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Saul Klein, herdeiro das Casa Bahia, é acusado de estupro por 32 mulheres

Em denuncia, Saul Klein , filho de Samuel Klein, fundador da rede Casas Bahia é acusado de estupro por 32 mulheres, sendo que 5 delas eram menores de idade na época teriam sido abusadas. Segundo as vítimas, o empresário mantinha uma rede de aliciamento e exploração sexual atraindo mulheres com a promessa de trabalhos como modelo. As informações são da Universa.

Segundo as informações, Saul Klein ainda enfrenta três processos trabalhistas movidos por pessoas que ajudariam a recrutar as modelos e a organizar o dia a dia delas na casa e no sítio do empresário. A reportagem, que teve acesso a íntegra de depoimentos, relata que as mulheres eram convidadas para ser "modelos, presença VIP ou fazer representação de imagem", por meio de uma seleção feita pelas redes sociais. 

Samuel Klein teria oferecido R$ 800 mil pelo silêncio de três garotas. Desses, dois ele confirmou perante a Justiça, já o terceiro alegou ter tido a assinatura falsificada.

Saul Klein se candidatou em 2020 a vice-prefeitura de São Caetano do Sul (SP) pelo PSD, tendo declarado à Justiça Eleitoral na época um patrimônio de R$ 61,6 milhões.

O empresário está sendo investigado pela por "organização criminosa, tráfico de pessoas, estupro, lesão corporal grave, lesão corporal gravíssima, favorecimento à prostituição e exploração sexual, mediação para satisfazer a lascívia, favorecimento da prostituição e exploração sexual e falsificação de documentos públicos".

Em 2009, Saul Klein vendeu parte das ações da rede de lojas para investir no futebol. Ele passou a colocar dinheiro em clubes como São Caetano e hoje é dono do clube paulista Ferroviária.

A reportagem da Universa trás relatos nove vítimas, e, conforme a matéria, o perfil era parecido, mulheres de 16 a 20 anos. Após os abusos, algumas delas desenvolveram anorexia e depressão, sendo que uma das vítimas cometeu suicídio aos 22 anos, tida como "a preferida".

O esquema desvendado pela polícia

Saul Klein entrava em contato com agências solicitando "Meninas novas, sem peito e magras", nas quais encontrariam nas redes sociais. Para isso, a promessa era de trabalhos como modelo, de presença remunerada em festas ou de acompanhante de luxo de um homem bem-sucedido que gostava de ter pessoas hospedadas em sua casa no bairro nobre de Alphaville, em Barueri (SP).

As mulheres recebiam por trabalho realizado entre R$ 2.000 e R$ 3.000. Mas antes elas passavam por uma entrevista, pela qual Saul Klein pagava R$ 1000. Segundo a advogada do caso, além da aparência, todas as garotas pareciam ter em comum a vulnerabilidade. 

"Cada uma delas teria sido contatada sob a fraudulenta informação de que haveria interesse de uma organização empresarial em contratar seus serviços como modelo; segundo linha uníssona de descrição das ofendidas, as aparentes agenciadoras as levavam a uma espécie de 'teste' com o suposto 'dono da empresa'", afirma o promotor de Justiça de Barueri (SP), Eduardo Caetano Querobim, em documento.

Garotas jovens

As mulheres ouvidas na reportagem disseram ter ficado surpresas ao perceber que se tratava de serviços sexuais. Uma delas disse ter usado uma "pomada para fingir virgindade". Outra contou que além de ter sido orientada a falar com uma voz "infantilizada", pois o empresário "gostaria das novinhas", ele também pediu para que ela o chamasse de pai.

"Saul me levou para um quarto e começou um abuso, ele começou a me apertar. Perguntei se usaria preservativo, ele respondeu que não. Falei que não queria continuar, mas ele não respeitou. Foi muito ruim", disse uma das meninas. 

"Fui obrigada a falar que era filha de japoneses e de mãe empresária. Era considerada a 'novinha' e deveria me comportar com uma menininha virgem", disse outra.

"Mesmo sem eu querer ficar com ele ou manter relações, era obrigada", diz uma jovem

Uma das meninas relatou Saul Klein as obrigava a beber, mas as vezes obrigada também a misturar bebida e remédio e, assim, a violentaria estando desacordada — o que configura estupro de vulnerável, já que a vítima não é capaz de consentir.

Ainda há relatos de que os celulares eram confiscados e que seguranças armados vigiavam o local. O empresário também as mantinha presas em quartos por até 48 horas, não dormia, e as obrigava a fazer sexo contra a vontade.  Além disso, elas relatam que eram vítimas de outras humilhações, onde ele chegou até mesmo a cuspir em uma das garotas.

O que diz Saul Klein

O empresário afirma que as relações tinham consentimento, e que foi vítima de extorsão, pois segundo a versão dele, as jovens queriam que ele as sustentasse.

O advogado de Saul Klein, André Boiani e Azevedo, nega as acusações de crime sexual contra seu cliente e afirma que o empresário teve contato com diversas jovens nos últimos anos. A defesa afirmou que o empresário se relacionou com algumas delas, mas que seria uma relação de "sugar daddy", por meio da qual se "mantém um pagamento, mas não por sexo, [em que ele] sustenta, trata todas como namoradas, essa é a verdade em relação ao Saul".

"Saul sabia que contratava moças de uma empresa para estarem nos eventos, e elas saberiam que poderia haver aproximação sexual, mas que não seria obrigatório. Nada do que se diz em termos de violência, de obrigatoriedade, de coação, ele participou", afirma Azevedo.

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