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Ciúme possessivo: A porta de entrada para relações abusivas

Psicóloga Pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental, Ana Carolina Crispim explica que o ciúme possessivo traz transtornos prejudiciais ao relacionamento

diario da manha

No século XXI muitos avanços asseguram a liberdade individual. Porém, ainda hoje, o ciúme possessivo é considerado prova de amor, quando, na verdade, é o primeiro indicativo de uma relação abusiva, ocasionando talvez até em um desfecho trágico: o feminicídio.

Um relatório da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de 2018 mostra que do número total de mulheres assassinadas em Brasília em um período três anos, 82% das vítimas foram mortas por causa de ciúmes.

Psicóloga e pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental, Ana Carolina Crispim explica que o ciúme para quem pratica pode abrir abismos infinitos de desconfiança e perturbação emocional, sobrecarregando o parceiro de suas paranoias e deixando-se levar pelo cansaço e fadiga emocional de estar sempre em alerta por algo que não acontece. Para ela o ciúme possessivo traz transtornos prejudiciais ao relacionamento.

” A pessoa tem pensamentos indesejáveis, involuntários, repetitivos e até absurdos sobre a infidelidade.” – afirma a especialista.

Ela explica que uma pessoa ciumenta mesmo sabendo do pensamento infundado, pode ficar refletindo sobre e se angustiando quanto a possibilidade de traição, perdendo tempo imaginando coisas.

“Existe uma briga interna na pessoa ciumenta e frequentemente ela está comprometida com outras doenças mentais como ansiedade.” – diz Ana Carolina.

Para quem é alvo, a psicóloga alerta que o ciúme e o choque emocional desgasta a pessoa pois ela precisa provar algo que não acontece.

Ciúme possessivo – identificação e tratamento

A psicóloga Ana Carolina esclarece que a maturidade em um relacionamento é fundamental para conseguir observar sinais de quando algo não está sendo saudável e que para identificar sinais de relacionamento abusivo deve-se observar o ciúme em excesso.

“Proibições ou implicâncias, privar a liberdade do próximo através de sinais sutis como a roupa ou comportamento em redes sociais, controle de senhas, mexer no celular e objetos pessoais, cobrança de horário e satisfação. Esses exemplos podem iniciar bem sutilmente e ir intensificando com o tempo sem que o outro perceba.” – explica Ana Carolina.

Após a identificação, a especialista afirma que a melhor alternativa para o casal é procurar ajuda profissional, se existir uma força de vontade de mudança a partir da pessoa que é ciumenta.

“Isso precisa começar a ser desejo do indivíduo pois o maior prejudicado acaba sendo ele mesmo.” – ela explica.

Segundo Ana Carolina, a pessoa, com auxílio profissional, passará por um processo de autoconhecimento e individualidade, podendo restaurar um relacionamento e iniciar de forma sadia caso houver futuras relações.

Por fim a Psicóloga Ana Carolina Crispim explica que Ciúmes se trata de um sentimento natural e inato que se apresenta como uma reação de qualquer indivíduo a uma ameaça perceptível a algo que possua, como uma relação afetiva.

“Não é errado sentir ciúme! Errado é reprimir qualquer sentimento ou esquecer sua essência, errado é adoecer o ciúme, o transformar em compulsão culpabilizando o outro pelas suas fraquezas.” finaliza a psicóloga.

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