha” na escola. Já a Secretaria de Educação informou que a prestação de contas do CEF 410 Norte “está em dia”. De acordo com a pasta, a escola mostrou os documentos de 2009 a 2018 e os mesmos foram aprovados.

O caso do professor envenenado

Após passar mal na escola, ele foi internado e médicos do Hran indicaram o quadro de saúde como grave. A mulher dele registrou ocorrência na 2ª DP, como tentativa de homicídio. A esposa de Odailton entregou uma bolsa térmica com gelo e as roupas usadas pelo marido no dia em que ele foi a escola.

Durante as investigações, em 6 de fevereiro, um laudo feito pela polícia identificou veneno de rato no corpo do professor. De acordo com a perícia, a substância encontrada no vômito era chumbinho.

Em 15 de fevereiro, a polícia fez a remontagem da morte do professor na escola, com a presença de 12 testemunhas que estavam no local quando Odailton teria sido envenenado. Após a perícia, foi desenvolvida a hipótese de suicídio para morte do educador.

Veja transcrição:

“Não é brincadeira não. Eu tomei um negócio e estou passando mal mesmo. Será que essa desgraçada me envenenou, rapaz? Ela esperou sair todo mundo para almoçar. P*.

Nossa, sinceramente, eu tô até com medo de ligar para a minha mulher e deixar ela apavorada, coitada. Sei lá. Tô passando mal mesmo. Ela botou algum purgante aqui, algum purgante.”

Em um outro áudio, ele detalha desavenças com a colega e reforça a suspeita de envenenamento. Ao fim, no entanto, diz que “não deve ser nada” e que o mal-estar deve ser por conta dos remédios que ele tomava.

Leia a transcrição:

“Minha amiga, eu tô te mandando a mensagem porque tu demora a atender. Aí eu fico agoniado. Eu cheguei aqui, a mulher com uma cara feia da p* para mim. Os quadros que eu tinha deixado já tavam tudo empilhado para eu carregar. Minha folha de ponto para assinar. Quase que ela não deixa eu entrar na escola.

Aí depois ela viu que eu estava de boa e tal, não sei o quê. Mas a mulher com ódio, ódio, ódio nos olhos, né? Aí eu fui, aí ela me chamou na salinha ali para assinar a filha de ponto. Aí quando eu fui ver ainda me deu uma garrafinha de suco de uva. Tomei até um susto. Uma garrafinha dessas, né… Aí eu falei: ‘Não vou tratar mal, né? Não vou ser deselegante não’. Eu fiquei meio receoso, mas aí fui e tomei.

Eu não sei…agora, já tem uns 15 minutos. Agora, tá me dando uma dor de barriga desgraçada. Será se essa p* botou algum laxante para me sacanear? Botou alguma coisa dentro dessa p* desse suco de uva. Porque não é possível a dor na barriga que eu tô.

Eu hein, tô grilado agora, agora eu tô grilado. A mulher me olha de cara feia. Aí depois que o pessoal sai todo de perto, que ela me põe ali naquela salinha, que era do Bira, para assinar a folha, e me vem com uma garrafinha de suco de uva e me dá.

Sei lá, agora eu tô com o estômago aqui f*, doendo. Não sei que p* é essa. Tô com medo vou até ligar para a minha mulher. Mas vamos esperar, não deve ser nada não, deve ser dos meus remédios. Vai dar tudo certo. Ai, não é possível que ela tenha a coragem. Ah meu pai do céu.”

*Com informações do G1

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