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Bolsonaro afirma novamente que que leite condensado é para 'o rabo' da imprensa

Novo ataque à imprensa foi divulgado em vídeo compartilhado pelo senador Rogério Carvalho (PT) nesta quinta (29), dia em que o presidente visita Sergipe

diario da manha

Após a divulgação dos gastos do governo federal com alimentos e bebidas no ano de 2020, o presidente Jair Bolsonaro voltou a críticar a imprensa e reafirmou que as latas de leite condensado são “para enfiar no rabo de jornalista”, isso porque dos R$ 1,8 bilhão gastos com alimentos no ano passado, pelo menos R$ 15 milhões foram destinados a compra de leite condensado.

O novo ataque à imprensa foi divulgado em vídeo compartilhado pelo senador Rogério Carvalho (PT) nesta quinta (29), dia em que o presidente visita Sergipe. Na gravação Bolsonaro diz: “É para enfiar no rabao de jornalista”.

Em um vídeo divulgado por parlamentares na quarta-feira (27) Bolsonaro já havia aparecido criticado o trabalho da imprensa ao falar sobre o assunto durante um evento fechado.

“Vai para puta que o pariu. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí, vocês não, vocês da imprensa essa lata de leite condensado”, disse o presidente.

O deputado David Miranda (PSOL-RJ) protocolou na terça-feira (26) uma ação para que o procurador-geral da República, Augusto Aras, investigue os valores gastos.

Gastos com alimentos e bebidas 20% maior que em relação a 2019

A divulgação dos gastos feita pelo portal Metrópoles aponta o valor teve um aumento de 20% em relação a 2019. Ainda segundo o portal os gastos foram destinados a R$ 2,5 milhões em vinhos para o Ministério da Defesa e, R$ 15 milhões em leite condensado e R$ 2,2 milhões em gomas de mascar.

Além disso, foram R$ 5 milhões para compra de uvas passas, R$ 1 milhão em alfafa, R$ 15 milhões em açúcar, R$ 16,5 milhões em batata frita embalada e R$ 14,8 milhões em temperos, R$ 4,5 milhões com água de coco, R$ 14 milhões em café, R$ 3,2 milhões em caldas doces para recheios e coberturas, R$ 1,7 milhão em chantili, R$ 6,7 milhões em chuchu, R$ 1,8 milhão em geleia de mocotó e R$ 2,2 milhões em chicletes.

Em nota, o Ministério da Defesa alegou que os gastos feitos pela pasta eram para “prover alimentação aos militares em atividade”. “Ao contrário dos civis, os militares não recebem qualquer auxílio alimentação”, diz o texto divulgado na quarta-feira (27).

Segundo a Defesa, diariamente um efetivo de militares da ativa com 370 mil homens e mulheres realizam suas refeições, em 1.600 organizações militares espalhadas por todo o país.

“O leite condensado é um dos itens que compõem a alimentação por seu potencial energético. Eventualmente, pode ser usado em substituição ao leite”, afirma a pasta. “Ressalta-se que a conservação do produto é superior à do leite fresco, que demanda armazenamento e transporte protegido de altas temperaturas.”

“No que se refere a gomas de mascar, o produto ajuda na higiene bucal das tropas, quando na impossibilidade de escovação apropriada, como também é utilizado para aliviar as variações de pressão durante a atividade aérea”, diz o texto.

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