Brasil

Gerente da loja Rosa Chá chama funcionária negra de escrava

Funcionários que presenciaram o fato prestarão depoimento sobre o caso na delegacia.

diario da manha
Janine de Oliveira Monteiro afirma ter sido chamada de escrava por gerente da Rosa Chá

Uma assistente de vendas registrou boletim de ocorrência após ser vítima de racismo, a funcionária da renomada loja Rosa Chá foi chamada de escrava durante uma reunião de trabalho.

Janine de Oliveira Monteiro (27), disse em recentre entrevista a um portal de notícias que o fato ocorreu na frente de colegas de trabalho. A Restoque, dona da marca, informou que a funcionária suspeita de racismo foi afastada, mas a identidade dela não foi revelada.

”Primeiro estava todo mundo lanchando na mesa, comendo um pão e os farelos sujaram a mesa. Ela disse que não tinha problema, pois quem iria limpar seria eu mesma. Depois começou um papo sobre receita de bolo, ela acabou pulando o assunto para falar dos judeus, a ex-sogra dela era judia, pulou para os negros, falando que cada um tem sua cultura e virou para mim e disse: como você, escrava”.

Janine lembrou que, após a declaração, a reunião continuou como nada tivesse acontecido. Ela afirmou que ficou sem reação e sem conseguir acreditar que tenha sido chamada de escrava pela gerente.

”O subgerente veio conversar comigo e perguntou se eu havia entendido o que aconteceu. Eu evitei falar do assunto para não chorar naquele momento. Os colegas de trabalho tentaram me acalmar”.

Janine trabalha na loja há nove meses, de origem humilde é moradora da favela da Rocinha, no Rio, a assistente de vendas está afastada do trabalho, seguindo recomendação de seu advogado.

O advogado da vítima, Ruan Pablo, explicou que Janine foi vítima de injúria racial e que os funcionários vão prestar depoimento sobre o caso na delegacia. A defesa entrou com uma ação na Justiça solicitando a demissão de Janine, já que ela não tem mais condições de trabalhar na Rosa Chá.

“É um pedido de demissão para garantir as verbas rescisórias que o profissional tem direito em caso de demissão. A Janine tem uma condição financeira bem precária e ainda paga aluguel e escola para os filhos. Além disso, vamos acionar a marca para indenizá-la por danos morais”, explicou o advogado.

Janine explicou ainda, que esse não foi o primeiro caso de preconceito vivido por ela em ambientes de trabalho. A auxiliar de vendas, que trabalha há cinco anos em shoppings, explicou que em outra loja a gerente chegou a implicar com o cabelo dela.

“Já vivi isso de formas diferentes. Neste caso, a gerente teve a ousadia de falar o que ela pensava. Em outra loja implicavam com o meu cabelo. Se tivesse muito alto, a gerente dizia que eu precisava penteá-lo. Quando chegava com ele molhado, mais baixo, pós-banho, ela dizia que se ela fosse eu só usaria desse jeito”, recordou.

Leia também

tags:

Comentários