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Deputada faz postagem racista, mas nega crime

A postagens que é uma crítica a Magazine Luiza, mostra o ex-ministro, Sérgio Moro, da Justiça, e Luiz Henrique Mandetta da Saúde, em uma montagem em que seus rostos estão pintados de preto

diario da manha
A deputada Bia Kicis (PSL-DF) foi à Câmara nesta quinta (21) usando uma máscara com a expressão 'E daí?' — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Bia Kicis (PSL-DF) que é deputada federal, publicou em suas redes sociais, uma imagem com conteúdo racista para criticar o processo seletivo exclusivo para negros, realizado pela empresa Magazine Luiza. Na foto a deputada aparece fazendo “Blackface”, gerando uma repercussão negativa nas redes sociais.

Em nota enviada ao G1, a deputada que é ex-líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, nega que tenha cometido o crime e se desculpa. “Não sou racista e quem me conhece sabe disso. Critiquei dois ex-ministros que traíram o PR [presidente] e não encontram trabalho e fariam de tudo para entrar novamente no jogo político. Se ofendi alguém, peço desculpas”.

A imagem que faz referência às pessoas desempregadas e à perda dos cargos dos ex-ministros Sérgio Moro, da Justiça, e Luiz Henrique Mandetta da Saúde, tem uma montagem, com a pele de ambos pintada de preto, acompanhados da frase “não está fácil para ninguém”.

Deputada federal Bia Kicis compartilha postagem com “blackface” para critica processo seletivo para negros -Foto: Reprodução/Twitter

Segundo a deputada não há racismo no conteúdo e, sim, na iniciativa da empresa. Bia Kicis ainda atribui um “estrago do ensino aos moldes de Paulo Freire“, o fato de alguém “enxergar racismo no post”.

“blackface” é uma prática considerada racista por historiadores, pesquisadores e ativistas do movimento negro. De acordo com eles, essa pintura remete ao costume de pintar atores brancos de preto, no século 19, já que os negros não podiam atuar no teatro e no cinema.

A advogada negra Jéssica Silva, especialista em Direito Penal, explica que o blackface está listado na legislação federal (lei nº 7.716) entre as práticas de racismo, descrita como “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Ainda segundo a especialista, essa a prática pode ser enquadrada como injúria racial, prevista no Código Penal, com pena de um a três anos de reclusão e multa.

Nas redes sociais a Magazine Luiza, se contrapôs as críticas e saiu em defesa do processo seletivo. “Estamos absolutamente tranquilos quanto á legalidade do nosso Programa de Trainees 2021”, informaram.

A empresa vem sofrendo ataques desde que anunciou o programa que visa maior inclusão para pessoas negras em sua organização. “Ações afirmativas e de inclusão no mercado profissional, de pessoas discriminadas há gerações, fazem parte de uma nota técnica de 2018 do Ministério Público do Trabalho”, informou a empresa.

A maior parte das críticas vindas dos internautas, diz respeito a um suposto  “racismo reverso” em relação processo seletivo da rede varejista, que está selecionando apenas negros para as vagas.

A doutora em Comunicação e pesquisadora em Relações Raciais, Kelly Quirino ressalta que seleções exclusivas para pretos e pardos visam “reparar uma desigualdade histórica”. “Negros são minoria nos cargos de chefia, e um processo ‘trainee’ tem o objetivo de preparar pessoas para formar carreira.”

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