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Criança de Porto Real em estado gravíssimo, foi agredida e torturada por dias, diz Polícia Civil

As suspeitas de todas as agressões são a mãe da menina e a companheira dela, respectivamente, que respondem por tortura

diario da manha
Local onde a criança dormia Foto/Reprodução - Isabelle Magalhães/TV Rio Sul

A menina de seis anos foi hospitalizada após ser gravemente agredida em Porto Real (RJ), as agressões começaram na última sexta-feira (16) e seguiram até a madrugada de segunda (19), quando a criança “ficou agonizando até amanhecer” e a mãe resolveu chamar o Samu, viveu dias de sofrimento antes de enfim ser socorrida, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil.

Ainda de acordo com a polícia, nesse período, a menina não foi devidamente alimentada, recebeu socos, empurrões, pisoes, pontapés e sofreu lesões provocadas por um fio de TV, que foi usado como chicote. O fio foi apreendido como instrumento do crime.

As suspeitas de todas as agressões são a mãe da menina e a companheira dela, de 27 e 25 anos, respectivamente, que respondem por tortura. De acordo com a polícia, as duas confessaram o crime, que teria sido motivado por ciúmes.

“A companheira começou a sentir ciúmes da criança, o que foi piorando o relacionamento, até [chegar] agora às agressões”, contou o delegado titular de Porto Real, Marcelo Nunes Ribeiro.

“A mãe da criança alega que, por volta de outubro do ano passado, a companheira começou a sentir ciúmes da criança e começou a maltratar tanto a mãe como a criança. Começou a fazer algumas agressões contra a criança, no que veio a culminar, na última sexta-feira, a essa série de agressões”.

As duas mulheres foram presas na segunda após a criança dar entrada no Hospital de Porto Real e a equipe médica acionar as autoridades.

Criança agredida recebeu primeiros socorros no Hospital Municipal de Porto Real
Foto/Reprodução – Isabelle Magalhães/TV Rio Sul

A menina foi transferida em estado gravíssimo para a cidade vizinha Resende (RJ) para receber atendimento médico especializado. Na manhã desta terça-feira (20), a menina estava internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Neovida Resende, que funciona anexo ao Samer Hospital.

De acordo com o portal G1, a unidade disse que a menina continuava viva, mas o estado de saúde dela não foi divulgado até a publicação desta reportagem.

O Conselho Tutelar foi acionado, e o caso continua sendo investigado. Até a manhã desta terça, pelo menos oito pessoas haviam sido ouvidas, entre elas as suspeitas e testemunhas como policiais militares e guardas municipais.

A polícia informou ainda que conseguiu uma cópia do boletim médico do Hospital de Porto Real que constatava diversas lesões e que coletou informações com a equipe médica que ofereceu os primeiros socorros.

Além disso, a polícia confirmou que a companheira da mãe já tinha antecedentes criminais por lesão corporal e dano a patrimônio público.

As suspeitas devem ser levadas nesta terça para audiência de custódia em Volta Redonda (RJ).

O controle das emoções 

De acordo com o UNICEF, metade das crianças do mundo, ou aproximadamente 1 bilhão de crianças a cada ano, é afetada pela violência infantil. No Brasil, violência e acidentes são as maiores causas das mortes de crianças, adolescentes e jovens de 1 a 19 anos. O país é líder no ranking de violência infantil da América Latina. Pesquisas informam que três em cada dez pessoas conhecem uma criança que já sofreu violência.

Com o isolamento social, devido a pandemia do coronavírus, houve um aumento na subnotificação dos casos de violência infantil.

Ignorar o choro de uma criança é por si só um ato de violência. 
Foto/Reprodução A soma de todos afetos

Geralmente esses casos são observados e diagnosticados no ambiente escolar, principalmente porque o aluno acaba mudando seu comportamento repentinamente e enxergam na escola um ambiente seguro. Com a interrupção das aulas presenciais muitas situações deixaram de ser descobertas causando infelizmente uma subnotificação das denúncias.

Onde denunciar?

  • Disque 100: Canal do Governo Federal que recebe denúncias de violação dos direitos humanos. A denúncia é anônima, a ligação pode ser feita de telefone fixo ou celular e é gratuita. Funciona 24 horas, mesmos aos finais de semana e feriados.
  • Aplicativo Proteja Brasil: recebe denúncias identificadas ou anônimas. O usuário precisa preencher um formulário simples onde fará o registro de denúncia que será recebido pela mesma central de atendimento do Disque 100. Também disponibiliza os contatos dos órgãos de proteção nas principais capitais.
  • Conselho Tutelar:  é o principal órgão de proteção a crianças e adolescentes e está presente em todas as regiões. É possível fazer a denúncia por telefone ou pessoalmente na sede do conselho. Para localizar o contato do Conselho Tutelar mais próximo da ocorrência basta buscar na internet por “Conselho Tutelar + o nome da cidade”.
  • Delegacias de Polícia: tanto as delegacias comuns quanto as especializadas recebem denúncias. Polícia Militar, em caso de emergência, disque 190, a ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas.

*Com informações do G1 e Yahoo! Notícias

Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a equipe DM Online www.dm.jor.br pelo WhatsApp (62) 98322-6262 ou entre em contato pelo (62) 3267-1000.

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