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''Estamos profundamente pertubados'', diz ONU sobre operação que deixou 25 mortos no RJ

De acordo com o porta-voz, o modelo seguido na segurança pública em comunidades está errado e uma investigação imparcial deve ser aberta para investigar o caso

diario da manha
Foto: JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Na manhã desta sexta-feira (7), o Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu porta-voz Ruppert Colville, através de uma coletiva de imprensa na cidade de Genebra, disse que entidade está ”profundamente pertubada” com as 25 mortes na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

”Estamos profundamente perturbados pelas mortes de 25 pessoas numa operação policial”, disse Colville. Para a ONU, a operação confirma que a polícia, no Brasil, se excede no uso da força e da autoridade.

De acordo com o porta-voz, o modelo seguido na segurança pública em comunidades está errado e uma investigação imparcial deve ser aberta para investigar o caso.

Para a ONU, existe sim crimes organizados e de tráfico de drogas nas comunidades, mas ela é contra a abordagem utilizada pelos militares. ”A forma de lidar com isso é com responsabilidade por parte das autoridades para garantir que a população civil, mulheres e crianças não sejam afetados”, afirma Colville.

Segundo Colville, o governo tem a responsabilidade de equilibrar o policiamento necessário no caso de atividades criminosas com sua responsabilidade até maior de proteger a população civil de mortes e ferimentos, além de crimes.

Operação

Na última quinta-feira (6), um intenso tiroteio na Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos 25 mortos, entre eles um policial, e dezenas de pessoas feridas.

Através de nota, a Polícia Civil informou que a ação, batizada de Operação Exceptis, é resulado de investigação contra a organização criminosa que atua na comunidade e coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

O grupo é investigado pelo aliciamento de crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, explorando os menores para práticas como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e sequestros de trens da Supervia, dentre outros crimes praticados na região.

Todo o confronto causou grandes transtornos, interrompendo a circulação dos transportes públicos, fechamento de escolas, unidades de saúde e suspendendo serviços como a vacinação contra a Covid-19.

O MetrôRio informou que os “dois clientes foram atingidos na altura da estação de Triagem, após o vidro de uma das composições aparentemente ser atingido por projétil.

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